Parei tudo que estava fazendo apenas para dividir uns pensamentos...
Depois de tanto tempo sem vir no blog, em que tantas coisas aconteceram, tantas mesmo que nem sabia por onde começar, essa postagem é para falar de um lugar muito especial que frequento sempre, mas que por estar com o carro em manutenção não tenho podido ir.
Que saudade!
Se as pessoas soubessem como é maravilhoso ir ao Ceasa, as famílias fariam passeios lá ao menos uma vez por mês. Levariam cestinhas de vime para os filhos recolherem as laranjas e mandiocas que caem das caixas que os carregadores musculosos levam de um lado ao outro. Sendo a fartura em nosso país tanta, não há tempo ou necessidade de recolherem esses excessos que seriam bem vindos doados a quem precisa, a quem não tem meios de chegar lá, em sopas da solidariedade.
Adoramos ir ao Ceasa não apenas pelo preço camaradíssimo...
Enquanto nos mercados o kilo da banana sai a quase 3 reais, lá chegamos a comprar por 60 centavos... Enquanto o coco verde sai a 6, 7 reais cada no mercado, lá achamos até por 1 real cada, até por menos! Tudo da mais perfeita qualidade. Aliás, é ali a fonte do mercados!
É muito bom ir lá porque as pessoas que atendem, apesar do trabalho puxado, sempre têm um sorriso no rosto, uma conversa para trocar, dicas a dar, a pedir... Você pode pechinchar.
É triste pensar que no Brasil produtores jogam a produção na estrada que corta suas propriedades rurais, porque tantas vezes o que se paga pelo que cultivaram não vale o combustível de tirar a colheita do campo... Mas, no mercado o valor não varia. Não é curioso? Não importa que a uva esteja valendo menos de 1 real o quilo para o produtor, no mercado invariavelmente ela sairá a 8, 9, 10 reais.
Isso é triste. Não compreendo como problemas assim poderiam ser resolvidos, mas creiam que poderiam ser, e penso neles com pesar.
A saúde está ali, as delícias, a saciedade, a amizade, o carisma, a disposição de quem puder ir. Graças a Deus temos um povo que se comove, que se encanta, que faz o possível para arranjar alguma coisa necessária para alguém que precisa se curar. Sejam cenouras ou drágeas. :') Tão melhor que fossem sempre cenouras! Sem efeitos colaterais, barato, sustenta gente simples e amistosa, gente que se comove...
Quem dera fosse tudo orgânico. Sem venenos, pesticidas, fertilizantes com compostos duvidosos, sem modificações genéticas que são feitas sem pesquisas longas e sérias que comprovem que aquilo não fará mal, não trará sérias doenças a curto e/ou longo prazo.
Quem dera cada praça, de cada bairro, em cada cidade fosse um lindo Ceasa a céu aberto. O povo iria ali, conversar, trocar dicas e ideias, comprar/trocar alimentos e viver sempre com saúde aproveitando o bem da vida com os que ama. Quem dera as pessoas acordassem para as consequências geradas de comer somente processados ou produtos advindos de imenso e doloroso sofrimento de animais.
O homem do campo, digo o agricultor, fosse estimado, admirado, louvado, amigo de verdade do homem da cidade. Seu 'status' fosse o de um médico, pois na verdade sem ele ninguém vive. Sem aquele que planta, cultiva e colhe, ninguém se alimenta. Ninguém se nutre.
Sem ele nada de sais minerais, enzimas (que o cozimento destrói), vitaminas...
Sem ele nada de feijoada com couve fritinha com alho e cebola. Saladinha de tomate, não teríamos. Nem alface de todo dia. Sem suco de laranja, sem mimosa, abacate, morangos. Sem azeite, sem os deliciosos temperos como o orégano, o endro e o cardamomo, sem nosso conhecido cheiro verde, o coentro, que transformam o que é gostoso em pura delícia.
Quem dera o agricultor fosse à escola de agricultores. Lá, um laboratório prático e vivo, aprenderia como plantar respeitando as particularidades de sua região, a fauna presente, as espécies vegetais nativas. Como tirar do solo um alimento rico em minerais da forma mais natural e simples possível, sem venenos que adoeçam a ele, sua família, os animais, o solo e a água, como o homem que, cá na cidade, vai consumir o produto. Aprender a vivi-plantar, numa manejo consciente, sustentável e, o melhor, com água pura que brota do seio da terra.
Quem dera as pessoas, comendo menos processados, o descartando-os de vez da alimentação, o que é o ideal, não teria tantas doenças no rins, fígados, sistemas digestivo, intestinos. Tumores e distúrbios glandulares. Nessa proposta original da vida natural e simples, muito simples, seriam mais bem humoradas, teriam mais tempo para preparar pratos lindos e saborosos a base de frutas, legumes, folhagens, grãos e outras sementes, junto daqueles que amam.
Gastariam horas assim. Convivendo, conversando, preparando, se alimentando. Alimentado o corpo e a alma.
E, porque não, rejuvenescendo.
Rejuvenescendo não para a vaidade, com agulhas e drogas, com produtos carregados de sofrimento de animais indefesos, mas rejuvenescendo para a vida e o convívio familiar e dos amigos com as delícias que o reino vegetal, os agricultores e o Ceasa nos oferecem por um valor tão baixo. Nessas horas todas vivendo melhor. Horas que economizaram de salas de espera de consultórios, em filas de banco e oficinas mecânicas.
Gastando muito menos com alimentação e com a saúde.
Se alimentar saudável, sem inventar malabarismos insanos da nova moda "alimentação saudável", carregada de apelos e armadilhas propagandísticas, é muito mais barato que qualquer alimentação comum.
Mas, eu sou apenas uma sonhadora...
E não vou deixar de sê-lo, sonhando que todo mundo poderia ter 3 horas de horário de almoço e seria uma cultura bem firmada se encontrar com os amados para prepararem refeições coloridas, saborosas, nutritivas, vivificadoras.
Afinal, qual é o motivo principal pelo qual se trabalha?
Um abç,
Aline


Linda reflexão, Aline! <3
ResponderExcluirAdorei o seu texto Aline! *-*
ResponderExcluirSomos mesmo duas sonhadoras nesse vasto mundo, e para quem sonha nada é impossível. Sigamos acreditando. o/
Eu entendo que às vezes, o desânimo bate com força e a nossa frente parece que tudo está mesmo naufragando.
Mas, lá no fundo, sempre germinando, por mais que pisem, está a nossa esperança de dias melhores.
Um abraço bem apertado da Dinda :*