03/01/2013
A primeira notícia que recebi em 2013 me deixou muito feliz. E a segunda tristíssima.
Era meia noite e cinco, os fogos ainda pipocavam no céu do planalto curitibano...
O calendário já mudou várias vezes ao longo da história. Quando você lê sua mente dilata e já não pode mais voltar ao tamanho que era. Para mim não há diferença alguma na passagem do 31 de dezembro para o o primeiro de janeiro. Os dias, as noites são sempre iguais desde que o mundo é mundo. Semente e sementeira... Enquanto durar a terra. Não existe qualquer marco. Para mim, o único marco que teve foi a vinda do Messias, o tempo de seu ministério, os ensinamentos que deixou, sua execução no madeiro e, afinal, sua ressurreição - o dia mais lindo da história da Terra. O nascimento da esperança das esperanças.
Ele disse:
Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo. João 16:33
Essa é a minha paz. A fé no meu Salvador. Estou no mundo, portanto sujeita as aflições deste mundo. Como Ele esteve. Que é a minha dor comprada a dor dAquele que foi injustamente traspassado? Sei que um dia tudo terá terminado. Viverei em sua presença num lugar sem dor, morte, pranto, espantos...
As pessoas já me disseram que Salvador é esse que te deixa sofrer assim? Porque, se Ele te ama tanto, te deixa passar por provações tão duras?
O melhor de minha amizade com Ele é que Ele conhece meu coração, nunca com Ele estou em qualquer tropeço ou mal entendido. E tem seus desígnios para mim. Tem seu cuidado. E tem cuidado de mim desde que vim a existir e por isso, por nada além, pela vontade perfeita dEle eu tenho existido.
Estou no mundo, estou sujeita às aflições do mundo, mas em todas essas aflições, nas quais muitos perecem, desanimam, desacreditam, fraquejam cansados, na minha perseverança em buscá-lo Ele me tem mostrado seu grande AMOR, e me salvado em cada uma delas.
Os fogos estouravam e deitei para ler. Esperava, como todas as noites, ter um sono tranquilo.
Mas pontadas horrorosas de uma lancinante dor no ventre me atormentaram. Tomei analgésicos e passei uma noite horrível. Entre sono e vigília, aquela dor a me atormentar. Eu pensava: Se é para sentir uma dor tão horrível, para que o existir? Eu realmente não penso assim, são como esse os pensamentos que não se pode evitar quando se vive uma tão grande aflição.
E deveria ter vindo para o hospital. Mas as meninas já dormiam feito anjos em suas caminhas e eu não tinha ânimo para incomodá-las. Pela manhã eu não mais suportava e o Matheus, assistindo meu sofrimento, ao saber que eu estava sangrando declarou que íamos para o hospital.
A caminho daqui, cada depressão no asfalto, lombada e freada era uma agonia. Eu cheguei e não pude ser atendida logo: gestantes têm a preferência. Como eu poderia imaginar que eu também era uma?
Quando atendida contei para a médica meus sintomas. Ela desconfiada pediu entre outros, um exame de gravidez. Levou horas até que tudo ficasse pronto. As meninas com fome a me esperar na recepção aos cuidados de um preocupadíssimo papai. Então veio a notícia que embora também muita surpesa, me encheu de alegria. "Você está grávida!" Disse a médica. A cabeça começa a trabalhar a mil, a planejar. Tudo que eu queria era contar para meu marido! Quem sabe não viria a sonhada terceira menininha de seu lindo sonho de vida? Três filhas! Mas então um inceteza atravessou meu coração. O que era aquele sangramento? A médica desconfiava de uma gravidez equitópica, que é quando o óvulo fecundado não vai para o útero, mas se acomoda em uma das trompas. Mas era para eu ficar calma. Era apenas uma suspeita. Poderia ser um sangramento qualquer que ocorre quando inicia a gravidez. Eu quis me agarrar a isso, como quis.
Horas depois eu fui para a sala de ecografia. O coração na mão.
Estava confirmado. Uma gravidez equitópica e não me surpreendi. Apenas deixei as lágrimas rolarem. Cerca de três semanas antes eu havia ido a um outro hospital, com a mesma dor forte no ventre. O médico suspeitou de pedras na vesícula e pediu ecografia que não deu nada.
Eu estava abortando desde aquele dia... Que tristeza.
Só depois, bem depois eu soube que poderia ter morrido, abortando há tanto tempo sem saber, se me tratar...
Eu fui dali direto para a cirurgia. Antes fiz questão de ligar para o Matheus, que tinha ficado tão feliz com o prenúncio da chegada de mais uma piulinha. Ele ficou muito triste e eu desliguei e fui com muito medo para a sala de cirurgia. Eu me perguntava o porque disso. Eu tinha medo da cirurgia, do corte, de pensar que em breve estaria aberta. Então fiz uma oração muda para que tudo corresse bem, e que apesar de não entender, de temer, eu dava graças... Por já ter duas piulinhas, estar nas mãos de bons profissionais. Nem sei dizer aqui o trato carinhoso das enfermeiras que me atendiam . Como eu estava nervosa, me deram um calmante, só então tomei a anestesia. Ainda bem que apaguei e não vi mais nada. Acordei tempos depois, já na observação e uma moça que acabara de ter bebê conversava comigo. Queria saber se eu havia tido bebê. Ela me transmitiu muita paz. Quem nunca pariu não pode sondar os mistérios e os receios que assaltam mesmo a mais corajosa das mulheres naquela terrível e esperada hora. Só é homem de verdade aquele que respeita com o silêncio a dor de uma mulher em suas situações... A dor física e espiritual. E eu tenho de agradecer ao meu PAI que colocou um homem assim no meu caminho, na minha vida. Guardo apenas no meu coração e eternamente as palavras que o Matheus me disse esses dias todos e seus desvelos.
Depois eu conversei com a médica que veio me ver, e ela revelou que haviam tirado minha trompa. Minha tristeza foi profunda. O corpo humano é uma máquina maravilhosa. O Criador a fez com tudo que é necessário e bom para a vida. Eu não queria deixar de possuir nada que me foi concedido. Nem mesmo meu baço! Quem dirá algo assim, um dos protagonistas na hora que o dom da vida acontece.
O pós operatório foi horrível. Dói demais. Foi uma cesárea a bem dizer. A recuperação é a mesma. Talvez pior, pois os órgãos precisaram ser lavados do sangramento. Me senti só. O Matheus veio me ver mas teve de ir cuidar das piulinhas que ficaram de mau humor pela minha falta. O tempo todo eu sabia que não estava só. Havia ALGUÉM cuidando de mim. Quando algo terrível acontece você pode questionar o Criador, ou você pode enxergar as maravilhas que Ele opera em sua vida. Amigos que estão por perto, dispostos a ajudarem, parentes maravilhosos que deixam tudo para te socorrer na hora da aflição, e a esperança, sempre é o melhor de tudo de quem confia, é a esperança. Pois ainda que você não tenha ninguém para te auxiliar se você confia tudo ficará bem. O que resta para quem não tem esperança? A esperança é o mesmo que a fé. O Matheus disse "Não fica assim, não! Eu te amo..." Se não houvesse nenhum outro consolo isso já seria o suficiente para mim.
Hoje é o terceiro dia que já estou nesse hospital, e como da situação da Raquel, sairei daqui em alumas horas mais amadurecida. Uau! Como é maravilhosa a obra prima da criação em sua capacidade de superar...
O bebê tinha 5 semanas... Mas apenas a análise do material colhido na cirurgia dirá ao certo. Não importa... Havia vida e ela deixou de existir e eu sempre vou pensar como teria sido seu rostinho, sua voz, sua índole.
Algumas pessoas poderiam me achar melodramática, exagerada. Eu não. Eu, porém, compreendo isso. As escrituras previniram o seguinte:
Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos.
Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos,
Sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons,
Traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus,
Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te.
Creio que em mais de um lugar aí se encaixa aqueles que não amam a vida mesmo quando essa está em seu princípio.
04/01/2013
Já estou em casa. Não consegui terminar o post no hospital. Estava com muito sono. E com dor. Estou melhor agora. Recebi ontem alta, depois da 6. Minha sogra chegou e é ela enche meu coração de ternura e amor. Ela é uma mãe maravilhosa para o Matheus e ela passou muitos atropelos de saúde na vida. Sinto que entende o que estou passando e é muito confiante e alto astral. O que eu teria feito? O Matheus havia arrumado a cozinha que ainda estava bagunçada do almoço que eu tinha feito no dia 31, mas as crianças querem cem por cento de atenção e não importa a diferença de idade, com suas diferenças, ambas requerem atenção. Quando cheguei estava tudo uma loucura. A Sarah é um furacão. Ela me ajuda e muito com a Raquel, mas é a menina mais bagunceira que conheci. Em dois tempo tinha sogra deixou a casa toda brilhando, e ainda fez uma deliciosa sopa. Desse modo meu desagravo é atenuado, e acho mais um propósito em tudo isso: o amor se revela não apenas em palavras, mas em gestos. Espero poder retribuir.
Passei a noite muito bem, mas acordei cerca de 6 da manhã com muita dor e como dói não poder pegar a gordinha e não ter força para aguentar as pulações da Sarah. Ela fica toda preocupada, com receio que
eu tenha de voltar para o hospital e, às vezes, esquece... e hoje me matou de susto, pois feliz da vida que o Matheus tinha comprado neston, jogou o pacote em cima da minha barriga. Depois ficou toda triste...
Coisas de família....
Coisas que eu amo!
Agora é atravessar essa recuperação e dela guardar muita inspiração futura. Sei, ah sei que um dia vai de aflorar.
Aline N. T. -- 18h05min

É bom saber que está em casa,que enfrentou bem a cirurgia, não é fácil passar o que passou, mas é uma prova de vida e em breve só haverá sorrisos nesta casa. Fique forte e confiante sempre. Você tem muito a nos dizer. Beijo carinhoso, Bruna!
ResponderExcluirDesejo-lhe melhoras! Felizmente não aconteceu o pior. Você está bem, em casa, cercada de pessoas que a amam e precisam de você. Felicidades! Beijos, Marion.
ResponderExcluirAline, tomara que vc se recupere logo. Não posso nem imaginar a dor no seu coração, mas que Deus continue ao seu lado, te confortando, assim como o amor de suas filhas e marido. Vc tem uma família muito preciosa. beijão
ResponderExcluirAline, você é um lindo exemplo de amor e fé em Deus, mesmo no seu sofrimento encontra forças para nos ensinar e confortar! Deus lhe abençoe, querida e ao Matheus e às meninas! Melhoras e um grande abraço.
ResponderExcluirOlá, obrigada pela visita, fico mesmo
ResponderExcluirsatisfeita que tenha gostado,
quanto ao seu blog já estou por lá!!!!
Li alguns textos e gostei!!!
Beijinhos!