O coração de uma mulher é um oceano de segredos. - Titanic
Com quinze anos quando queimei meus diários compreendi que mais maravilhoso era escrever cartas ao Criador. Como nas orações de dentro do quarto, não para serem vistas e aplaudidas pelos homens, o que eu tinha a dizer só interessava a Ele. Eu sei que Ele leu todas, pois respondeu-as. Principalmente a primeira delas. Como o é até hoje. Sabe, o Senhor é maravilhoso! Você arreganha o seu coração com tudo de bom e pior, seus anseios, seus arrependimentos, e Ele ouve, e te ensina amorosamente. Enquanto o mundo te condena, critica, e escarnece, o Criador exorta ao bem e a retidão num silêncio d'Ele que fala à altura que toda a Terra pode ouvir, mas que não incomoda em um só decibel. O modo que o Criador verdadeiramente ensina é inexprimível. Só o sabe quem experimentou. Assim como escrever. Porque na leitura das escrituras que inspirou, ou na oração que nos liga a Ele, não há plateia nem fogueira de vaidades. Esse é o único e perfeito refúgio que tenho encontrado. E escrever é uma atividade solitária que nos coloca em diálogo com o próprio eu. E assim é mais fácil desprender-se dos medos e do excesso de amor próprio.
Não é mesmo, Emmanuela? Emmanuela é a minha irmã e ela adorava ao filme Titanic.
Ela costumava escrever lindas palavras, as quais sou saudosa de as ler.
Ela costumava escrever lindas palavras, as quais sou saudosa de as ler.
Mas a Rose Dawson me lembra minha mãe.
E poucas coisas me dão tanta saudade que ler seus escritos!
E poucas coisas me dão tanta saudade que ler seus escritos!
O coração de uma mulher não é mesmo um oceano de segredos? E é por isso, também, que é tão maravilhoso ser mulher. Não é numa rede social que ela os devia revelar. Porque no mistério mora muita, mas muita beleza. :)
As mulheres deviam voltar à prática dos diários, com capa de couro e fechadura ou cadeado. Como era interessante olhar para eles! Um fascínio! Saber que não poderíamos lê-los e tentar imaginar que tantos anseios e desejos inconfessáveis guardavam. A primeira vez que eu vi um, tinha uns seis ou sete anos, e foi os da minha prima Josiane Negoseki. Eu não sabia ler mas era bom de se contemplar aquelas agendas. Volume grosso, cheio de cores e de recortes e lembranças.
Os meus também foram assim, depois, quando fiquei adolescente.
E os queimei todos. Na hora deu um pouco de pena. Mas, foi melhor, muito melhor. O diálogo com o papel só interessava a mim. E, de escrever, ficou impregnado na minha alma. Lembro até dos desenhos marca d'água de suas páginas. Talvez até do cheiro do meu primeiro diário, que minha mãe me deu quando fiz 9 anos. Muita gente diz: "Só me arrependo do que não fiz." Que falta de humildade! Então a pessoa não se arrepende de todas as vezes que magoou os outros? Que frieza!
Com quinze anos quando queimei meus diários compreendi que mais maravilhoso era escrever cartas ao Criador. Como nas orações de dentro do quarto, não para serem vistas e aplaudidas pelos homens, o que eu tinha a dizer só interessava a Ele. Eu sei que Ele leu todas, pois respondeu-as. Principalmente a primeira delas. Como o é até hoje. Sabe, o Senhor é maravilhoso! Você arreganha o seu coração com tudo de bom e pior, seus anseios, seus arrependimentos, e Ele ouve, e te ensina amorosamente. Enquanto o mundo te condena, critica, e escarnece, o Criador exorta ao bem e a retidão num silêncio d'Ele que fala à altura que toda a Terra pode ouvir, mas que não incomoda em um só decibel. O modo que o Criador verdadeiramente ensina é inexprimível. Só o sabe quem experimentou. Assim como escrever. Porque na leitura das escrituras que inspirou, ou na oração que nos liga a Ele, não há plateia nem fogueira de vaidades. Esse é o único e perfeito refúgio que tenho encontrado. E escrever é uma atividade solitária que nos coloca em diálogo com o próprio eu. E assim é mais fácil desprender-se dos medos e do excesso de amor próprio.
Os salmistas já o sabiam. Com eles eu aprendi, na precoce leitura, o valor do diálogo do criado com o Criador, e a ponte foi a minha mãe, que lia-os para mim todas as noites, recitava-os emocionada, cada verso gravado em sua jovem memória, minha mãe, que enchia suas atas de capa rígida e negra, com ternuras, sonhos, e reflexões. Ali era seu refúgio. Seu telefone para com seu Deus. A tinta era verde de grafia ultrafina. E, assim, com ela, aprendi a afugentar meus espantos. Ou melhor, entregá-los nas mãos daquele que me Criou e me Salvou.
Se você quer manter um segredo em secreto conte-o apenas a si mesmo, e/ou para o Criador.
Se você quer manter um segredo em secreto conte-o apenas a si mesmo, e/ou para o Criador.
Aline N. T. -- 21h40min
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