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Pintura Amélia Amamenta Clara

Amélia Amamenta Clara
Acrílica sobre cartão.
Aline Negosseki Teixeira, 2014


Há um tempo pintei essa cena, uma imaginação maternal, um afloramento que considero um dos mais divinos e graciosos para uma mulher.
Clara é tão doce para sua mãezinha. Vejam só, o que mais gosta de fazer é acariciar os lábios dela enquanto mama, enquanto é ninada. Experimenta a textura sedosa dos lábios da mãe enquanto sente seu calor, seu cheiro de lavanda, enquanto sente contra o corpinho todo, como há pouco era mais intensamente no ventre, as batidas do coração da mãe. Mas, melhor que naquele tempo agora Clara contempla dois farois, dois facho de intensa luz que a iluminam, a confortam tanto, tanto... Que a seduzem com sua ternura e denso amor expresso. Os olhos lilases de sua mãe parecem jorrar sobre si como um rio de alegria e carinho infinitos, vivificando-a, acalentando-a, oferecendo-lhe esperança a todo momento. E tamanha paz! Tudo isso Clara sente, mas sem pensar, ela é, na verdade, a plenitude do ser humano. Vive plenamente pelo viver. Não precisa de explicações. Apenas desfruta de tudo que lhe é dado. Sua mãe é-lhe uma dádiva e não imagina que o mesmo o é para ela.
Tocar os lábios da mãe acalma a agitação de Clara, sempre. Seja quando sente medo, dor, passa susto. Ou quando apenas sente essa necessidade inerente do ser humano: amor.
Os lábios de ninguém mais serve.
Os do pai não convém, ou ela teria de enfrentar a aspereza da pele em que a barba sempre quer se fazer presente.
Quendo crescer, sim, aninhada no colo caloroso de seu maior herói na Terra, ela se sentirá confortada e segura acariciando o maxilar rijo e as cicatrizes plantadas no rosto sério que para si não resiste tantas vezes em sorrir.
Mas, enquanto é essa indefesa bebezinha, ela quer somente Amélia, quer sua mãe e ninguém mais e sua boca delicada, suave e tão, tão segura. De onde brota palavras de conforto, canções delicadas que atingem a alma da pequenina fazendo-a recordar de quando vivia no Céu e sofrer menos nesse mundo de tantas incertezas! Ah, o amor de sua mãe é o que a lembra do amor mais sagrado e verdadeiro que existe, o amor do Pai Celestial.
Amélia ama cada momento disso tudo! Escreve em seu diário suas sensações maternais, de uma forma poética! E já sofre, como sofre, pensando em como cresceu Estevão, filho do coração, crescerá Clara, filha do coração, da alma e da carne. Como dói! Amélia sente ganas de parar o tempo e bebê-lo até que se farte. Porém, não é possível. Amélia eleva ao céu uma oração pura, uma oração da mais profunda gratidão, e pede sabedoria para que possa lidar com a filha, esse pequenino ser que está sob sua total responsabilidade, para que possa protegê-la e conduzi-la para que, uma dia, se torne uma pessoa de bem, e que seja feliz. É tudo que Amélia deseja. A felicidade de sua filha que ama mais que a si mesma.
O que acharam?
Pretendo continuar praticando cenas de mães e bebês.

Canção Para Clara
"Musicada para Johannes Brahms - Op.49 No.4 Wiegenlied / Lullaby"

Minha querida,
és princesa... de meus dias...
rosa querida,
rosa linda... abençoada
e
amorosa
és delicada,
cordeirinha
tão charmosa
Minha voz de inocência,
te guardarei,
te cuidarei,
viverei para ti
todo o tempo e para sempre
nunca sairás daqui
*(põe a mão no coração, sobre o seio esquerdo)*
filha amada, graciosa,
filha rara, eu sou grata
por você existir,
do meu respirar,
te amarei
ah, se te amarei
razão de meu viver
te amarei
te amarei
enquanto eu existir!

Com amor, sua mãe,
Amélia.

(Aline Negosseki Teixeira)



Comentários

  1. Lindas do meu coração! <3
    E essa cor de Clara, cópia de Fabrício, me derrete, me enche de palpitações *-*
    Quero muito ver outras cenas assim. Imagina uma de Clara, futura mamãe? #Show
    Parabéns querida, beijinhos :*

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ialy, dinda linda...
      Meu coração se enche de alegrias luminosas e lilases com suas palavras!
      Elas moram de verdade no meu coração e espero que venham as forças para escrever a continuação da Saga!
      Imagino isso é muito mais, rs.
      Obrigada pelo lindo comentário... é sempre um raio luminoso (e lilás! *-*) para me incentivar!

      :***

      Excluir
  2. O que achamos? Queremos mais!
    Não que você precise "praticar", mas porque as suas criações, tanto as palavras quanto as imagens nos fazem tão bem!
    Continue assim, querida Aline. beijos

    ResponderExcluir

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