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Poesia

Ausente

São nestas horas frias,
horas todas e mortas,
São nestas horas silentes
em que o vento bate nas janelas
com suas rajadas insolentes,
se insinua pelas frestas, procura os ossos
Morde as carnes das gentes,
traz todas as lembranças – boas ou não;
Que eu me lembro dela.
Uvas Infantes, Aline Negosseki Teixeira, sumo de beterraba
sobre papel.
Seu sorriso de café
e seu jeito meigo de gostar de tudo,
de sofrer com tudo.
E ter em si os sentidos do mundo.
Eu me lembro dela...
Nestas horas amargas da distância,
Lembro-me com doída constância.
Sei que estou perto do seu sangue
que é doce, bom, forte e orgulhoso
Estou perto de sua humildade incompreensível,
mas estou distante... distante... distante...
Eu...
       estou...
                 dolorosamente...
distante dela.
longe, longe,
Ausente
de seu aroma gostoso de perfume, e café
que provoca essa saudade de impossível
que corrói, e ofusca as alegrias grandiosas
e as aspirações luminosas
Pura vaidade!
Vaidade! Traiçoeira vaidade!
Tenho o tempo,
O tamanho do fio da vida é generoso,
porém, cruel medida,
que aparta e impede,
que não se mede,
me separa dela.
E quem sabe?
Quem sonda os pensamentos?
Os âmagos, o se vem ou vai?
O porquê disso ou daquilo se,
mesmo nós, nunca chegamos a saber?

Liberta de todas as falácias,
sei que sinto,
e sentirei saudades.

Que coração, bom ou cruel,
se não o que está em tudo,
pode compreender-me?


Aline N. T. - 21h04min

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