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Casa de Pedra e Palavra - Primeira lage.


Eu disse que viria contar desde o início, não disse?
Mas de forma linear é impossível  Embora, vivamos cronologicamente, a vida é um enredo em forma de teia entrelaçada, fatos de agora interconectados com momentos passados.

Como é bom encontrar quem cuide da gente... Sem pretensões!
A força, obstinação e amor do meu esposo são impressionantes. Sei que para muitas esposas seus maridos são assim, mas, para mim, o meu é inigualável, pois ele é a minha estrela.
Ele é a minha estrela...
Tenho visto desde que nos conhecemos sua obstinação para nos dar um futuro melhor e honroso, um futuro digno, de muito cedo até tarde da noite. 
Depois de tanto que já fez por nossa família, tantas coisas que edificou, tenho visto com que alegria e euforia infantil ele construir nossa casa com as próprias mãos, sozinho, como bem narro no meu romance ainda não publicado "Por Falar em Lembranças..."
Hoje é um dia ESPECIAL, pela primeira vez ele recebe a ajuda de outros trabalhadores, pois, sim, faz questão de fazer tudo sozinho e com perfeição. É que ele está concretando a lage!!!! A outra ele até bateu sozinho, mas essa seria impossível.
É um dia único, inesquecível, como muitos outros que ele tem, com a graça e ajuda de nosso Pai Celestial, nos proporcionado.
A betoneira está rugindo, os baldes de concreto sobem e descem, o trabalho é árduo e contínuo, dura horas a fio, e sei que quando acabar, como da outra vez, ele vai estar morto de cansado.
Eu vou, novamente, repor suas energias do modo que ele mais gosta, do modo que ele faz questão e pede com ternura. Como da outra vez, eu vou fazer uma deliciosa massagem; massageá-lo com todo meu amor, porque ele tem muitas dores na coluna não raro e piora quando ele trabalha pesado, farei massagens até que adormeça e se refaça dessa iniciativa corajosa de nos dar um teto seguro e duradouro, fruto de sua mente sagaz, e seus braços laboriosos. Fruto de muitos sacrifícios, como o de nos abster de presentes de datas como aniversários  dia dos namorados, etc etc. há anos e anos e não investir nada de nada, há anos, em seu hobby amado, pois ama carros, e automodelismo e aeromodelismo.
Eu nunca exigi nada disso dele. Já sugeri que fôssemos para a roça, viver com simplicidade, onde eu poderia ter uma criação de ovelhas e uma casinha branca, de varanda e rede para descansar no fim de tarde. Longe de stresses. Com uma oficina para ele trabalhar como gosta. Mas um dia, quando éramos recém casados, eu vi uma casinha de biscuit e comentei que uma como aquela era um sonho perfeito. Era linda. Como saída de um conto antigo, de uma novela francesa do século XIX, literariamente falando. 
Ele me prometeu que um dia faria uma como aquela para mim, sem que eu pedisse, mas que eu aceitei entusiasmadíssima e desde então persegue esse sonho. Parecia impossível, inalcançável  Mas hoje, pouco a pouco, com paciência, se realiza.
Para muitos é algo pueril. Para nós é a realização de um grande sonho.
Tem espaço para eu brincar com as crianças que amamos e sonhamos em ter, a oficina para sua invenções malucas e realizações de utilidades para nós mesmos, um espaço para meu tão sonhado atelier onde poderei pintar, costurar para a casa, pois gosto de fazer todas as coisas de que precisamos, bordar minhas delicadezas, fazer toda a arte que gosto, e melhor que tudo, ESCREVER, ESCREVER, ESCREVER, outro sonho, que aliás, se está realizado devo totalmente a ele. Meu atelier-escritório! *-* Ele mesmo desenhou esse idílico reduto.
É a nossa Casa de Pedra e Palavra, onde esperamos receber seres queridos e amados.
Seres que nos gostem pelo que somos, pelo que temos a oferecer: o ouvido, o olhar, o coração.
Porque embora alguns poucos nos pré-julguem anti-sociais, a verdade é que o Matheus é carismático e onde quer que vai, por sua simpatia, seu rosto fica marcado. Seu nome não é esquecido. Pessoas que o viram uma única vez, quando o reencontram, o chamam pelo nome. Que conversem com ele uma única vez por telefone, e não o esquecem. 
Ele é sorridente, gosta de falar, gosta de saber sobre as pessoas, coisa rara no mundo de hoje, sua risada é franca e desprendida, e sempre tem disposição para isso, 
não importando pressa, não importando se a pessoa tem algo para lhe oferecer. Teme pelo futuro delas, anseia que se deem bem. Eu nunca o vi criar vínculos por interesse, menos ainda mantê-los. Por isso já passamos dificuldades, mas é assim que ele é. E foi muito melhor.Espontâneo ao extremo. Ele não agrada os que não suportam a sinceridade, pois ele é a pessoa mais sincera que já conheci em minha vida. Ele não tem receio de que sua alma seja transparente como o cristal. Ele não finge nada, NADA, para agradar ou para manter amizades. Ele me ensinou que amizades mantidas por meias palavras, meias verdades, não valem a pena. Elas deterioram nossos dias.
Não atura hipocrisia. Não atua. As amizades que não são baseadas no orgulho, na arrogância, permanecem, os que não estão preocupados com aparências, e teatros, têm apreciado nossa amizade. Mesmo que não haja sempre concordância mútua. Mesmo que não sejamos da mesma religião, nível social, não tenhamos TODOS os interesses em comum e etc. Basta alguns, basta estar vivo e se preocupar com o rumo das coisas. Basta ter sentimentos humanos que todos têm e desejo de partilhá-los. Os que entendem que embora sejamos diferentes, "estranhos" como uns gostam de dizer que somos, somos amigáveis, e o senso de amizade, tolerância e busca está dentro de nós desde sempre. 
Alguém aí me aponte um ser "normal", que não seja diferente nem estranho. Em pedagogia já aprendemos logo que a normalidade é relativa, e não existem iguais, mas semelhantes.
Eu sofri muito na infância e na adolescência, os de fora não vão entender, os que me conhecem sim. Meus sofrimentos estavam, principalmente, relacionados ao meu ardente desejo de possuir para convívio uma figura masculina, uma figura que estivesse em minha vida que fosse antes de tudo SINCERA, NUNCA mentisse, fosse leal, verdadeira, uma figura honrada, sem orgulho, mas com dignidade, e sempre com ouvido pronto a ouvir. E fosse comunicativa e paciente. E não tivesse preguiça de explicar.
O Matheus é a resposta de uma fervorosa oração que fiz aos 15 anos, uma noite em que estava tão deprimida, tão terrivelmente deprimida que havia desejado não ter nascido. Achava que a vida não valia a pena. Naquela noite eu escrevi uma carta ao Pai do Céu.
Então ele surgiu, adverso ao que pareceria um "enviado por Deus", mas, fazendo jus ao significado de seu nome, ele realmente foi uma dádiva do Senhor Criador em minha vida. Ele, muitas vezes sem nem saber, me proporcionou modos de perdoar, de tentar de novo, e de novo, de ter esperança e de sonhar com um futuro maravilhoso. De não ter medo de ser sincera com meus sentimentos e pensamentos. Pois é aquela máxima, o que é verdadeiro fica, o que é falso some. O que ama, permanece, o frívolo evapora.
Aprendemos muito juntos, e seguimos aprendendo. Ele é a minha estrela, pois ele ilumina meu caminho, ele é a minha parte racional, e em duas vias que destinam ao mesmo lugar, ele é meu coração.
Eu não poderia existir com essa centralidade que tenho sem ele. Por ele, para viver o que vivi e vivo com ele, eu enfrentaria tudo outro vez - julgamentos, dificuldades financeiras, perseguições, esperas, problemas de saúde que quase nos levaram desse mundo e pela mesma razão quando bebês, viver alhos e os outros dizerem que vivemos bugalhos, eu passaria tudo isso, e muito pior. Atravessaria mares, venceria montanhas, enfrentaria brenhas intransponíveis e apavorantes, e talvez desfalecesse, morresse, pois sou fraca, fraquinha, ele que que é forte e me defende de tudo. Ele me ampara sempre e sempre. Mas eu faria tudo isso se necessário fosse para estar com ele. Eu não hesitaria de tentar. Eu teria muito medo sim, como tive em várias ocasiões. Mas pensaria em seu olhar doce a me incentivar e a força necessária surgiria. Mesmo que tivesse de viver 70 vidas, e cansasse muito, eu faria isso e só quereria a ele, pois ninguém é mais perfeito para mim que ele. Ninguém me compreende mais em todos os sentidos. Ele me defende até de mim mesma quando meu entendimento está nublado. Ele não é perfeito. Eu também não sou. Embora busquemos a perfeição cristã dos relacionamentos (não a que a maioria entende por perfeição cristã), tropeçamos e falhamos e falhamos, como todos. Muitas vezes discutimos, brigamos. Se debate uma luta de vontades. Mas me mostrem o casal que não faz isso! Um casal que não sucumbe a tentação de divergirem e defenderem, cada um, seus pontos de vista? Um casal assim não tem sangue correndo nas veias. Um casal assim não tem graça nem mesmo na literatura. Um casal assim não vive momentos cáusticos de reconciliação e não sabe como é delicioso.
Se exige algo de mim, está há tempos pronto para me dar isso e mais. E nunca exigiu nada além do que fosse justo: lealdade e sinceridade.
Como uma vez disse um amigo nosso e minha irmã, somos um do outro. O nosso mundo é nós dois e isso bastaria. Foi desde o início, segue sendo, e pretende-se que continue. Temos nossas sonhadas Piulinhas que o engrandecem. Mas nós dois somos um para o outro um universo de sentidos, de alegrias, e de aprendizados. Quando elas crescerem e tiverem suas famílias, não ficaremos mudos, perdidos, ou sem assunto. Haverá continuação, e continuação. Nunca hiato. O que nos prende um ao outro não é só a transcendentalidade das ideias, o encantamento mútuo da atração física e do caráter, mas a fé, e o simples prazer de desejar a companhia mútua mesmo que seja para dividir o tédio.
Um história que me emociona, me faz chorar, que se assemelha a nossa é da escritora e ilustradora Beatrix Potter (dramatizada no filme Miss Potter). Ela teve um inesquecível amor, um homem que fez de seus sonhos realidade e a libertou dos laços do passado, dos laços familiares. Mas ela o perdeu bem cedo, e tendo sofrido amargamente, impossível descrever sua dor, anos depois se casou novamente com um amigo da infância. Eu a admiro. Eu a compreendo e não julgo ou condeno. Mas eu nunca poderia ser de outra pessoa. Por tantos motivos... Nem dá para enumerar. Quem vai querer um vaga-lume quando teve uma estrela de grandeza absoluta? Pois ele disse uma vez, faz tempo, que nunca haveria de casar de novo se me perdesse. Não poderia achar nada desse nível, nada comparado. Eu me emocionei e confessei que sentia o mesmo.
Como pessoas podem crer que a morte põe fim em tudo? Que encobre a injustiça e também a perfeição?
Ele tem estado comigo há todos esses anos, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na prosperidade e nas dificuldades. Não são apenas palavras. São ações. Não é apenas fé. Tem obras também. Eu o vi chorar pela Raquel, e o vi dizer que temia que não a víssemos crescer.
Eu o vi sofrer pelo nosso terceiro filhinho ou filhinha que germinou mas não vingou.
Ele cuidou de mim nos meus piores momentos. 
Nas minhas desavenças e dores familiares (que todos têm, mas que muito me abala), no resguardo da Sarah, quando eu tive de trabalhar para sustentar a casa quando esteve desempregado, ele me ajudou muitíssimo; esteve comigo na minha formatura e sempre soube e viu como era importante para mim e como foi batalhado chegar lá, quando eu tive depressão quando minha mãe mudou de país, e fiquei uma mês na cama, quando tive infecção na bexiga, publicou meu primeiro romance, me ajudou a realizar meu sonho de um lançamento andando para cima e para baixo para ver dar certo, no meu pré-natal da Raquel que tive de fazer um mês de repouso, toda a gestação foi um tanto sofrida, quando a Raquel nasceu e estávamos cheios de receios e depositando nossas certezas de redenção nas mãos do Criador, e no começo desse 2013 em que tive uma gestação ectópica, e soube que uma vida havia germinado em mim, sem condições de evoluir. Foi tamanha a dor e ele cuidou de mim. Queria tomar minhas dores físicas, e dividiu comigo as emocionais. Viveu comigo cada um de meus episódios de lembranças ruins ultimamente, como se estivesse lá. Enxugou minhas lágrimas, dia após dia, paciente, indignado, confiante que seu amor seria o bastante para me curar e assim é.
Ele é a minha estrela... O Matheus é a minha dádiva do Criador, ele é a minha estrela... a minha estrela...
E o que eu sou para ele?
Bem , isso só ele poderia dizer.
Quanto a ele, é o nosso herói. Razão pela qual eu respeito e acordo disposta todas as manhãs.

*Se você está aí me julgando, ou alvoroçado por eu falar essas coisas pessoais na internet, então porque vem aqui cuidar da minha vida? Ignore-a e faça a sua como acha certo.
Eu a ofereço para quem tem simpatia e senso de amizade. Sou uma escritora e, apesar de toda crítica e preconceito dos que não entende, tenho orgulho disso. Meu amado me ajudou a conquistar a auto confiança de que precisava. Vai ler Solo de Clarineta, a biografia de Erico Verissimo e talvez entenda o porque da necessidade de um escritor expor (nunca impor!) suas experiências de vida. O caminho que o fez chegar aonde está e explicação dos motivos que o fazem continuamente ter uma grande interrogação dentro de si, uma melancolia ou febre nos dedos, um sorriso na alma quando pensa em vivências, vidas e palavras, uma lágrima por não poder desfazer desagravos, dos quais as letras o libertam.
Naquele tempo não haviam blogs, tenho certeza que os escritores daquele tempo adorariam essa interação fácil, rápida, cheia de recursos, pois adoravam trocar cartas falando de música, artes e experiências pessoais. Muitos nunca se encontraram pessoalmente. Quanto aos detalhes e pequenos segredos, estão reservados para aquelas grossas e velhas agendas, das quais falei aqui em outro texto. Mas aí, depende do estilo do autor. ;)


Aline N. T. -- 14h00min

Comentários

  1. Diante de um texto tão lindo, terno e cheio de amor, não existem mais palavras que eu pudesse acrescentar com um comentário.
    Só me resta desejar que a união e o amor de vocês cresçam a cada dia e que Deus abençoe a sua linda família.

    Abraço beeem apertado! ;*

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    Respostas
    1. Puxa, escrevi e nem corrigi. Agora reli, pois já nem me lembrava do que havia escrito. Fora os errinhos e trechos meio confusos, eu me emocionei com minhas próprias palavras. hehe Olho para tudo isso, e na minha mente vai brilhando cenas de lembranças de cada episódio. Nem parece que fui que vivi tudo isso. Fora que estou 'sensibilizada' por 'aquela' leitura, hehe.

      Obrigada, Ialy, por sua constante presença, e por todo o apoio desde sempre. Por suas palavras confortadoras. Um dia espero poder abraçá-la pessoalmente.

      *upa*
      ;*

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  2. Aline, se você se emocionou ao reler, imagina essa sua "leitora manteiga derretida"????

    Abraços, querida e que essa família linda seja muito abençoada!

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    1. Amém, obriga Lúcia!!!
      E hoje a segunda laje!!! Muito alegria.
      Nem acredito... não demora.. eu serei "A Senhora do sobrado", rs
      mas sem as picuinhas dos Terra-Cambará.

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