Depois de tantos enganos, tanta dor, tanta busca e questionamentos, você resolve experimentar o inimaginável. Você caminha por uma senda florida, perfumada, segura, limpa, pura, justa... ergue seus olhos e vê o firmamento azul a encobrir um cenário paradisíaco onde mesmo em meio a grandes lutas a ciência da verdade das coisas não diminui sua coragem e entusiasmo em nada. Nesse caminho que se permitiu trilhar todas suas ações convergem para alegria serena, a harmonia e aceitação de que a paz só existe por causa da riqueza da simplicidade e do afeto.
Então um dia, só por uma hora, quem sabe por um momento, em um pensamento, talvez, você visita seu velho eu, na sua velha morada, com seus velhos hábitos, aquele que, de fato, não era você, mas um espectro, uma casca, um holograma que era e agia 'educado' e talhado por uma rede, um sistema artificial e imposto por vãs tradições, arraigado profundamente durante eras de falta de sabedoria e você não se reconhece... Não se reconhece...
E se sente grato por ter se permitido rasgar os olhos... Por ter se permitido desintoxicar de milênios de mentiras, despertar do profundo sono escuro. Ouvir o vento, ouvir o sopro... Olhar e ver que o mar poderá estar contido na concha da mão e, no entanto, não deixar de ser o pleno e imenso mar.
Que no seu pequeno e ínfimo coração, apesar da inclinação de realizar coisas horríveis, que muito poucos reconhecem a extensão das conseqüências, o Espírito da Verdade e da Compaixão, pode habitar.

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