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Mostrando postagens de março, 2011

Poesia

Postado originalmente em Momento de Ler , 28 de março de 2011 Arrebanhador 29/01/2011 Já te vestiu de lírios brancos? Já comeu as sementes da simplicidade com que o vento te alimentou? Já te entregou às vestiduras dos campos, estas engalanadas todas da singeleza do céu? Já provou, irmão meu, do fruto escolhido, o Maná saboroso, o pão santo, com que te presentearam na hora da aflição? Houve-te já um dia em que, resignado, nada esperou, e do porvir não cuidou e às horas do principio da tarde te trouxe e te alegrou o anjo da bondade com a oferta da caridade? Já chorou em face da injustiça? Já chorou porque choravam também os outros? Já se compadeceu com a dor de outra carne? Já desejou curar do mundo as chagas? Teve culpa por não ser digno de tal? Já foi fácil se colocar no lugar do outro? Já desejou ser cordial, gentil e benevolente ao teu desafeto? Desejou já jantar em casa dele? Ansiou que ele te tivesse um olhar afetuoso? Chorou porque foi desprezado?...

Poema

Milagre da alergia a lactose - I (Aline Negosseki Teixeira, 28.03.2011) Houve um dia e não há quem saiba dizer qual foi se não Aquele que o escolheu em que foi resgatada dos laços da morte. Cinnamomum camphora , popular Cânfora Talvez fosse no ano de 1987 ou talvez no dia da fundação do mundo, ou mesmo antes disso. O dinheiro era escasso A comida era escassa a vitamina pouca, o carboidrato pouco, tudo tão parco... e o amor, infinito. Mas seus seios que transformavam o nada em tudo haveriam de um dia secar. No amargo do ruibarbo, a etapa doce da lactação findou, e como entender porque? nem de vaca, nem de cabra... haveria de no pequenino estômago ficar, ainda menos, alimentar. As sopas, os receios, os desgostos as incertezas, as opressões... a intoxicação a infecção as vis devoradoras do frágil organismo bactérias malditas ameaçavam aquela pequenina, única vida que preenchia de alegria a vida d’uma mãe mui zelosa. Pobrezinha, pobrezinha... A...

Nota: Sobre Churrascos

Espetinho de Soja Texturizada, Imagens Google. Somos vegetarianos desde 2005. O Matheus se tornou em junho daquele ano e eu em julho. Qualquer hora contarei essa história, porque agora confesso que estou com preguiça. Mas, resolvi escrever uma nota sobre churrascos. Muitas pessoas que não sabem de nossa opção, ou ainda, vocação, hehe, em sermos vegetarianos, nos convidam para esse tipo de evento tão descontraído, divertido, amigável, familiar... esse evento que é bem o perfil do brasileiro, da humanidade, em geral, desde seus tempos mais antigos. "Vou dar um churrasco sábado, e quero convidar vocês!" Alguém diz para esse alguém "mas eles são vegetarianos". O olho da pessoa se arregala. Decerto ficam chateados, achando que não iremos. Mas, depois, se surpreendem, com a resposta do Matheus, que é a mesma desde o primeiro churrasco pós-vegetarianismo: "Claro que iremos. A gente vai pela companhia, não pela comida. =]" Aí ele dá aquele seu sorriso que ...

Poesia & Artesanato

  Trabalho de linha (da vida) No fio do barbante ia puxando o tempo, não sabia se ele voltaria. O tempo inexorável, saudoso... Em cada laçada ia sonhando o futuro, nas belas formas da estrela que ia surgindo descortinava-se o porvir. Vinha do fundo da alma, a dorzinha incerta a dorzinha da incerteza "terei eu feito o possível de todo?" Ela já via diante dos olhos, sem perder a conta dos pontos, o destino bom de cada um. Ela estava certa, cresceram bem. Apesar dumas desventuras em que des-filosofados alguns se meteram. Parou um pouco. Acabara um novelo e ela precisava de um bom café. Se interrompeu a linha do trabalho Mas não a linha da vida - ela teve também filhas, que tiveram filhas, que tiveram filhas. Olhou para o fruto de seu trabalho, a bela toalha parecia renda, já via que bela figura ela faria sobre a extensa mesa para 15 a mesa dura, a mesa maciça que seria eterna - e não. Na trama do crochê que herdaria alguma bisneta ela desanovelav...

O Vale da Liberdade - Bruna Longobucco

A Bruna escreveu essa novela, e quando já, desde a primeira vez entrei em seu site   brunalongobucco.com , foi dos seus, o primeiro que me encheu os olhos. Ele reúne tudo que mais gosto num romance. É histórico, se passa na época do Brasil império, combate a escravidão que, tratando do tema abolicionismo, não fala somente quanto a luta de povos cativos num época da lei do unilateral, mas fala da Liberdade da alma de cada personagem, buscando em nós mesmos, leitores, o agora, a pergunta: "somos realmente livres?" A protagonista, Celi, é forte, cheia assim dum espírito livre, como convém ao título da obra, uma verdadeira heroína. As situações são poéticas, as descrições dos cenários são poéticas, e tudo é tão lindo que enche-nos de dó quando o livro acaba. A Bruna me disse que era para ser um conto, que cresceu... E ainda assim nesse crescimento a gente fica querendo mais. Quando entrei no site dela para saber de seu trabalho, mais de um ano atrás, nunca im...

Sobre as publicações..

Google Imagens Havemos de ter esperança! - É o que penso, quando algo não vai muito bem. Tudo ocorre para o bem daqueles que amam e temem ao Senhor, já repete incansável minha mãezinha. *** O texto que postarei hoje não é de minha autoria. É da sensível e amiga escritora, a Bruna Longobucco, a qual tive a honra de prefaciar um romance histórico recentemente, do qual falarei em breve, em outro post. Ando tão triste com uns problemas que venho enfrentando com as minhas publicaçãoes que, mesmo tendo já pensado num desabafo, não tive a coragem, por receio de aborrecer tão amáveis leitores que nunca me deixam só. Sabem, acho permitido a um autor desanimar. Todos somos feitos de carne, osso, sangue e sentimentos... Mas não é permitido desistir, isso nunca. O fim de um sonho é só a morte. Por isso ainda há muito tempo para eu seguir tentando, como já ensinava uma querida professora e diretora que tive. Como mesmo aqueles amigos levaram a cama do paralítico para Jesus curar, enfrent...

Dia da Poesia - 14 de Março

Comecei a gostar de poesia quando li a primeira aos 9 anos. Achei um volume numa estante extensa (para uma menina de 9 anos deslumbrada) que só continha livros de direito empoeirados. Era de capa dura, amarelo nápoles, e seu conteúdo eram os versos mais marcantes que já tive a chance de ler. Poemas dos Becos de Goiás e Histórias Mais - de Cora Coralina Passei a lê-lo repetidas vezes, sem me cansar. Declamava-os para uma amiga querida, a Carol, e ela também passou a gostar e decorá-los. A ponto que decorei alguns poemas, como a Homenagem ao Menor Abandonado "colchões de amargura..." que me tocou profundamente e me fez sentir uma menina "rica". Tanto em relação aos menores abandonados, como em relação a infância da autora, tão pobre de tudo, principalmente, do mais importante, o afeto. Comparava a Aninha com a Aline, pensando no afeto, e me sentia muito rica. E ficava desenjando ter conhecido minha bisavó pessoalmente. Depois li muitos outros poetas, mas nenhum me c...

D. Ruth (Hetele)

A mais doce e inesquecível visita... Fui amiga de mim mesma e estava tão eufórica que não conseguia falar do que me aconteceu, até que a calma me chegou. Falei de Bolo de Cenoura , e meu coração se acalmou. Agora saibam o que foi que me aconteceu. Você já gostou tanto, mas tanto de uma pessoa que sentia uma dor aguda apertar em seu peito porque não podia abraçá-la? Teve um desejo ardente de tocar em seu rosto e conhecer como eram seus trejeitos, suas expressões? Ouvir sua voz e partilhar de uma refeição mui doce com ela? Até mesmo recostar tua cabeça no colo caloroso, sentir as carícias que ela lhe faria nos cabelos, ouvir uma canção antiga solfejar pelo ar silencioso, embalando tua alma e te fazendo feliz, das criaturas todas, a mais feliz, naquele momento? Mas essa pessoa, para tua melancolia desmedida, morreu muito antes de você nascer? Como eu sou esquisita, não tem problema eu confessar que sinto uma saudade sem igual de meus antepassados. E a palavra saudade tem um signif...

Poesia

Ausente São nestas horas frias, horas todas e mortas, São nestas horas silentes em que o vento bate nas janelas com suas rajadas insolentes, se insinua pelas frestas, procura os ossos Morde as carnes das gentes, traz todas as lembranças – boas ou não; Que eu me lembro dela. Uvas Infantes, Aline Negosseki Teixeira, sumo de beterraba sobre papel. Seu sorriso de café e seu jeito meigo de gostar de tudo, de sofrer com tudo. E ter em si os sentidos do mundo. Eu me lembro dela... Nestas horas amargas da distância, Lembro-me com doída constância. Sei que estou perto do seu sangue que é doce, bom, forte e orgulhoso Estou perto de sua humildade incompreensível, mas estou distante... distante... distante... Eu...        estou...                  dolorosamente... distante dela. longe, longe, Ausente de seu aroma gostoso de perfume, e café que provoca essa saudade de im...