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Perdão

"A prática do perdão é nossa mais importante contribuição para a cura do mundo."
Marianne Williamson




Pena que a maioria leva a vida toda para compreender a importância desse valor: o perdão, e a maioria, nem depois de uma vida inteira, não chega a compreendê-lo.
Vejam nosso Salvador, o Messias, o Criador que se fez homem, numa demonstração de infinita humildade, para dar exemplo a todos..
O único que podia atirar a primeira pedra, não atirou. O único que podia condenar alguém, não condenou. Ele perdoou. Disse, vá, e não peque mais para a mulher adúltera que queriam apedrejar.
Ele, que tinha tantoooo amooor.
E o torturam, espancaram, humilharam, mataram e ainda, zombavam enquanto o crucificavam com uma coroa de espinhos fincada em sua cabeça... 

E ele disse ainda: "Pai, perdoa, eles não sabem o que fazem."
E ele não ficou apenas pensando na própria dor, que era tamanha. Ainda teve tempo de perdoar o ladrão, e prometer-lhe, para aquele mesmo dia, um encontro no paraíso.

A maioria das pessoas é cristã apenas no título, porque assim se convencionou. Nasceu assim e achou que era interessante se dizer cristã. Por quais motivos? Não ouso tentar saber. Sei que não procuram aprender nada sobre os valores do Salvador: dentre eles, o maior: o amor. 
E amar é perdoar. "Quantas vezes, senhor, devo perdoar o meu irmão? Sete vezes?" - Perguntou um discípulo. "Sete não, setenta vezes sete." - Respondeu o Salvador.
As pessoas não perdoam... São tão vaidosas, que a injúria que sofreram foi ultrajante demais para que perdoem. E, ainda, gostam de apontar os erros dos outros, e cobrar o cristianismo delas, mas não olham, nunca, para si mesmas. O cisco no olho do irmão incomoda, mas o pedaço de pau no próprio olho passa batido.
E o que acontecem com pessoas assim: sofrem muito mais do que se compreendessem que não se atira uma bola para cima, sem que ela caia em seu rosto, com força ainda maior. O rancor que se cultiva no coração, é como um câncer. Mata de dentro para fora. Adoece.
Mas o que aprendeu que perdoar é o melhor caminho, tem uma vida leve, feliz e cheia de esperança.
E pode orar, pedir de coração limpo, pedir as coisas mais dignas e puras, e saber que será atendido, pois até mesmo na única reza que o Salvador nos ensinou, achamos "perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos ofenderam;" 
Mateus 6:12 para sermos perdoados pelo Pai, temos de perdoar. Como alguém tem coragem de ficar repetindo essa oração, sem sentir remorso por aqueles que não perdoou e espera, ainda, ser perdoado pelo Pai?

Compreender que perdoar é curar-se das lembranças atormentadoras que nos assolam, é um alívio alentador para o coração, compreender que a vingança só cabe ao Senhor é libertação. Amar é perdoar, e amar é o oxigênio do espírito.
Perdoar é uma necessidade para o ser humano, indispensável, para alcançar paz no cotidiano. Com o próprio eu, e com os outros.
Somos todos pecadores, todos erramos e, por isso, sempre teremos motivos de queixas para com os outros. Constantemente as pessoas nos decepcionam e, claro, decepcionamos as pessoas. Até mesmo quando tentamos acertar, porque, afinal, somos imperfeitos. Não se pode declarar-se cristão, filho de Deus, aquele que se recusa à prática do perdão.
Perdoar (como amar) é perder. Quando você ama alguém você muito mais perde que ganha. E esperar ganhar com isso é egoísmo. É, como disse Francisco de Assis, mais dar que receber, mais compreender, que ser compreendido, como disse Clara de Assis. 
Somos treinados por nossos pais, pela escola, pela mídia, pelo meio social, desde pequenos a competir. Que vencer o outro que é bonito. Que se sair melhor é só o que importa. E nunca paramos para nos questionar: e o perdedor, como ficará? Não importa o sentimento que ele ficará? Não sejamos hipócritas. Não creio em "saber perder" e o "louvado" espírito de competição só causa tristeza. Queremos ganhar, ganhar e ganhar acima de tudo e todos. Competir. Pois isso parece significar diante da sociedade, ser respeitado. Assim, perdoar, significa se mostrar fraco. Nossa índole está formada, arraigada com o desejo contínuo de vingança. De se sair melhor, de olho por olho, dente por dente. Porém, penso eu, a exemplo do que disse o escritor M. Baker: "O ser humano não atinge seu pleno potencial por meio da competição, mas por meio da conexão."

E como dois seres estarão conectados se guardam rancores mutuamente?
Como um ser se sentirá livre para conectar-se a outro se, desconfiado, rancoroso, imagina que todos poderão lhe ofender como aquele o qual ainda não perdoou?

Perdoar não é permitir que o outro continue a pecar contra você. Mas é, como no exemplo que citei acima, da mulher adúltera, dar-lhe novas oportunidades, para que se regenere. 

Deixo, para concluir, para a reflexão de cada um, uma parábola do próprio salvador, sobre a importância do perdão:

Por isso, o Reino dos céus é comparado a um rei que quis ajustar contas com seus servos.
Quando começou a ajustá-las, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos (dinheiro da época).
Como ele não tinha com que pagar, seu senhor ordenou que fosse vendido, ele, sua mulher, seus filhos e todos os seus bens para pagar a dívida.
Este servo, então, prostrou-se por terra diante dele e suplicava-lhe: Dá-me um prazo, e eu te pagarei tudo!
Cheio de compaixão, o senhor o deixou ir embora e perdoou-lhe a dívida.
Apenas saiu dali, encontrou um de seus companheiros de serviço que lhe devia cem denários. Agarrou-o na garganta e quase o estrangulou, dizendo: Paga o que me deves!
O outro caiu-lhe aos pés e pediu-lhe: Dá-me um prazo e eu te pagarei!
Mas, sem nada querer ouvir, este homem o fez lançar na prisão, até que tivesse pago sua dívida.
Vendo isto, os outros servos, profundamente tristes, vieram contar a seu senhor o que se tinha passado.
Então o senhor o chamou e lhe disse: Servo mau, eu te perdoei toda a dívida porque me suplicaste.
Não devias também tu compadecer-te de teu companheiro de serviço, como eu tive piedade de ti?
E o senhor, encolerizado, entregou-o aos algozes, até que pagasse toda a sua dívida.
Assim vos tratará meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão, de todo seu coração. 
Mateus 18:23-35

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