Feliz da vida que vou fugindo do inverno gelado, nublado, úmido e talvez até nevado do meu amado Planalto Curitibano. Minha terra linda, poética e cheirosa. Onde habitam seres e gente tão querida. Desculpem, acho romântico e lindo esteticamente o inverno, mas prefiro climas amenos. 25 graus no máximo, 18 no mínimo.
Mas, muito pesarosa pela partida de um lugar em que fui tão, TÃO feliz. Onde experimentei boas vibrações, aprendi muito e escrevi 11 livros. Amando a casa, amando a memória familiar que ela carrega, amando tudo que ouvia e confirmei ser verdade, amando tudo que aprendi, amando aqueles que mesmo sem perceber me ensinaram tanto, amando quem fez disso tudo possível... Amando ter aqui me tornado mãe outra vez, experimentando a dádiva de conhecer o que é ter o coração multiplicado, no mistério de seguir com o mesmo tamanho físico... Amando meu bom e eterno PAI, que me cariciosamente guiou e cuidou em cada passo, em cada manhã de sol, ou vale de sombras da morte, me salvando, me alimentando, me libertando... Amando cada desventura que aqui passei, pois com elas adquiri experiência e um pouquinho mais de sabedoria. Tenho vontade de chorar. Não de tristeza ou alegria. Pois carregando os dois, não sou escrava de nenhum. Tenho vontade de chorar de melancolia, saudade antecipada de tudo e de todos, amor e gratidão. A felicidade, ao menos para mim, é um misto disso tudo. Olho tudo, penso em tudo sobre esse Paraná de histórias e vivências e meu coração dói demais... Parece mesmo que vivi minha vida toda aqui onde nasci, onde por toda minha vida sonhei regressar, de onde suspeito nunca dever ter saído, não parece que foram apenas 8 anos...
Tenho a certeza que a felicidade não é um lugar! Um clima, um bem material. Ser feliz é ter uma família e viver alegrias e consolos com ela, são as coisas ternas e cotidianas que se divide com ela no lar, que pode ser em qualquer lugar. Eu vou para um lugar, e depois quem sabe, em que tenho certeza do contentamento porque aqueles quem eu mais amo estarão comigo. Fazemos tantos planos, mas é o Senhor do Destino, o Grande Escritor, o Arquiteto Supremo, o Eterno, que foi, que é e sempre será que determina em nossa pretensa e nublada perspectiva de livre-arbítrio que nos guia.
Cansada. Minhas pernas, como as sinto! rsrs Mudança cansa muito e arrumar mudança é MUITO chato. A mudança não deveria cansar. É a lei natural da vida, do mundo e de todas as existências, sejam inanimadas ou "vivas". É a lei de tudo que é físico e tudo que é quântico.
Mas, hoje mudanças se tornaram cansativas, e eu já sei porque...
Sabem qual é a única coisa que absolutamente não muda jamais? O Amor do Eterno... ele é bom e sua misericórdia dura para todo sempre. Quanto mais eu vivo, quanto mais me coloco em suas mãos com todo meu coração, meu intelecto, minha alma e meu corpo, mais eu experimento isso. Ele verdadeiramente é BOM e MISERICORDIOSO, apesar de tudo que nos tornamos.
Mudanças dão trabalho!
E com cada coisa que vou vivendo, vou compreendendo e internalizando quanto mais, quanto! que ter coisas dá trabalho, faz infeliz e cansa. Não as possuímos; somos possuídos por elas. Por elas deixamos de viver e ser tudo que mais gostamos e, não raro, acabamos iludidos, crendo que gostamos disso ou daquilo e, afinal, estamos apenas matando o tédio, a tristeza e o vazio com superficialidades.
Desapegar não é fácil...
Dá trabalho, dói, é difícil de verdade desapegar pois estamos condicionados desde sempre a ter, ter e TER que quando tentamos deixar de ter para "apenas" SER até espantamos os demais. Faz parte. Desde que o mundo foi feito mundo.
Eu desapego de coisas, as quais não raro tenho pena disso ou daquilo de passar para frente, mas logo esqueço-as e não me lembro mais. De muitas já até posso afirmar que aprendi a me desfazer sem ter nenhum sentimento de pesar. Coisas são fáceis de esquecer, pois o ser humano não foi feito para ter coisas. Foi feito para desFRUTAR desse mundo lindo, grande, único, sem porteeeeira... (embora por nossas ignorâncias acabamos por encher de porteiras!)
Porém, eu nunca desapegarei dos lugares de vivi, das pessoas que vivi, dos animais que vivi, das lembranças que vivi... Esses, sim, escrevem em mim o que sou. São o meu coração fora de mim.
A felicidade é uma mexerica, descascada com que amamos, que alimenta o corpo e engrandece a alma, no absorver do carinho, da ternura e da sinceridade... A felicidade é estar com quem se ama e fazer feliz quem mais amamos, sempre aprendendo e crescendo juntos.
Minha atual mudança não é nada se comparada com quantas e que tamanhas eu vivi nos últimos 6 anos que morei nessa terra maravilhosa.
Num verdadeiro 'parto', daqui eu parto... Mas, quem sabe se não voltarei já, já?...
— Num verdadeiro 'parto', daqui eu parto... Mas, quem sabe se não voltarei já, já?...

Emocionada, melancólica...um pouco triste... partidas me deixam assim!
ResponderExcluirÉ um pouco de medo da mudança, despedida de algo bom!
Mas logo vem a esperança nos animar, na certeza de tudo de bom que nos aguarda, das pessoas, lugares e conhecimentos novos que teremos.
Boa partida e boa, melhor ainda chegada, Aline.
Beijos,
Lúcia