
Traz o Outono a renovação necessária para manutenção dos tempos.
Eu sempre me alegro quando chega a estação deliciosa em que explodem cores fortes e tantos sabores, generosos sabores. O céu rutila num azul esplendoroso, o sol brilha clemente, amando todas, todas as gentes.
Um tempo atrás a minha estação predileta também trouxe o nascimento da Raquel... Raquel que canta e brinca, canta alegre, canta sempre, feliz em seus dias.
Uma gravidez praticamente perfeita, terminou num grande susto. Uma oportunidade para a percepção de quão grande é o amor do Pai Eterno, Criador do Universo e tudo que nele há.
O tempo é uma ilusão. Nos aprisionamos em convenções por diversos motivos.
Mas é verdade que ele passa.
O tempo sempre se esvai. E isso é enervante.
Eu amei tantas crianças que passaram por minha vida. Veio o tempo e as levou. Elas mudaram. Embora a essência permaneça, a índole não falha, vem o tempo e as arrebata. Como eu sofro com isso!
E hoje, em que, minha querida filhinha, completa 1 ano que te trouxe a luz, estive pensando como a vida é maravilhosa. Como é maravilhosa a perspectiva que do berço de meu ventre brotaram pela criação celestial seres inocentes, que sorriem e amam desprendidamente. Que não temem em demonstrar isso. Que acham a beleza no que realmente importa, no que é eterno. No que nada custa.
Eu sinto em cada gesto, em cada expressão, que nada é mais importante a você que meu afeto, meu cuidado, minha atenção.
Quão grande é a honra de ter tido a oportunidade de ser a sua mamãe.
Os filhos, apenas por serem concebidos, fazem grande bem a seus pais. À mãe, principalmente, que é protagonista inegável nesse processo quase inexprível. Algumas gestações não chegam ao fim. Mas aquelas progenitoras que foram tocadas pelo dom do amor, qualquer tempo que durem tais gestações, sempre se tem nelas o suficiente para afeto dedicado, infinito, para sonhos, saudades pelo não totalmente conhecido, e a sensação de que algo estará sempre em falta em seu lar.
Elas, ainda, proporcionam um amadurecimento que só que o vive, compreende.
Quem supera, quem tem força, quem tem coragem, redobra o sentimento, mesmo que pareça impossível, pelos que ficam e, talvez, pelos que virão.
Raquel, embora tenhamos te esperado desde sempre, orado e implorado para que o Senhor te enviasse a nós, foi repentina a sua chegada.
Tinha receio que cada uma de suas avós não chegassem a tempo de sua incursão nesse mundo contraditório, hostil, solitário e, porém, repleto de amor e expectativa, surpresas e promessas. Então, sua chegada foi de um modo que em meus maiores esforços eu não poderia narrar em um de meus dramas fictícios. O intrincar do Criador é supremo, perfeito. Sou apenas uma mulher, humana, falha, que se perde, não raro, em devaneios enganosos. Carrego com pesar meus pecados, grata por Aquele Misericordioso Senhor que os tomou para si, pois, assim, se tornam mais leves, a cada dia.
Eu espero de todas as coisas poder te ensinar sobre o amor dEle. Se eu não conseguir ensinar mais nada, estará suficiente. Se você não aprender mais nada além disso, estará suficiente. Pode ser logo, na infância, como foi comigo, pode ser na adolescência, pode ser na fase adulta, ou demorar toda a vida. Estará suficiente, se você puder entender que o caminho está em seus ensinamentos e mandamentos. É um fardo levíssimo. É algo muito desejável.
Eu nunca poderia falar de meu amor, de minha proteção, de meus anseios cariciosos, sem falar no amor do Messias que me cuidou tantas vezes, me estendeu divinamente sua mão. Qualquer coisa de bom que eu possa possuir e deseje oferecer a você e à sua mana, veio dEle.
Nos mínimos detalhes, nas ternuras e nos toques, nesse primeiro ciclo de tempo que você está entre nós, minha intenção, eu percebo agora, foi demonstrar a você que não é apenas o que se vê, afetuosos sorrisos, que garantem o valor de sua existência. O invisível que atravessa o coração, que toma conta do espírito, é mais verdadeiro, menos ilusório que os concretos que se toca e se demonstra.
Quanto Ele me ensinou por seu intermédio? Impossível expressar.
Você chegou na hora certa, marcada pelo seu Criador, no exato dia, e rodeavam-nos as pessoas certas. Foram erguidas, como castelos de nuvens eternas, lembranças que jamais se apagarão de minha mente. Estarão lá mesmo que eu perca a visão, mesmo que os anos levem embora minha razão. Os afetos são armazenados no coração, no coração...
Eu fecho os olhos e vejo seu rostinho, sinto seu cheirinho, e penso no que vivi desde as primeiras horas que te senti dentro de mim, te vi pálida e milagrosamente viva, serenamente cálida, te segurei com emoção sem precedentes, e te amamentei depois de tanta espera, tanto espanto, colando a pele de seu corpinho contra a pele do meu corpo. Eu sempre me lembrarei perfeitamente daquelas sensações e impressões. Tão indefesa, sedenta por afeto, por alimento, por calor de mamãe. A primeira vez que te tive em meus braços, e que te amamentei aproveitando plenamente cada momento daquela ocasião.
Um dia andaremos pela terra carregando diferentes índoles, pois somos indivíduos. Só que dividiremos sempre a incompreensível conexão que a maternidade eternamente abraça. Mistérios insondáveis de carne, sangue e alma. A perfeita criação divina, maternidade.
Sempre estarei aqui, pronta para você, para o que precisar. Com as asas prontas a acolher. Você me fez bem, tanto bem, apenas pelo fato de vir a existência. E todo o mais, e muito mais que eu poderia sonhar.
Alegria e orgulho de sua mana, Raquel, meus esforços sempre serão em prol do amor entre vocês. Você já sabe, não me canso de te contar, que você é a resposta a primeira oração de ardente desejo que a Sarah fez na vida. Ela não desejou tanto ter alguém perto de si quanto a você. Ela te ama e não imagina a vida sem você.
Seu sorrisinho constante, as estrelinhas de seus olhos quando me encontra, a carência afetuosa, suas sapequices, todas as coisas que te empolgam, suas conquistas e descobertas, seu desenvolvimento, mais uma vez, me ensinaram o porque a vida vale a pena. Vale a pena, apesar de tudo o mais. Ser mãe duas vezes não tem comparação em sê-lo uma só.
Eu sinto, é mais que posso explicar, que o coração dobrou de tamanho, contém o infinito, mantendo misteriosamente o mesmo tamanho. Eu jamais poderia dividir o amor. A exemplo do Pai, que tanto filhos têm, todos diferentes, todos únicos, todos amados, todos quais valeu a dor se sacrificar, sofrer, morrer, para depois ressuscitar, o coração é um que se multiplica, se multiplica, se multiplica... a cada novo querido ente que chega e é sempre o mesmo.
Cada vez que você se arrisca, tem confiança e tenta o novo, eu me alegro, que estupendo! Eu percebo que estou cumprindo perfeitamente a minha missão: intermediar o seu relacionamento com essa vida, com o mundo. Desde quando te fiz experimentar primeiras sensações de tato ou paladar, olfato ou audição, com as escolhas mais esmeradas: o primeiro banho, a água quentinha e cheirosa, a primeira papinha, e as canções com que te embalei, as composições que pus para nanar. Tudo que te proporcionei, e que pretendo fazer... Quanto mais! Sonhando, antes disso tudo, que um dia você possa, como eu, deslumbrar na imaginação o paraíso, ansiando não por merecimento, mas por misericórdia, nele entrar.
Quando eu não tenho mais como expressar o quanto eu te amo, eu te beijo, eu te mordo, eu te encho de cócegas, eu canto para você, abraço apertado, forte, apertado... o bastante para extravasar um pouquinho o turbilhão de sentimentos que me provoca.
E desejo que pare o tempo... desejo que o tempo pare, estacione. Para eu ter mais de você, mais...
O tempo é uma ilusão... Então eu olho para ele e ele ri de mim. Já é Outono outra vez. 25.03... 25.03... 12 meses parecem 12 segundos. E não quero parar para analisar 12 anos, 12 lustros... Muito menos as eras dos mundos.
Só quero sentir vocês!
Só quero, minha encantadora rosa, tão amorosa rosa, olhar no seu rostinho de estrela, nas suas doces expressões serenas, nos seus gestos calmos, e te amar! Sentir seus recostares mansos, seus abracinhos calorosos e suaves e te amar.
Te estreitar contra meu corpo e adormecer. Abrir os olhos e ver você.
E, se possível, quando sonhar, que seja com a família amada na qual você veio pertencer.
Eu te amo.
Mamãe.
25.03.2013
23h42min
Aline, amiga, que AMOR mais SUBLIME este seu amor de mãe...não tenho palavras, estou arrepiada... quão sensível e profundo este seu amor. Apenas sei como se sente, pois este amor senti e ainda sinto quando nasceram minhas duas flores. Fiz um poema para elas, com este título "Minhas duas Flores" quando nasceu a minha segunda. A mais velha chamei-a, no poema, de rosa, pela delicadeza e misteriosa que é até hoje, aos 30 anos de idade e a outra chamei-a de margarida, de tão risonha e sapeca que era desde que nasceu, até hoje aos 26 anos. É um amor inexplicável, incontrolável, imesurável, infinito...
ResponderExcluirSua DECLARAÇÃO DE AMOR para suas filhinhas, em especial a Raquel, vai além, e isto é comovente, porque consegue faze-lo em palavras tão inspiradas, este sentimento tão profundo.
Parabéns escritora e mãe, pelo aniversário de um aninho desta sua bonequinha, fofa, risonha, Raquel. Beijos, e que Deus os abençoe.