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Amamentação

Mary Cassat


Um ato de profundo, intenso, infinito amor.
Um estender da gestação.
Enche-nos de carinho, prazer, contentamento.

O toque macio,
o aroma doce,
a suavidade do contato,
a displicência do estalo,
o olhar de plena confiança que recebemos,
as batidas do coraçãozinho contra nosso corpo,
a certeza do privilégio de sustentar outra vida,
única e exclusivamente, com algo,
cheio de perfeição, que sai de dentro de nós.

Um amor de troca imaculado.

Calor, sensação, perfume.

Cheiro da pele, do leite, do amor.

O momento eterno,
que se repete, e repete, e repete.

A certeza da realização do que é certo,
do que é poderoso,
do que é saudável,
do que prolonga a ligação,
fortalece o afeto, o vínculo;
enche-nos de glória
algo tão singelo
algo que é só nosso,
tão pessoal e singular,
a fé que, sucção pós sucção,
a saúde se multiplicará.

O consolo pelo corte do cordão umbilical,
pelo espanto que o vazio do ventre causou.

A continuação da união
carne e carne
maternal, amor maternal,
após o parto,
repentino parto.

Uma alegria,
vivência inexplicável,
indizível,
inefável.

Eu falo sobre AMAMENTAR.
E não sei compreender quem não quer
de modo, forma alguma, fazê-lo
quando se tem oportunidade.

Dói, sim, a princípio!
Tropeçamos nas pedras
do desconhecido
da abundância
da febre
da inexperiência - nossa e da prole.

Pedras de leite.

Mas quem é firme e forte
cedo ou tarde
recebe a recompensa de assistir
a sorrir, a suspirar,
um anjo adormecer em seu seio
um anjo sorrir em seu seio
um anjo balbuciar ternuras em seu seio
um anjo suspirar em seu seio
um anjo arrotar em seu seio
um anjo acariciar seu seio
um anjo se saciar em seu seio
um anjo te saciar de sentido de viver...
              ...em seu seio.

e toda a candura do mundo se derramar
dos lábios imaculados que acabara de sorver
do seu seio todo o sustento de que necessita!

Aline N. T. -- 01h50min

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