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25 de Julho - Dia do Escritor


Cora Coralina cumpriu sua missão e divulgou valores que acreditava.

"Desde que, adulto, comecei a escrever romances, tem-me animado até hoje a idéia de que o menos que o escritor pode fazer, numa época de atrocidades e injustiças como a nossa, é acender a sua lâmpada, fazer luz sobre a realidade de seu mundo, evitando que sobre ele caia a escuridão, propícia aos ladrões, aos assassinos e aos tiranos. Sim, segurar a lâmpada, a despeito da náusea e do horror. Se não tivermos uma lâmpada elétrica, acendamos o nosso toco de vela ou, em último caso, risquemos fósforos repetidamente, como um sinal de que não desertamos nosso posto."

Erico Verissimo

Enquanto houver um único fósforo, acenderei.
Desde que o mundo é mundo atrocidades e injustiças tem ocorrido.
O maior escritor de todos os tempos escreveu com sangue num madeiro sua mensagem de amor por todos os seres humanos que, de tão cruéis, mereceriam não esse amorosíssimo perdão, mas desaparecer para todo o sempre da existência no universo.
Omissos, mentirosos, gulosos, gananciosos, avarentos, invejosos, tiranos, usam seu maior atributo, umas das primícias da criação, a inteligência, para criar todo tipo de ferramenta e coisa para causar dor e opressão naqueles mais indefesos e, mesmo quando ignorantes de todas essas coisas e são expostos a verdade e aos fatos que estão acontecendo agora mesmo, costuram os olhos, ou utilizam essa mesma inteligência que consideram superior para buscar subterfúgios e argumentos mesquinhos para se manterem na zona de conforto.
Será que a tecnologia tem tanta vantagem assim como nos vendem?
Entendi depois de algumas dores porque o Erico abominou sua decisão de por o Vasco e a Clarissa em fuga,  naquele retiramento idílico, e considerou Saga seu pior livro. Se os que se justos se omitem, se escondem quem dirá uma qualquer coisa por aqueles que não têm voz? Ainda assim, cada um de seus livros nunca deixará de me parecer um manifesto  contra a injustiça perpetuante e cruel.
É! A mim também... Também preocupa não o gritos dos violentos, mas o silêncio dos justos.

Aqueles que continuarão inertes estejam certos, para além do que não veem, e se esforçam por não ver, a tendência é só piorar. Nunca esteve bom e nem ficará. A crueldade se multiplica e leis sobres leis são e serão criadas para justificar a matança, a tortura e a crueldade dos seres indefesos e, quando não isso, sua escravidão. As roupagens mudam, os valores diabólicos continuam.

ESCRITORES, acendam lâmpadas e fósforos, atentem para a verdade e esqueçam o estrelismo. Escrever de verdade é sofrimento, ser escritor não é para holofotes, ser escritor não é para ficar rico. Ou queremos ser apenas mais uma versão "eurditizada" para dar corda no circo do sistema? Vocês são (ou deveriam ser) a luz do mundo e desde tempos imemoriais têm revolvido ideias, sociedades, injustiças, mostrando verdades ou disseminando mentiras.

Ao invés de comemorar, no dia de hoje repensem... Qual a verdadeira função do escritor? Divertir? Talvez. Mas, no momento, o que precisamos mais? Diversão? Ou justiça? 

Hoje não é um dia para comemorar. Dia das mães, dia das crianças, natal, e seja lá mais o quê... Como alguém consegue comemorar algo em um mundo no qual vivemos? :'( Estou cansada da hipocrisia social.
Peço que perdoem meu presente estado depressivo, mas depois do revolvimento do novo aprendizado a acomodação se inicia. Ele é reorganizado. E seja nesse, ou naquele estado de sentimento, estarei sempre a acender fósforos... Ainda que os grandes ventos conspirem para apagá-los eu sei e sinto que existe uma força ainda mais poderosa que em contrário, pode atiçá-lo, pois é isso que o acontece com uma grande amor.

Desculpe se hoje não dou parabéns a ninguém e muito menos para mim mesma. Hoje eu peço. Peço não, imploro. Busquem a verdade sobre todas as coisas, leiam autores comprometidos com a compaixão, a justiça e a verdade, saibam que o dia de vocês, o nosso dia, não é hoje, mas todos, de instruir, mediar o conhecimento, inspirar e disseminar a única revolução pela qual vale a pena lutar, o amor, escrever...  e acendam fósforos, acendam fósforos, acendam fósforos. 



Até mais,
Aline

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