Olhem bem para essas imagens ao fim do texto.
Estou postando-as antecipadamente, pois, assim será mais fácil para eu explicar, ao menos em parte, tudo que sinto necessidade.
Elas representam um marco em minha vida, um divisor de águas.
Porém, além delas, há outras imagens, histórias e fatos muito mais importantes.
Esse post é só para eu afirmar o que, no momento, faz sentido completo em minha vida.
Não posso pertencer a uma igreja, 'igreja' no sentido comum da acepção, dessas com nome, templo, estatuto, doutrina, dogmas.
Se eu obedecer um conjunto de dogmas estrito e fechado, encerrado no que se assemelha a um clube, quando eu abrir a boca ou deitar os dedos no teclado a escrever sobre minha fé, já não mais estarei defendendo o que creio no sentido infinito. Ainda que não queira, e de fato não o esteja, para os demais, estarei defendendo uma doutrina.
Sempre olharão minhas palavras julgando-as pelo grupo que pertenço, pelo templo que frequento e, o que é pior, classificando-me pelas atitudes de algumas pessoas (as vezes maioria, as vezes minoria) destacadas pelo diz que me diz.
Eu pertenço a um Senhor e a minha concepção desse Senhor e tudo que envolve esse pertencer talvez leve toda minha vida para ser explicada e tenho certeza absoluta que é impossível fazê-lo com palavras, sejam ditas ou escritas. Nenhuma pessoa se não eu e esse Senhor pode compreender essa malha de fatos e verdades entrelaçadas. E ELE muito mais que eu.
Ele não é uma pessoa que se ache aqui ou ali. Embora possa ter manifestado dessa forma, ou o faça quando importe.
Creio que estou nele. Li recentemente um autor que rememora os seres humanos que têm o costume de dizer "lá no céu..." ou pensa no espaço como um lugar lá fora, longe, sendo que, na verdade, qualquer astrônomo poderá dizer, estamos em pleno céu! Esse autor é C. Flammarion.
A terra voa, indefinidamente, sustentada pelas forças de atração nos sistemas entre planetas e outros corpos celestes, pelo universo.
Nós habitamos esse planeta que é só mais uma coisinha ínfima que existe no céu e estamos no pleno do céu!
Eu creio que estou em pleno Criador. Estamos em pleno Senhor. Seu tamanho, proporção não se pode mensurar.
Ele tem muitos nomes e espero ao longo do tempo conseguir falar claramente sobre Ele.
Existe tudo que li, ouvi, assisti, que fala sobre ele e fui, junto das cognoscências emocionais que vivi, formando minha concepção. Essa que está sendo enriquecida, modificada, como um bebê que cresce, a todo o momento. A essência é a mesma, mas a mudança inegável.
Do estudado, nada se compara ao que vivi, senti e experimentei. Desde quando era apenas uma sementinha que começava a crescer no ventre de minha mãe.
Gostaria de lembrar a quem se interesse por ler essa série de postagens (ainda não sei quantas serão) que em nenhum momento tenho por intenção impor qualquer pensamento, ou atestar com propriedade de doutora do conhecimento que estou invariavelmente certa em minhas afirmações. Sempre é bom lembrar que muitas "verdades" tidas por leis incontestáveis no passado, caíram e novos estudos trazem sempre a verdade à luz. Quem já leu um pouco de história da física, biologia ou medicina compreende o que quero expressar. Meu desejo é apenas expor o que carrego na mente, no coração. Quem sabe não haverão outras mentes e, claro, corações, para comungar comigo desse amor imenso pelo Senhor e pelo conhecimento?
Não estou interessada em debates, pois eles são cansativos e melindrosos, menos ainda provar qualquer coisa a alguém.
Sei que chamarão o que falo de "religião", porém, futuramente espero conseguir estabelecer um raciocínio coerente do porque não considero o que vivo uma religião, mas uma fé. E, em lugar de fé, eu prefiro chamar de "confiança".
Nenhuma área de conhecimento poderá ser desligada de outras. Tudo forma uma só massa e nada está dividido. O ser humano não pode se desarraigar de suas crenças, pois além de cultura, elas são conhecimento, como não pode parar de respirar.
História, geografia, ciência, arqueologia, linguística, artes... Todas unas a formarem uma só massa na mente humana: o que somos e cremos.
Tudo que tentarei é explicar como elas todas se organizaram em mim e que tipo de receita, "a massa", formou-se.
Bem...
Sei que tudo começou quando eu era muito pequena e ouvia as conversas de meus pais. Posso garantir que eram longas, profundas e, não raro, acaloradas.
| Lembro-me de "ler" esse livro de catecismo bem antes de aprender a ler. Acho que tinha 5 ou 6 anos quando ele existiu lá em casa. Terá minha mãe me ensinado algo nele? |
| Martin Lutero, 1530, queria reformar a igreja tradicional, mas levado pela maré dos acontecimentos acabou por fundar o protestantismo. Minha primeira formação predominou dois pólos. Os terços de minha mãe, e o conservadorismo de meu pai. |
O salto mesmo se deu, porém, quando um vendedor de enciclopédias, desses mesmo de porta em porta, "obrigou" minha mãe a comprar seu produto. Minha mãe dividiu aquilo em algumas parcelas que lhe custou uns 2 a 3 salários mínimos. Minha mãe costurava muito em 1995 para cuidar da gente, então depois se arrependeu, porque tomou consciência do que havia feito. Não é segredo como esses vendedores sabem ser persuasivos!
Bem, se acaso ou destino, era como se eu tivesse de ler aquilo. Eu tinha 9 anos.
| Visão geocêntrica do Universo. |
| Aristóteles, cientista e filósofo grego. Foi o primeiro nome que conheci com significado "de importância". Tinha 9 anos e quando li seu nome no livro que tantos mistérios me contavam, mal podia pronunciar seu nome. ;) |
| Ptolomeu, assim como Copérnico e Galileu foram também nomes que povoaram meu imaginário naqueles idos 'enciclopédicos'. Comecei a apelidar em segredo amigos da família com eles, rs. |
| Meu pai tinha ficado muito empolgado com meu interesse em astronomia e com minhas infinitas perguntas, por isso falou-me com paixão sobre Stephen H. e "mastigou" o assunto para mim. Li boa parte do livro. Porém, aos 12 anos emprestei e nunca mais o vi outra vez. :/ Não tínhamos em 1996, 1997 DVD, internet, muito menos youtube. Mas meu pai alugava em VHS documentários impressionantes, e um deles foi uma locação sobre esse livro. Tudo aquilo ia causando muitas impressões na menina que, além de considerar as teorias "científicas", discuti-las com um adulto (mais perguntar que discutir), aceitava com fervor a criacionista. (Falarei mais a respeito futuramente). |
| A Via Láctea *--* Eu sabia dos "9 planetas" mas quando comecei a fazer uma ideia de onde, e onde, e onde estamos, meus olhos, minha mente, explodiam de empolgação. Imaginem olhos literalmente explodindo de estupefação. Essa era eu, ao ler em minha amada enciclopédia tudo aquilo que me me negavam na escola. |
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| Massacre de São Bartolomeu, de François Dubois |
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| Uma manhã nos portões do Louvre, pintura de Édouard Debat-Ponsan. |
No próximo post falarei da religião em que nasci, da que fui criada, e todas as impressões que tive delas na infância.
Abç.,
Aline
;)


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