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O Nascimento da Raquel -- II

1º Texto: AQUI

Era para a Raquel ter recebido alta na quarta, para o quarto e, quando a pediatra passou e disse que não daria eu fiquei muito triste, arrasada. Não compreendia pois ela havia aceitado bem o peito (uma condição para a alta). Eu já havia recebido alta e poderia continuar no hospital como acompanhante dela. Soube na hora, que ela não teve alta, que teria de vir para casa sem ela nos braços... E só que
m passou por isso pode saber o que é chegar na maternidade com um bebê na barriga e sair de lá de ventre e braços vazios. Se eu já dormia mal na maternidade por ela não estar perto e a Sarah literalmente em outra cidade, quem dirá quando eu fosse tentar dormir e a Raquelzinha tão longe, lá no hospital em Ctba, tudo tão adverso do planejado. Como ela tinha perdido 40 grms (parece pouco, mas para um bebezinho é muuuito) a pediatra disse que não poderia dar alta. Depois, apesar da minha frustração, soube que era melhor para ela, que fosse observada por profissionais competentes (e tão amorosos, posso dizer, daquela UTI!). Tive de juntar as malas, vir para casa, e guardar o coração para que a noite que nos separava do dia seguinte, passasse logo. À noite, a amorosa Roseli Lima me levou para amamentar a Raquel, na mamada das 9, e conseguiu essa ser ainda mais emocionante que a primeira vez, pois eu sabia que teria de deixá-la. E meu coração estava cheio de incertezas e com uma única e mais poderosa certeza que todas: tudo, em algum momento, ficaria bem, graças ao meu Pai, a quem tantos queridos pediram e continuam pedindo pela Raquel. Saí do hospital, e o tempo tinha mudado, muito, muito frio e vento em Curitiba e fomos ao Shopping Estação, quase do lado da maternidade, a uma farmácia, e depois passamos por uma loja de brinquedos especular..., e depois, triste, o Matheus disse que não adiantava ver nada daquilo que a solícita vendedora nos mostrava, até que a neném tivesse alta. Então ela quis saber o que havia acontecido e de um modo estranho acabamos por contar os fatos; então, ela contou-nos sua história, de como nascera pequena e frágil, com apenas 1kg, aos 9 meses, e teve de viver até os 2 anos no hospital, em Fortaleza, ano que mudou para cá, isso numa época de muito menos recursos que os nossos, uma questão muito mais séria que a nossa. E disse-nos: "Olha para mim... Estou aqui. Não sou uma mulher de 36 anos forte e inteligente?" Ela disse-nos que tudo ia passar, tudo ficaria bem e que ainda voltaríamos lá, com a Raquel e a Sarah, comprar um brinquedo com ela. Quis saber seu nome para, realmente, um dia, fazer isso mesmo. "Rose", ela respondeu. Rose? =') Meu coração saiu de lá renovado. Era a segunda vez que o Senhor usava pessoas para nos afirmar que tudo ficará bem. Quando o Matheus foi fazer o registro da Raquel, passou semelhante situação com a cartorária. Puxa vida, se eu fosse contar tudo que vivi nos últimos 7 dias, cada detalhe e menor situação, daria um livro, e acho que vou mesmo escrever um, sobre tudo isso rs =') Depois, aqui em casa passei uma noite atormentada, acordando o tempo todo ou tendo pesadelos, e muito cedo já estava em pé, ansiosa pela hora de voltar a para o hospital, o coração e os seios sofrendo com a separação da bebezinha. Nenhuma mãe merece isso, sinceramente. Mães não merecem ser separadas por qualquer motivo de seus filhos... Vivemos os cinco dias que a Raquel passou na UTI como fossem 5 meses. Dentro da UTI, o tempo passa diferente e é um outro mundo, quentinho e acolhedor, um verdadeiro útero. Lá praticamente não tempos preocupações. O único foco é o bem estar de um ser tão pequenino, frágil e em mesmo tempo forte, por lutar com tanta garra pela VIDA. Lá não lembramos preocupações de fora... nenhuma, se não daquilo que a pediatra irá dizer na consulta diária das 14:30... Nessa tarde estávamos prontos para ir para o quarto, e recebemos a alta para casa, nem acreditamos!!! Só pensávamos na feição da Sarah qndo nos visse chegar com sua querida irmãzinha, coitadinha, andava frustrada porque ainda não a tinham deixado conhecê-la e quando tinha ido para casa sem o bebê havia lamentado não ter ao menos a barriga para beijar. Estávamos a pé pois imaginávamos que íamos dormir no hospital, então a doce Cris Nogueira, foi nos buscar e uma terceira vez, nos 2 relatos que ela nos contou de 2 bebês que superaram o inimaginável, o Senhor noss disse, outra vez: "Tudo ficará bem, sou eu quem cuida de vocês!" Quinta-feira foi um dia especial! Cinco bebês receberam alta! As enfermeiras sorriam, numa função nada costumeira, e já sentiam falta antecipada dos bebês que iriam para o lugar deles: junto da família. Elas são mesmo umas mamãezinhas. Tivemos a oportunidade de conversar com calma e detalhadamente com a a pediatra, tirar todas as dúvidas e ler o laudo final do que aconteceu com a Raquel. Fiquei feliz, muito feliz em saber que o coração dela nunca ficou sem bater como eu havia dito aqui, mas, sim, bateu muito lento para um bebê. Ela apresentou sempre melhoras, não convulsionou, como se esperava, caso fosse um quadro desde o útero, não teve infecções, aceitou o leite da mamãe com amor, e a ela (a pediatra) poderia afirmar que tudo que aconteceu foi por causa da anestesia que alivia a dor das mães, mas deixam os bebês literalmente anestesiados. Disse para eu ficar contente por isso, já que não seria uma situação desde o útero. E é verdade. Mas não consigo ficar muito feliz e sinto, aliás, culpa, embora eu não sobesse que isso pudesse acontecer se tomasse anestesia. Gostaria de voltar no tempo e dizer "não", mas isso não é possível, então agora olharei para o agora e para frente, porém cheia de novos aprendizados, foram doloridos, sim, mas muito importantes. O passado é nossa História, e muito importante para fazer um presente melhor. Para entendê-lo, aliás. Todas as histórias de outros pais que conhecemos lá, o modo que tudo aconteceu, apesar de nossos esforços contrários, para que ela nascesse lá, onde está a melhor UTI neo natal da região, como se realmente o Senhor quisesse por algum ou vários motivos que passássemos por isso, foi lá que Ele permitiu que ela nascesse. Às vezes, idealizamos tanto como tudo deve acontecer, mas O Grande Escritor vem e redige tudo de uma forma inexplicável, indizível, de uma forma única que só Ele sabe como e porque é melhor. Ele me mostrou ali, outra vez, que "mesmo que eu ande pelo vale de SOMBRAS DA MORTE não temerei mal algum, pois Ele está comigo" e que "Ele é o meu PASTOR, nada me faltará". Nem saúde, nem carinho, ou força, como pude ver nas manifestações de preocupação e zelo de quem nos escreveu, ligou ou foi nos ver. A todos MUITO OBRIGADA. Nem tenho esperança de um dia poder retribuir, porque na dor vi como sou impotente. Espero que o Senhor cuide de cada um como cuidou de nós naquilo que mais precisar.
Só tive tempo de entrar agora para contar, resumidamente (rs) o que aconteceu desde a última vez que escrevi. Primeiro fiquei sem internet no hospital. Depois, que chegamos em casa, felizes da vida com a bebê, começou a doce e cansativa rotina de mamadas quase de hora em hora, trocas de fraldas, bombeia leite dali, esteriliza daqui, zela de cá, tudo com um cuidado ainda mais especial de todos por conta de tudo que aconteceu. Como eu disse, me dói tanto o que ela sofreu, que estou tentando seguir a risca as recomendações das enfermeiras sobre o que comer e não comer para a Raquel não ter cólicas, ou se tiver, sofrer menos... E mais uma vez o Senhor me abençoou: A Sarah é uma verdadeira "enfermeira". =D Me ajuda sempre, vestindo sua máscara e suas luvas, a cuidar da irmãzinha.
A Raquel fará amanhã um exame, ecografia craniana, como todos os bebês que deixam UTI. Pelo que passou terá de consultar periodicamente um neuropediatra por um ano, pelo menos. E não estou preocupada. Não mais. Faremos tudo que estiver ao nosso alcance por ela, como já fazemos pela Sarah, para que possa viver com plenitude e felicidade, procuraremos tudo que estiver na mão do homem, mas sempre com a noção de o amanhã, não adianta sofrer por antecipado, pois como diz o ditado, "a Deus pertence". A cada dia que tenhamos o pão e a percepção concedida, para aquele dia. 
Para esse dia vejo que o Senhor tem colocado anjos no meu caminho: Um marido com um coração que é puro amor. Uma sogra muito, mas muito querida que não nos ajudou apenas nas situações práticas, mas com um apoio moral (amor) inigualável. Dizendo as palavras certas para sabermos que qualquer coisa que acontecesse, fosse qual fosse nosso futuro, estaria ali, ao nosso lado para nos apoiar e fortelecer. Vivendo o momento preocupada, relembrando-nos as aflições do passado que teve com as complicações pós-natal que o Matheus teve e hoje vemos ele forte e saudável. Minha mãe, que contra sua vontade, distante, assim mesmo, ardeu por nós, e com suas orações e carinho sem fim esteve presente também em cada fibra de mim que me lembrava que um dia ela passou situação semelhante mas muito mais complicada em relação a saúde de sua filhinha bebê, no caso eu. Os familiares e amigos que se manifestaram, preocupados e desejosos de um feliz desfecho.
A Raquel sofreu um pouco para chegar aqui fora, mas chegou tendo o que mais se pode desejar: amor. De seus pais, de uma irmã que chocou ela muito, de 2 avós e 1 avô INIGUALÁVEIS, e muitos tios e tias que desejam seu bem... ^^
Agora há pouco, enquanto escrevia esse texto, dormindo, a Raquel deu uma gargalhada (!!!) Não lembro se recém nascidos fazem isso e perguntei espantada para o Matheus se foi isso mesmo, já que ela dormia em seu peito. Ele disse que sim. Foi uma gargalhada porque sorria... Eu queria ter visto também!!! Logo ela chorou para mamar, e tive que parar de escrever um pouco (com alegria) e reforcei meu pensamento: quando estudei o desenvolvimento da criança, da concepção a adolescência, na faculdade, soube que os sorrisos que os recém-nascidos dão não passam de uma contração. Mas, eu realmente não creio nisso. Eles sorriem quando dormem ou despertos, quando estão limpinhos, amados, alimentados, sem sentirem qualquer desconforto. Choram quando precisam de uma dessas coisas... ou seria também o choro mera contração? O sorriso foi criado para quando, espontâneo, mostremos que estamos felizes, e que estamos exatamente onde gostaríamos de estar.
'Bora para o próximo capítulo! =DD
Já, já, vou postar umas fotos! rs =DD





Aline Negosseki Teixeira -- Domingo, 1.04.2012 -- 17h35min

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