Milagre da alergia a lactose - I
Houve um dia
e não há quem saiba dizer qual foi
se não Aquele que o escolheu
em que foi resgatada dos laços da morte.
Talvez fosse no ano de 1987
ou talvez no dia da fundação do mundo,
ou mesmo antes disso.
O dinheiro era escasso
A comida era escassa
tudo tão parco... e o amor, infinito.
Mas seus seios que transformavam
o nada em tudo
haveriam de um dia secar.
No amargo do ruibarbo,
a etapa doce
da lactação findou,
e como entender porque?
nem de vaca, nem de cabra...
haveria de no pequenino estômago ficar,
ainda menos, alimentar.
As sopas, os receios, os desgostos
as incertezas, as opressões...
a intoxicação
a infecção
as vis devoradoras do frágil organismo
bactérias malditas ameaçavam aquela
pequenina, única vida que preenchia
de alegria a vida d’uma mãe mui zelosa.
Pobrezinha, pobrezinha...
Adoeceu... adoeceu...
havia choro e ranger de dentes
e pouco que se fazer.
O dinheiro era pouco,
o dinheiro era pouco.
A saúde pública uma lenda
de se ouvir falar.
Aquela mãe sentiu o anjo da morte
a rondar, a numa tentativa louca
buscar laçar sua filhinha.
Quantos desesperos a tomaram!
Que terríveis aquelas madrugadas!
Sua filhinha amada não chegaria
com seus risos e esplendores
aos dois anos de idade.
O dinheiro era pouco.
Não havia.
Muito chá.
Muito amargo chá.
Mas ela arriscou,
aquela mãe ousou
e havia outro modo?
e internou sua filhinha querida
aos cuidados de um doutor,
numa clínica particular em outra cidade
cidade maior, maiores recursos.
Havia uma avó amorosa
que tanto amava sua neta dengosa
que garantiu o internamento
com a caução, que, vil sociedade!
escrava do vil metal, (cruzeiro ou cruzado?)
exigia-se para a entrada.
Nos cuidados e tratamentos
tanta esperança...
Mas o anjo da morte é mais forte
que a presunção dos homens
O corpo cor de rosa se fez roxo
o corpo suave e delicado inchou e inchou
e tanto cresceu no estufamento da moléstia
que as roupinhas tão meigas – orgulho da jovem mãe
se esgarçaram, arreganharam-se naquele prenúncio funesto
na nefanda promessa da infecção generalizada.
Aquela mãe chorou...
estava cansada, com fome, estava suja
nada mais existia em sua cabeça, em seu coração
se não a esperança de sobrevivência de sua cria.
Aquela mãe chorou...
Sentada naquela cadeira amanhecida
de muitos e muitos dias.
Não havia solução,
sua filhinha, anjo tão puro e doce,
morreria ali na sua frente
sem que nada pudesse fazer?
- Mãe, só te resta rezar – dizia o doutor –
fizemos tudo, tudo ao nosso alcance para seu bebê salvar.
Então aquela mãe orou.
Chorando implorou ao Senhor
que não tirasse de si sua filhinha.
Era tudo o que tinha.
Era o amor, a esperança, o cuidado
e a razão para se viver.
Implorou no seu pranto materno
que ainda mais permitisse que
aquele anjo lhe ficasse aos cuidados,
nesse mundo.
Aquela mãe tinha fé que existe uma força maior
que o anjo da morte.
A fome, as noites em claro
a fraqueza
a deixaram próxima das coisas
de Cima.
Ela sabia que estava sendo ouvida.
E estava.
Jesus naquele dia me curou.
Tenho certeza que minhas lágrimas agora
ao imaginar tais cenas
não são quais as lágrimas de mamãe
no dia em que me assistiu desinchar e voltar a vida,
resgatada da pré-morte.
Fui desinchando... e respirava melhor
a cor da saúde me voltou
e não seria assim não fosse o amor.
De Jesus que me salvou, e de mamãe que me amou.
Com razão, ela teve raiva daquelas roupinhas
lembranças amargas da aflição.
A meia grande, que fora pequena como o pezinho
atirou no lixo e só restava a aflição
do cheque em questão.
Mas o Altíssimo faz a obra completa
quando abençoa não ficam arestas
e o propósito se cumpriu até mesmo
quando quitada a conta,
em face da altivez do doutor
a jovem mãe pensava com alegria
em sua filhinha resgatada,
pelo amor do Salvador
chamado Jesus.
e da grande alegria resta o eco
dos risos todos
dos beijos todos
das aventuras todas
mãe e filha
e também do:
Aline N. T. -- 09h37min
(Aline Negosseki Teixeira, 28.03.2011)
Houve um dia
e não há quem saiba dizer qual foi
se não Aquele que o escolheu
em que foi resgatada dos laços da morte.
| Cinnamomum camphora, popular Cânfora |
ou talvez no dia da fundação do mundo,
ou mesmo antes disso.
O dinheiro era escasso
A comida era escassa
a vitamina pouca,
o carboidrato pouco,tudo tão parco... e o amor, infinito.
Mas seus seios que transformavam
o nada em tudo
haveriam de um dia secar.
No amargo do ruibarbo,
a etapa doce
da lactação findou,
e como entender porque?
nem de vaca, nem de cabra...
haveria de no pequenino estômago ficar,
ainda menos, alimentar.
As sopas, os receios, os desgostos
as incertezas, as opressões...
a intoxicação
a infecção
as vis devoradoras do frágil organismo
bactérias malditas ameaçavam aquela
pequenina, única vida que preenchia
de alegria a vida d’uma mãe mui zelosa.
Pobrezinha, pobrezinha...
Adoeceu... adoeceu...
havia choro e ranger de dentes
e pouco que se fazer.
O dinheiro era pouco,
o dinheiro era pouco.
A saúde pública uma lenda
de se ouvir falar.
Aquela mãe sentiu o anjo da morte
a rondar, a numa tentativa louca
buscar laçar sua filhinha.
Quantos desesperos a tomaram!
Que terríveis aquelas madrugadas!
Sua filhinha amada não chegaria
com seus risos e esplendores
aos dois anos de idade.
O dinheiro era pouco.
Não havia.
Muito chá.
Muito amargo chá.
Mas ela arriscou,
aquela mãe ousou
e havia outro modo?
e internou sua filhinha querida
aos cuidados de um doutor,
numa clínica particular em outra cidade
cidade maior, maiores recursos.
Havia uma avó amorosa
que tanto amava sua neta dengosa
que garantiu o internamento
com a caução, que, vil sociedade!
escrava do vil metal, (cruzeiro ou cruzado?)
exigia-se para a entrada.
Nos cuidados e tratamentos
tanta esperança...
Mas o anjo da morte é mais forte
que a presunção dos homens
O corpo cor de rosa se fez roxo
o corpo suave e delicado inchou e inchou
e tanto cresceu no estufamento da moléstia
que as roupinhas tão meigas – orgulho da jovem mãe
se esgarçaram, arreganharam-se naquele prenúncio funesto
na nefanda promessa da infecção generalizada.
Aquela mãe chorou...
estava cansada, com fome, estava suja
nada mais existia em sua cabeça, em seu coração
se não a esperança de sobrevivência de sua cria.
Aquela mãe chorou...
Sentada naquela cadeira amanhecida
de muitos e muitos dias.
Não havia solução,
sua filhinha, anjo tão puro e doce,
morreria ali na sua frente
sem que nada pudesse fazer?
- Mãe, só te resta rezar – dizia o doutor –
fizemos tudo, tudo ao nosso alcance para seu bebê salvar.
Então aquela mãe orou.
Chorando implorou ao Senhor
que não tirasse de si sua filhinha.
Era tudo o que tinha.
Era o amor, a esperança, o cuidado
e a razão para se viver.
Implorou no seu pranto materno
que ainda mais permitisse que
aquele anjo lhe ficasse aos cuidados,
nesse mundo.
Aquela mãe tinha fé que existe uma força maior
que o anjo da morte.
A fome, as noites em claro
a fraqueza
a deixaram próxima das coisas
de Cima.
Ela sabia que estava sendo ouvida.
E estava.
Jesus naquele dia me curou.
Tenho certeza que minhas lágrimas agora
ao imaginar tais cenas
não são quais as lágrimas de mamãe
no dia em que me assistiu desinchar e voltar a vida,
resgatada da pré-morte.
Fui desinchando... e respirava melhor
a cor da saúde me voltou
e não seria assim não fosse o amor.
De Jesus que me salvou, e de mamãe que me amou.
Com razão, ela teve raiva daquelas roupinhas
lembranças amargas da aflição.
A meia grande, que fora pequena como o pezinho
atirou no lixo e só restava a aflição
do cheque em questão.
Mas o Altíssimo faz a obra completa
quando abençoa não ficam arestas
e o propósito se cumpriu até mesmo
quando quitada a conta,
em face da altivez do doutor
a jovem mãe pensava com alegria
em sua filhinha resgatada,
pelo amor do Salvador
chamado Jesus.
e da grande alegria resta o eco
dos risos todos
dos beijos todos
das aventuras todas
mãe e filha
e também do:
- Bebe chá... bebe chá... bebe chá...doce cânfora amarga!
Aline N. T. -- 09h37min
Aline... o milagre é uma benção divina, você é um milagre, sim. Só de compartilhar esse poema, tão lindo, onde a cada frase sentimos o milagre da vida, é razão para estar viva. É para isso que serve um poema... tanto para quem escreve, quanto para quem lê. Eu senti uma emoção muito grande ao lê-lo, pois sou mãe e avó e já passei por situações difíceis como essa. Obrigada pelo poema. Felicidades e a paz!
ResponderExcluirRita,
ResponderExcluireu quem agradeço sua constante presença... =) e suas palavras sempre tão doces.
as provações, afinal, são uma alegria quando para glorificar.
às vezes eu temo expor, mas já não é mais possível desobecer.
existem coisas inexprímiveis, que só um poema torna possível expressar...
Talvez, por isso Davi gostasse tanto...
bjs
Aline
Verdadeira Ode ao Senhor!
ResponderExcluirQue lindo exemplo Aline, amei demais este poema.
Beijo enorme :*