A casa de pedra e palavra é um lugar que existe além das leivas que a constittuem. Ela está edificada dentro do meu coração. Eu a sonhei, assim meio disforme, desde que descobri a minha paixão pela escrita. Eu não entendia como a havia de querer, quando viria, e com que paixão a descobriria. Porém, em cada recanto que eu deslizava meu olhar, enlevada nas narrações que os retiramentos inspiram, ela se desvendava bela, poética, perfeita para os sonhos da saudosista ultra romântica que mora em mim - eu mesma.
A casa de pedra e palavra é um vislumbre extraordinário, um pedacinho do céu na terra, uma terra sem limites, bem delimitada para atender minhas aspirações queridas, extasiantes - nem só de risos, mas também, de algumas dores.
A casa de pedra e palavra há de permitir-se a entrada de alguns viventes. Não todos. Não, não todos.
Talvez não seja muito democrático, mas, afinal, como saber o que é de fato democrático? Escolhi me reservar no direito de fazer tudo segundo a sinceridade de meu coração. Fora disso é maldição. Eu ando pela senda do tempo que me separa da inauguração, ansiosa por contemplar os sorrisos daqueles que poderão entrar. Será como aqueles a quem deixei entrar no meu coração.
A casa de pedra e palavra, bem do meu jeito, do nosso jeito, sem que ninguém - pessoa ou grupo social - imponha o modo que disporemos os elementos que a guarnecerão, será cheia de amor, de personalidade, de carisma, de história, de cor, de humildade, vida e som, silêncio e reflexão.
A casa de pedra e palavra terá um quarto para ser o coração dos sistemas e um cômodo para o cérebro do organismo. E sua cabeça, que quase tocará as nuvens, sustentará belos cabelos escuros que destacarão-se no azul límpido do céu paranaense. Aqui que, de algum modo eu cheguei, cem anos atrás, e aqui, para onde eu viria, cem anos depois.
A casa de pedra e palavra terá pão, fogo e canção. Lembranças muitas, sonhos, estudo prazeroso, risos, talvez lãgrimas, choro, e muita, muita esperança.
Eu preciso de um tempo fora, quieta para me preparar para essa amada casa de pedra e palavra que se ergue tão linda, crescendo da terra para cima. E é um pouco difícil. Como controlar os ebulires que destoam a beleza dos dias? Porém, ah, eu preciso, sim, conseguir. Em breve virei, sim, contar tudo, desde o início. Vai doer, dará trabalho, mas, é algo necessário.
Se o poeta é um fingidor, o romancista é um vomitador.
E o vômito alivia aquele que não digere bem as ingresias da vida.
Aline N. T. -- 11h55min
Curiosa desde já...
ResponderExcluirUm abraço apertado,
:*
curiosa é pouco!
ResponderExcluirque coisa mais instigante e misteriosa...
beijos