Quando se ergue no céu o sol,
o qual o Pai faz brilhar ao rico e ao pobre,
ao injusto e ao justo,
eu pensei nos sentimentos do ser humano.
alguns deles parecem ter de experimentar
uma longa vida de sofrimento
antes de aprender que não se pode comprar
o que é de fato necessário para ser feliz.
Cansei de acidez e amargura,
cansei de presentear com o ouro de minhas experiências
aqueles que só fazem pisar em cima dos meus tesouros.
Aqueles que camuflam seus fracassos,
nessa maldosa busca por ferir o próximo.
Ignorando, rindo do sofrimento alheio.
Sentindo rancor por alegrias que o outro teve,
que (ainda) não lhe foram concedidas
quem suspeita o porque?
Estou sempre disposta ao novo,
interessada no outro,
sonhando com a simplicidade e a alegria...
a alegria de conviver.
Mas, me afastar de quem tão somente
nada acrescenta; mas subtrai
subtrai
subtrai,
e ainda levanta acusações em cima de acusações,
é um grande bem que faço não só a mim,
mas aos meu queridos que me rodeiam.
Depois que você já agiu de todas as formas,
todos os modos que podia,
falou todas as palavras que possuía,
empenhou todas as forças que tinha,
só resta mesmo a oração...
A fé e a oração.
Pois milagres existem e disso eu testemunho.
Já vi gente dizer que é bom causar inveja,
e dizer rindo,
como se isso de algum modo
lhe deixasse superior.
O fizesse sentir-se melhor...
E porque a necessidade tamanha
de sentir-se superior?
Quantos sorrisos eu guardei,
vitórias eu ocultei,
apenas para não ver entristecer
outro mais fraco que eu?
Quantas vezes no tempo eu desejei voltar
apagar alguns feitos,
negar-me alguns ganhos,
apenas porque me culpava e sofria
por causar tão mesquinho sentimento
naqueles que de um modo ou outro
ardorosamente eu amei?
Mas sou eu?
Sou eu mesma quem escreve as linhas,
as laudas de meu destino?
Quanto eu tentei exercer a livre escolha!
E agir de modo que ia contrário ao meu favor!
E tudo revirou, mudou, afluiu por outras várzeas,
levando-me exatamente aqui,
no melhor, no mais que sonhei...
aquém de meu controle.
A verdade é que a necessidade ferrenha
de demonstrar superioridade,
camufla profunda dor por contar-se
sempre, a cada minuto, menor que o outro.
Pois a riqueza, a única que vale,
a felicidade, a plenitude de ser,
é um estado espiritual,
nada tem a ver com dinheiro ou realizações.
Pois eu me lembro do belo e rico amigo
de Francisco rejeitado, Francisco humilhado,
Francisco despojado, Francisco renegado,
Francisco maltrapilho, Francisco modificado,
Francisco libertado... libertado...
que tanto tinha, tanto tinha....
e nada tinha...
Invejou não seu tudo, não seu nada,
invejou a alegria, a alegria de Francisco!
E viu ele ao Francisco, que, nada tinha,
tudo tinha que ele nunca poderia alcançar.
Façam o que façam,
sofram o que sofram...
Na alegria e na tristeza
o meu SOL sempre irá brilhar.
Ele é, de fato, celestial.
Meu verdadeiro tesouro é depois da morte.
E, quando disso eu sei, a felicidade é atual,
etérea, eterna, querida, grata.
Infinita...
Nas duas vidas!

Aline - 10h22min
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