Comecei a gostar de poesia quando li a primeira aos 9 anos. Achei um volume numa estante extensa (para uma menina de 9 anos deslumbrada) que só continha livros de direito empoeirados.
Era de capa dura, amarelo nápoles, e seu conteúdo eram os versos mais marcantes que já tive a chance de ler.
Poemas dos Becos de Goiás e Histórias Mais - de Cora Coralina
Passei a lê-lo repetidas vezes, sem me cansar. Declamava-os para uma amiga querida, a Carol, e ela também passou a gostar e decorá-los. A ponto que decorei alguns poemas, como a Homenagem ao Menor Abandonado "colchões de amargura..." que me tocou profundamente e me fez sentir uma menina "rica". Tanto em relação aos menores abandonados, como em relação a infância da autora, tão pobre de tudo, principalmente, do mais importante, o afeto. Comparava a Aninha com a Aline, pensando no afeto, e me sentia muito rica. E ficava desenjando ter conhecido minha bisavó pessoalmente.
Depois li muitos outros poetas, mas nenhum me causou tão graves e belas impressões como Aninha, a começar por seus lindos nomes.
Hoje é o Dia da Poesia, 14 de Março de 2011. Leia AQUI o motivo e lindas palavras sobre isso.
A poesia faz parte de minha vida desde 1995.
É é também num misto inexplicável de sentimentos - alegria e tristeza - que presto homenagens a essas duas mulheres que tanto eu admiro. A Cora, e a Rose.
A Cora é uma avózinha que adotei em segredo para mim. Ninguém sabia, mais imagino que suspeitassem. Mas hoje fica revelado então. A própria Cora nunca soube, mas parece que sempre foi uma avó minha.
A Rose, ah, nem preciso falar qualquer coisa para dizer quem ela é. Basta uma única é pequenina palavra que tem o tamanho do universo. Mãe.
É por isso que reclamo pela tua companhia...
Meu grito é sem eco,
nem eu o ouço,
nem eu respondo meus rogares que morrem no vácuo,
que dirá a Sra, oh mãezinha de minhas lembranças;
acordo ansiosa em ler palavras tuas,
pois saibas,
posto que nem teu timbre posso ganhar
e me atormenta o silêncio
que inda mais me afasta de ti.
Então não te lembras?
Que dores aquelas?
E as lágrimas que te vi derramar
sobre as memórias de tua mãe?
Era dolorido, sei bem, vi e mui bem ouvi,
e, também, já posso imaginar
mas havia a certeza do 'não mais',
a dor em que há certo conformar,
mas... posso eu me conformar?
e que arroubos de esperança passo eu aqui
sem nem uma fumaça ver brotar
da longínqua chaminé que delinea
o horizonte em que te encerras?
Me aborrece, só me aborrece as distrações vãs
em que te vejo mergulhar,
como outrora, como agora,
na dor intensa da saudade d'onde vim
que terra é mais natal que o útero que me gerou?
"Nunca duvides do meu amor" - dizias,
mas quero ouvir o címbalo bater, o címbalo bater, o címbalo bater...
Senhor Jesus, que foi feito de nossa Lata de Alegria com tudo que nela havia?
Germinarão um dia aqueles Girassóis?
te amo como sempre e para sempre
Aline
Eu pretendia outros tipos de verso para homenagear este dia tão especial na vida de uma aspirante a escritora.
Mas a boca (ou, ainda, o teclado) só sabe falar do que o coração está cheio.
Aline N. T. -- 20h20min
Nós Os Poetas de Marte sentimos sua falta nesse dia =]
ResponderExcluirQuerida amiga poeta
ResponderExcluirlinda mensagem para esse lindo dia. Somos poetas: amamos poesia, vivemos poesia, transpiramos poesia, inspiramos poesia, somos poesia.
Querida Aline...
ResponderExcluirSinto um misto de sentimentos que provavelmente assolam sua alma;
Alegria, tristeza, saudade...
Enfim,me emocionei também e achei lindas as tuas palavras.
De aspirante você não tem nada. Está totalmente pronta.
Por falar em poesia, também aprendi a gostar delas bem cedo. Li uma poesia do Carlos Drummond de Andrade, entitulada "Canção Amiga" que me marcou muito.Vai um pedacinho:
"Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças."
Beijos amiga poeta!
Danny, irmãzinha em muitos sentidos, que me conhece bem... um tanto...
ResponderExcluirAdorei ler o que escreveu e vou procurar a poesia que mencionou... A primeira a gente não esquece. E a tua parece linda...
um beijo no seu coração..