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Notícias e Reação


"A austeridade não está funcionando. Está afetando os mais pobres e mais vulneráveis", disse um líder sindical britânico.

Notícia veiculada no portal g1.

Isso não é novidade. As elites sempre comeram as carnes e os mais humildes mal tem os ossos para roer. Até os ossos ele querem para usar em coisa qualquer que resolvam fabricar para obrigar a massa a comprar com sortilégios psicológicos atestando o quanto é "cool"e necessário em 298378972357 vezes.
Primeiro Portugal, depois, a Grécia, que acaba de decretar tantas medidas que até mesmo comida vencida está liberada para venda. Espanha, Inglaterra, a campanha americana presidencial alardeia empregos por chamariz aos eleitores. O mundo árabe está explodindo. 20 pessoas das cerca de 5 mil expostas a um remédio que seria para aplicar em injeção para dor nas costas já morreram de meningite naquele país. Algo sério acontece nos países chamados ricos. Algo ainda mais sério nos pobres, que recebrão diretemente as conseqüências da crise.
Enquanto a fome cresce (MAIS) nos países subdesenvolvidos e as doenças e a fome matam milhares de crianças, e a crise, como sempre, procura sanar a conseqüência de uma má administração dos recursos públicos afligindo o contribuinte com cortes e medidas injustas, como fosse ele o responsável por essa loucura que a humanidade chama organização social, por outro esse mesmo indivíduo atingido, em sua maioria se deixa ficar num marasmo enervante.
Talvez o próprio povo seja o culpado pelo injúria que a minoria privilegiada lhe finca. O que eu vou dizer não é lá de grandes inteligências nem é, também, novidade. Eu sou apenas uma pessoa, que embora me critiquem por detestar tv aberta, por detestar ver incoerências lógicas e óbvias nesse ou naquele ajuntamento e não aturar essa levada da manada, sou alguém que se informa, lê e procura saber. Revistas, sites... Mesmo que um pouco difícil se lavando em conta o quão as tendências midiáticas são desconfiáveis, sempre manchadas pelo idealismo dos líderes que as sustentam no seu veicular. Eu posso estar errada na maioria dos meus pontos de vista, como penso que estou, afinal, eu não vou a todos esses lugares ver realmente de perto o que acontece, e como todos, preciso confiar nas palavras que vou decifrando quando da leitura. Mas, mais que a visão de qualquer jornalista (já viram quantos tem morrido no México, nos últimos anos, silenciados no exercer de seu trabalho?), eu procuro a visão sensível, que eu achei nos romances, nas histórias de gente por aí que viveu fatos, e pessoas perto de mim, quem pode imaginar, vitimadas por essa brutal distância social que a forma que nossa sociedade vive impõe. Em muitas coisas eu posso estar errada, eu não tenho certeza da maioria das coisas que eu penso. Mas algumas, poucas, eu tenho, sim. Por exemplo (e podem me ter por reaça a vontade, que não me importo a mínima, o sou desde criança, e só depois de muito tempo vi o quanto isso dos ópios sociais é romano com arena e pão e, depois, com inquisição e hóstia) visitando os principais sites de notícias, principalmente o G1, o estardalhaço por causa de um último capítulo de novela. Uma FICÇÃO. Uma inverdade. Eu escrevo romances. Romances envolvem a gente. Eu os admiro, e sobre alguns aspectos reconheço o valor que eles têm para análise da sociedade e usos. Mas nem de longe espero que eles tenham um enfoque maior que, por exemplo, os relatos de uma integrante da marinha americana que resolveu não mais se calar e denunciou a seus superiores. Contou os abusos que sofreu, com pormenores sórdidos. Por diversas vezes, e nunca houve quem a defendesse. Pior, aquele ao qual ela podia recorrer, defendia seus algozes. E até o atual momento, nenhum foi realmente punido em forma de lei, mesmo ante as denuncias estarem multiplicando-se nos últimos anos. Esses escândalos são sempre abafados. Isso, sim, para mim é machismo, e dos bravos. Não tem importância todas as vozes femininas que dentro desses segmentos organizacionais perdem o receio. São um eco surdo na justiça e na sociedade que apenas sente pena mas não reage. Não importa a pesquisa que demonstra que 2/3 de mulheres que servem ao exército, marinha, etc naquele país já tenha sido molestada. Será sempre uma mini notícia de duas linhas, lá embaixo, no final da página. A vida pode ter acabado psicologicamente para essas centenas de mulheres. Mas que importância tem isso? O beijo daquele cantor bêbado é mais legal! :) O show bizz, hollywood sempre terá mais vez, sempre será mais interessante. E em nosso país que se degladia com alguns outros pelo posto de cópia daquele país não é em nada diferente. Uma jovem de 21 anos é encontrada espancada e desacordada em uma matagal na Bahia, outra em São Paulo degolada em seu carro, tendo desaparecido na volta da faculdade, mas o que, minha gente, é importante? O último capítulo da novela! E não a falta de solução e o arquivamento dos crimes. Mas... As fofocas dos artistas! Não o fato de criminosos derem mais custo ao estado que estudantes. Algumas pessoas postam no meu perfil coisas interessantes, nem sempre noticias drásticas, mas pensamentos e observações coerentes, coisas construtivas, assim como postagens em algumas páginas que curto então eu comparo com as postagens sarcásticas, zombeteiras, produtos do último modismo, do último vômito cultural que a classe dominadora quer impor (e o pessoal engole com gosto) isso, sim, vão para milhares de curtidas e compartilhares.
Vamos continuar esperando pela copa, super chique copa no Brasil, não é? Vamos esperando pelas emoções da próxima novela, do carnaval, do oscar, do mais novo sucesso musical de 2 meses, do natal destituído de qualquer sentido espiritual que se vive, onde a maioria sequer faz ideia da história de daquele que poderia ser seu verdadeiro protagonista, enlodados na avalanche do consumismo e glutonaria que sustenta o trono de uns poucos e as cadeias que estão nos pulso de outros muitos. Será que os pais sentam com os filhos para questionarem se o que está sendo ensinado na escola dominical e na catequese está mesmo coerentes com as escrituras? Não há tempo. Trabalha-se muito, badala-se muito, come-se muito, malha-se muito para queimar o que se comeu, chora-se muito pelo vazio existencial que também pode ser chamado depressão. Vamos, continuemos, atentos ao show dos mensaleiros que desviam-nos  a atenção do verdadeiro caos (a reforma descomunal que esse sistema de governo precisaria - não que eu creia que exista algum bom) que temos aí em que professores e pedreiros ganham uma merda e artistas, políticos e boleiros rios de dinheiro... Que chamam de democracia, mas que apenas uns poucos decidem no fato de importantes mudanças sociais, sempre influenciados por interesses e lobismos empresarias (lê-se "grana").
Ao menos os gregos, os britânicos foram as ruas, gritaram a afronta que sentem, mesmo barrados pela polícia. Um homem morreu de infarto na Grécia nessa última manifestação, crianças foram estraçalhadas por bombas na Síria essa semana. Alguém comenta? Já se está anestesiado em aceitar catástrofes e assassinatos massivos. Terá valido alguma coisa essas mortes? NÃO. Não, porque não fará mudar coisa nenhuma. A milênios que o mundo tem essa índole má! As mortes dos injustiçados ainda sáo zombadas em comentários de notícias que vou lendo. Como a de tantos, como dos parentes de meus antepassados que deixaram o leste europeu no fim do século XIX fugindo da fome, guerras e perseguições político-religiosas para o Brasil, como dos nativos índios também antepassados meus, que morreram ou por não se sujeitarem a escravidão que os "cristãos" queriam impor alegando que "bugres" não tinham alma, ou se o tinham que se convertessem pelo pavor do fio da espada e do fogo da "sagrada inquisição" mais que pelo amor as boas novas que na verdade só apregoam mansidão e amor que é paciência. Serão, todos eles, que tenho visto, ano após ano, as mortes noticiadas sem espanto, mais uns anônimos que morreram pela injustiça dos "grandes" e extremistas"do mundo. Seja por crença (religiosa ou monetária, pois a maioria só crê nisso mesmo, a força do dinheiro, e aceita em volta de si os de sua igualha em crença e valor aquisitivo). 
Só fico imaginando, a única hipótese que eu sentiria orgulho de ser brasileira. Se eu visse, ao menos 100 mil pessoas irem as ruas, a protestarem contra a copa, quem precisa de uma quando milhares de jovens não tem esperança de uma vida melhor por causa das drogas e verdadeira apatia social que nenhum sistema de cotas é capaz de sanar, mas sim, uma educação sólida e de base no humanismo desde o primeiro ano de Educação Infantil. 
Quando de fato houver preocupação em se mediar o AMOR e a FOME por CONHECIMENTO.
Desenfocam o que é real e necessário, uma educação sólida e abrangente, com grupos menores de alunos (não o afrontosos numero superior a 40 por sala), e mais educadores, para fazerem-se de bonzinhos e bonitinhos, fortalecendo a simpatia popular de seus partidos, enquanto as escolas públicas continuam um verdadeiro lixo e as particulares com seus conteúdos um pico incansável para as dezenas de milhares de estudantes. Infelizmente o resto país e as áreas periféricas das grandes e pequenas cidades não possuem um investimento quase consciente como presenciei em São Paulo. E um país não é feito de um só estado. Um estado não é feito apenas de cidades "famosas". Profissionais responsáveis não são formados na faculdade. Não apenas nela. A formação é agora mesmo, a vida acontece agora, a educação não deve formar para a profissão e para a vida, mas fazê-la acontecer agora mesmo. A educação deveria dar gosto a todo educando. Deveria existir para dar sentido a vida e a profissão de agora mesmo: ser estudante, caçador de conhecimento. Realizador de projetos. Mas o que eu vejo é só jovens ansiosos que o tempo de escola, depois faculdade, acabe logo para se livrar... O conhecimento, a aquisição dele deveria mesmo ser essa tortura que parece ser? Mas eu duvido que alguém está interessado nisso e duvido que muitas pessoas aqui nesse face terão chegado até aqui... Esses dias vi alguém postando um vídeo maravilhoso do Rubem Alves. Como outras coisas que acho importantes eu compartilhei. Mas ninguém fala nada. Será que ninguém tem nada mesmo a dizer? Deixa pra lá. Talvez o mundo acabe mesmo em dezembro e tudo isso que está aí, como a notícia que li ontem de uns sujeitos que foram presos ao venderem um modo de burlar urnas eletrônicas, será apenas uma brisa que passou e deixou de existir. Terá perdido o significado. Terá?

2012
O mundo vai acabar...
O mundo, já acabou!
Só que não.

Sabem, o conhecimento faz sofrer. E muito. Eu posso afirmar isso. As vezes chego a pensar que não deveria mais ler, não buscar mais respostas. Por que causa um IMENSO sofrimento. Dá vontade de ir morar no meio do mato e ter uma vida tão simples quanto a de um camponês, com apenas as alegrias bucólicas e as familiares, segundo belo ideal de Liev Tolstói, e segundo a bela e simples melodia Deus e eu no sertão.
Só que não! :)
A ignorância, posso atestar, é uma daquelas poucas certezas que tenho, causa mais sofrimento ainda! Mas disso, embora eu tenha umas tantas coisas aqui em mente, nem tenho vontade de falar.

Aline N. T. -- 23h39min

Comentários

  1. Gostei muito do texto,me identifiquei,comentei lá no Poeta de Marte.Parabéns pelo seu belo trabalho.

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