A Bruna escreveu essa novela, e quando já, desde a primeira vez entrei em seu site brunalongobucco.com, foi dos seus, o primeiro que me encheu os olhos.Ele reúne tudo que mais gosto num romance. É histórico, se passa na época do Brasil império, combate a escravidão que, tratando do tema abolicionismo, não fala somente quanto a luta de povos cativos num época da lei do unilateral, mas fala da Liberdade da alma de cada personagem, buscando em nós mesmos, leitores, o agora, a pergunta: "somos realmente livres?" A protagonista, Celi, é forte, cheia assim dum espírito livre, como convém ao título da obra, uma verdadeira heroína. As situações são poéticas, as descrições dos cenários são poéticas, e tudo é tão lindo que enche-nos de dó quando o livro acaba.
A Bruna me disse que era para ser um conto, que cresceu... E ainda assim nesse crescimento a gente fica querendo mais.
Quando entrei no site dela para saber de seu trabalho, mais de um ano atrás, nunca imaginaria que o prefaciaria, para sua reedição. No caminho até aí, li Sem Destino, o qual viria a criar a capa que aparece na foto abaixo e Além das Nuvens, que li com olhos trincando de contentamento num ônibus e, receosa que a leitura acabasse logo, guardei para ler mais tarde. E minha filhinha, com então 3 para 4 anos, adorou ouvir, em seu admirável momento de silêncio, as fábulas de animais e flores, que falam para corações de todas as idades.
Sem Destino tem a resenha aqui no blog, e é bem o clima de fazenda, aquela coisa que todos sabem que adoro, de interior e amizades profundas com uma boa dose de amor de infância. Desde que li eu já tinha a imagem formada da Helena na cabeça, por isso foi tão natural criar a capa segundo minhas imaginações! Helena, olhos verdes, penetrantes, sobre um fundo aço, bem duro aço como a Helena, dura na queda, tranformada pela paixão e acima de tudo, pelo verdadeiro amor! Como o o aço sob as altas temperaturas!
É uma alegria falar sobre o que gostamos... e eu poderia falar e falar por horas a fio sobre os livros que leio. Aliás, em breve, falarei de um romance que terminei de ler há pouco e... ai... deixem-me guardar tudo para a hora certa se não vou misturar as estações! Minha cabeça está tão cheia de tantas coisas!
Inclusive do deslumbramento de ter há uns dias recebido os volumes que a Bruna me enviou.
Ao invés de uma resenha do livro, fiquem com o prefácio que ela me concedeu escrever e sintam, como eu senti, a vontade de estar de alma presente com Pedro e Celi, em Alto Pilar, interior da Província do Rio de Janeiro, em meados de 1862...1872...
Prefácio
“E não é nos pensamentos que se esboçam os grandes feitos?
Lembro, agora, o dia em que a Bruna entrou em meu blog convidando-me a conhecer seu trabalho e ela nem imaginava que eu já estivera em seu site, encantada com suas inspirações literárias. Não é todos os dias que encontramos almas que comunguem com a nossa e percebemos que amores assim fraternos podem acontecer “à primeira lida” na sinergia das palavras. Principalmente quando nelas morem a poesia e o lirismo.
Foi naquele momento que uma linda amizade literária começou e reflete-se no prefácio do livro que tão doce e bravamente ela escreveu: O Vale da Liberdade, seu primeiro título que quis ler. Não são nos momentos que as grandiosas coisas acontecem?
Amores de infância crivados de ternura e perdão parecem ser a marca da Bruna.
E é bem assim que se inicia a história de Pedro e Celi.
Pedro é a figura idealista que não se acovarda diante da força da maldade que sempre assolou a sociedade e, de tão limpo de coração e desapegado do valor imoral e atroz que ainda faz chorar a quem lê O Navio Negreiro, de Castro Alves, o jovem bacharel chegava mesmo a ser alvo fácil de intrigas e embustes, um filho bom e valoroso, que jamais esperaria tanta injúria como as que, de quem menos esperaria, lhe foram direcionadas.
Celi é uma figura bela que tem um coração feito de luz e uma coragem esplêndida para uma jovem de sua época. Ela não é, em nada, medrosa. Audaciosa e, ainda assim doce, é um contraste ante as sinhazinhas, presumíveis pretendentes como era de se esperar a um jovem herdeiro como o filho do Coronel Inácio, da Fazenda do Pilar. Frívolas, fazem-se de cegas frente o sofrimento sem fim que toda uma raça purgou e não teriam sequer chance de almejar um páreo ao lado da impetuosa, mas muitíssimo pura tecelã, a filha do marceneiro de Alto Pilar.
Desde a sabedoria de Naomi, no lendário Quilombo que não pode faltar às histórias de abolição, pois são memórias demasiadas densas para serem esquecidas ou deixadas de lado pela literatura, até a beleza de uma amizade que evolui para o amor verdadeiro e, por conseguinte, à paixão.
Como não se comover com as descrições poéticas e delicadas da natureza e a força e os esplendores de um Ipê, das montanhas e dos poentes? Como não mergulhar nas sabedorias filosóficas e do espírito que essa sensível escritora não deixa de lado, para com grande emoção chegar ao epílogo desta melodiosa novela. Porque aí, no desfecho, canta-se a liberdade dos cativos que, enfim, mais que a sonhada alforria, ganham dignidade, respeito e amor.
E também aos que se achavam os livres, muito padeceram, mas encontraram a liberdade ao ver cair todas as máscaras e desvendar-se os olhos para a verdade. Porém, nada disso teria qualquer sentido ou valor não fosse a grande dádiva do perdão, mesmo após tanta dor.
O epílogo, depois das aflições, paixão e belezas da narração, foi onde encontrei as orações mais belas, as sentenças mais fortes e densas e me arrepiei quando da surpresa da leitura. Da mesma forma, arrepiei-me ao pensar em como chegava perto do início do fim a dolorosa jornada das gentes que teriam agora uma nova pátria e um grande futuro para construir lado a lado com os demais povos que formaram o país que hoje temos — sim, ainda crivado de injustiças, mas uma nação livre, que diz “não” à discriminação.
“Não há como fugir ao fato de que a existência é como um constante desfilar de causas e efeitos”. E é por causa de um dia ter ido bisbilhotar o espaço etéreo da Bela Tília, que o efeito é hoje estar aqui, feliz por ter lido esta obra e por ter tido a honra de, para ela, tecer minhas impressões, convivendo com a agradável e espantosa sensação de estar sempre olhando para meu espelho literário quando leio a Bruna Longobucco.”
Aline Negosseki Teixeira, 25.09.2010”

Aline N. T. -- 09h50min



Meu deu muita vontade de ler. =)
ResponderExcluirMais do que falar sobre a Literatura e a paixão que representa em nossas vidas, quero agradecer, Aline, agradecer por me incentivar a publicar uma segunda edição de meus dois romances: "O vale da liberdade" e "Sem destino", não só prefaciando um de meus livros, como elaborando uma nova capa para o outro. Obrigada de coração! É uma alegria enorme ser amiga de uma romancista promissora e talentosa como você!
ResponderExcluirTecendo elogios:
ResponderExcluirQuero parabenizar as escritoras Bruna Longobucco, pela sua energia criativa, e Aline Negosseki, pela poesia de seus romances, vocês duas vão longe... Um beijo, amigas, Adriana
Aline, que belo prefácio! Quero ler o livro também!!
ResponderExcluirBeijos
Obrigada a todas ^^
ResponderExcluirFiquei muito feliz com os comentários.
em amizade e literatura é assim, doar-se é somar no coração bens valorosos e eternos!
Quem quiser ler os livros da Bruna entrem no site dela, que está no post, ou no Blog, que está linkado aí do lado -->
bjs
Aline
Estou querendo ler dois livros da Bruna, mas não estou conseguindo contactá-la, Aline.
ResponderExcluirQueria saber se há possibilidade dela me vender este livro e o seu novo lançamento.
Beijos.