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A Escravidão da Gratidão

É raro quem faça o bem.
Há os que fazem o bem, só olhando a quem.
Mais raro ainda é quem o faça sem esperar o famoso nada em troca.
Supõe-se que, se fazemos algo por genuíno amor - o amor como descrito no livro das Sagradas Escrituras, aos Coríntios, o amor de Deus que tantos gostam de professar - não deveríamos mesmo esperar nada em troca além da ciência de saber que aquele que amamos está em paz, em perfeita harmonia, feliz. Essa seria nossa recompensa, não? O bem estar daquele para o qual fizemos o bem.
Ou deveríamos esperar e exigir a gratidão? Reconhecimento?
E como essa gratidão seria demonstrada? Com sacrifícios?
Não deveria ser algo natural, espontâneo como qualquer sentimento?
Sentimentos não podem ser exigidos pois, de outra maneira não serão sinceros, espontâneos.
Como temos o descaramento de exigir gratidão?
Em troca daquilo que demos, muitas vezes até mesmo sem que nos pedissem, não apenas aceitamos, como queremos ver o outro sofrer para nos retribuir. Queremos ser cultuados pelo bem que fizemos, sem o qual hoje a pessoa estaria na pior! Como se não houvesse no universo outro caminho/canal para o bem chegar a alguém se não nós mesmos!



Isso não é amor. Ou talvez seja... Um exagerado amor... próprio.

E essa gratidão viria como?
Massagens e louvores ao nosso ego?
Favores? Tortura psicológica?
Escravidão?



É importante fazer o bem.
Porém, não é menos importante que isso uma auto-indagação antes de cada gesto de "caridade" que nos empenhamos: "O que espero receber em troca disso? O bem estar de tal pessoa ou sua gratidão?"


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