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Infância Graciosa

Uma infância graciosa tem o dom de durar para sempre...

Amélia Aos 7 Anos - Petrópolis - RJ, 1854
Por Aline Negosseki Teixeira, 2013
Técnica: Óleo Sobre Tela - Espatulado - 30x40

Essa é Amélia, quando tinha sete anos de idade... como diria a minha mãe, a idade do anjo. É nessa idade, mais ou menos, que o indivíduo começa a alargar o entendimento, questionar e abraçar com o coração os valores que se lhe apresenta. Daí até a fase a adulta ele termina de construir a própria personalidade.
Amélia nasceu num lar de riqueza, conforto e, aparentemente, muito amor. Mas, ao seu redor havia a hipocrisia social, a cultura das aparências, intrigas, falsidade, a escravidão (instituída pela lei dos homens e da igreja tradicional) de pessoas e animais não humanos.
No entanto, ela, mesmo no seu contexto familiar, educacional, religioso, sentia, sabia sem suspeitar com palavras que havia uma grande injustiça no mundo, havia algo de errado e, na puerilidade de sua ingenuidade, tímida e em mesmo tento audaciosa,  julgava isso ou aquilo o 'erro social'
Certa da soberania da 'livre escolha', foi apanhanda pela predestinação e teve o corpo, a alma, o espírito revolvidos pela crueza da dor, da injustiça, da mentira e do medo. Mas, dentro disso tudo, encontrou a verdade, da maneira que menos esperaria.
E foi entre tribulação, ruído e espada que encontrou a paz. Não é peculiar?
Ela nunca sonhava até que ponto pode chegar a mesquinharia que engana, sobrepuja e persegue os filhos dos homens... E não sonhava o motivo central que os leva todos a praticá-los e esconderem a verdade.
Contudo, com todo o sofrimento, desilusões, espinhos em sua carne, ela não perdeu sua força. Ao contrário! Nas figuras do pai, e do afortunado Estevão, ela reconstruiu seu ser que poucos poderiam compreender, mas quem mais importava saberia receber e reter.
A riqueza dos reinos da Terra, dos templos de ouro, dos chefes dos palácios do mundo não ergueram-se para impedir tamanhas injustiças que ela viu e que ela levantou a força e o coração para remediar.
E não há melhor e mais milagroso remédio que o amor.

Estevão, a mais querida das crianças, veio a ser próprio filho. E esse amor maternal àquela criança, que aparentemente poderia impedi-la de viver seu amor atemporal pelo homem que a Eternidade lhe predestinou, foi tão grande, que colocou sua plena felicidade em risco.

Apenas um coração de carne, não de pedra, se comoveria e arriscaria tudo por amor de uma criança inocente, com a qual, legalmente, não haveria qualquer obrigação.
Amélia aprendeu com seu Mestre, que dissera, "deixai vir a mim as criancinhas, pois dela é o Reino dos Céus", que caso não se tornasse como uma delas, seria impossível participar do reino da Plena Justiça. E depois dos vícios que a sociedade lhe impusera, como era difícil ser como elas!
E tudo se descomplicou quando ela realizou o seu mais lindo sonho. Uma riqueza imensurável, uma filha de sua carne, Clara, a continuação da mensagem que se propaga pelo mundo desde que nele o homem entrou, e mais: uma casa cheia de crianças com Fabrício, o homem eleito e a mãe Tenória, com que o Amor, afeto natural e espontâneo, lhe presenteou.

Se Amélia tivesse vivido até hoje, tempo em que há datas para comemorar todas as coisas, se lembraria de escrever em seu diário:
"...e hoje é mais um dia em que o senhores desse mundo ganham em cima dos fracos desse mundo. Um dia em que, iludidos pelas ostentações e pequeninas glórias perecíveis, os homens favorecem ao consumo que sustenta escravidão e muito sofrimento de seres inocentes, inclusive crianças, além da veloz degradação do meio natural, que é vivo e sofre como todos nós.
Que não haveria de ser um ser mitólogico ou enganador a proteger esses vulneráveis da tirania. Mas, o próprio ser humano, arrependido de seus atos injustos, praticando ações de amor, para livrá-los de tudo que sofrem. Sim, na verdadeira 'emunah'. No contexto original nas escrituras sagradas, fé e obras jamais se separam!

Ou ela não escreveria nada disso? Estaria cansada das parábolas serem vãs aos olhos dos que escolhem a cegueira? Talvez ela apenas ansiasse que dia da infância fosse todo dia, desejando ardentemente o reinado do Messias, único que ela encontrou na Terra capacitado a governar essa imensa aldeia com infinito potencial para amar, e perversa e inexplicável escolha por fazer sofrer.

Com toda a certeza seguiria com o coração cheio de esperança, confiança na justiça num porvir certo e determinado. Em seu caminho, sim, esperando por isso, amando a isso com todo seu ser. Esse caminho, estreito e apertado, pelo qual poucos escolhem entrar.


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