Sou como a lua.
A lua me descreve bem.
Eu sofro, como sofro!
São partos diários.
Depois de algum resplendor,
vejo que isso não é tão especial.
O sol brilha sempre, é pleno,
nunca mingua ou se esquiva.
Sua face ocultada é consequência
das nuvens cinzentas, filhas da ingratidão.
Aí, então,
minguando, desaparecendo,
diminuindo, ocultando-me...
me resguardo na recâmara
misteriosa e imemorial
para então outra vez
ressurgir,
cheia, cheia... cheia
em plenitude!
Para então reviver o processo.
Esse é o meu fado, a minha sina
que terei de aceitar e amargar
até que volte o Legislador
dos astros
e me desfaça
me desintegre
com sua adorável graça
me refaça...
e então o orbitarei
sempre constante,
sem assaltos, nem tormentos
ou essas dores
refulgida para sempre...
Sempre!
sempre plenamente alegre
por causa da sua Sabedoria e Verdade
por causa de seu nome inexprimível
que está acima de todos os nomes.
Sou como a lua,
que um dia desaparecerá...
Mas tenho mais ventura que ela,
pois vou ressurgir restaurada
e contente pelo para sempre
orbitar ao Noivo Eterno.
Aline NT

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