Nos anos que se passaram fiz discursos sobre o 'ser professor'.
Eu não creio em ensinador, mas em mediador. O conhecimento não se transfere, se propõe.
O que é decorado, se esquece. O que é apreendido por causa do contexto, do valor da situação-problema, fica na mente para sempre.
Eu não creio em títulos e hierarquias que diminuem e afastam seres humanos. Eu creio em AMIZADE.
Não creio em competição, mas em conexão. Fico chocada que para tudo nesse mundo haja concursos, rankings, classificações. Capacidade e inteligência não se mede, não se quantifica, não se qualifica.
Para cada realidade existe uma necessidade.
Eu admiro e respeito tudo que os professores enquanto profissionais passam, muitas vezes movidos pelo sacerdócio, outras pela necessidade...
Mas, hoje, eu tenho uma outra visão... Há muitos 'professores' nesse mundo que nunca pisaram numa sala de aula, nem para ensinar, nem para aprender e tocaram profundamente meu coração com a grande sabedoria que possuem.
Como disse meu querido Rubem Alves... o professor deveria causar espantos! Dar alegria! E tudo que eu vejo desde meus tempos de aluna, pior, quando fui uma estagiária, é profissionais com talhadeiras em riste para transformar preciosas obras primas da natureza em pedras frias, cinzentas, interessadas unicamente em alcançar um lugar (de destaque, se possível) na pirâmide social.
Pirâmides?... Tão opressoras... As cirandas mais me atraem...
Eu articulei meus planos infantis desde lá por 1994, 1995, decidi mesmo contra tudo que se opunha pela área da Educação. Aos 16 anos eu sonhava fundar uma escola na qual, eu dizia, não haveria grade curricular, o conhecimento seria oferecido por atividades práticas e artes e educação física teriam maior destaque que exatas, pois na infância o sonho é tão natural que o tempo se encarrega de trazer ocasião e desejo pelas complicações do conhecimento.
Eu sequer sonhava que existissem maravilhas como Escola da Ponte... eu entrei no curso, estudei a teoria, li os filósofos, descobri a transdisciplinaridade que possui seus infindos pontos positivos mas, afinal, descobri que tudo pode (e assim que deve ser!!!) ser ainda mais simples.
Eu descobri a Pedagogia do Amor... Infelizmente, como fere o meu coração , na sociedade que ergueram para nós, ela não é possível a todos... Porém, se todos realmente compreendessem tantas coisas das quais ocuparia laudas e mais laudas para eu dissertar, o mundo todo poderia ser mais sensível, mais saudável, mais feliz, mais justo.
Sim, tudo começa na educação... e ela não começa com o recrutamento compulsório que fazem aos 6 anos! Começa dentro do ventre, na passagem do canal de parto, no olhar da mãe que lhe dá o peito, no solfejar das canções de amor, no exemplo visto desde a mais tenra idade no dia a dia do lar.
E eu sinto saudade de uma professora que tive, tão idealista, que me falou muito sem dizer uma só palavra. Seu nome era Adriana e era nissei... Ela se revoltou com a qualidade do material oferecido pelo governo os alunos (Mec/Fae) capa do Mico, lembram? Linhas desaparecidas, lápis que não escreviam, e do seu próprio bolso comprou material de qualidade, encapou e nomeou tudo, para todos os alunos que não tinham condição!!!! =') Eu tinha 9 anos quando vi isso e jamais me esqueci.
Como disse a Malala, um livro, uma professora, podem, sim, mudar o mundo. Mas, só tem que livro precisa ter verdade, justiça e sabedoria, quando abro os livros didáticos tenho vontade de chorar, e a professora, precisa ser mais que uma profissional que está ali pelo dinheiro para SOBRE-VIVER... Ela não fará nada de mais no indivíduo se suplantar todo seu potencial cognitivo, se não lhe despertar o senso investigativo, o amor à pesquisa e ao questionamento. É preciso AMOR, é preciso ideal... Ou o mundo continuará sendo essa massa piramidal mercenária que conhecemos, a qual a maioria sequer percebe que faz parte e por esse sistema até mesmo morreria ou mataria.
E sabem do que mais? Do que eu descobri? Todo mundo tem um pouco de professor... Todo mundo que eu conheço me ensinou muitas coisas. Principalmente a minha mãe... a melhor professora que eu conheci! Ela, sem saber, me mostrou pela primeira vez a Pedagogia de Projetos. Sem nunca ter lido uma teoria, ou frequentado o ensino superior, já conhecia o 'Homeschooling', nova febre entre os americanos, método mais antigo que andar para frente, o mais eficaz que conheci.
Sabem, eu tenho um plano. Para alguns eu já contei. Por enquanto estou gestando-o. Uma hora há de nascer. Se me abençoar o Senhor e for de sua vontade, uma hora dessas acontecerá. Meu plano é antigo, é um sonho muito lindo. E nem todos os livros da Terra poderiam conter o tamanho do sentimento que ele evoca no meu coração!
Na imagem: Patativa do Assaré.

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