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A vida e a Morte


Quem tem o direito de decidir entre a vida e a morte?
Eu não vou responder essa questão; não agora.
Existe uma eterna interrogação dentro de mim, e eu me apoio nos valores mais puros que me foram ensinados. Naquele que ninguém conseguiu tocar, ninguém pode macular.
Minha mãe me ensinou sempre... a amar a vida, a despeito de qualquer obstáculo, qualquer situação.

A vida é e sempre será um verdadeiro milagre.

Eu parei meus afazeres só para vir aqui, escrever algo que estava ebulindo dentro de mim.
Questões como aborto, eutanásia, pena de morte sempre me incomodaram. E hoje eu me peguei discutindo com meus botões a respeito de algo que me disseram sobre a vida ou não vida de alguém que estivesse confirmado medicamente ser um 'vegetal' valer ou não a pena.

Pois, eu conheci uma senhora. A mais meiga, doce, forte que já conheci. Aos quarenta e poucos anos ela teve câncer, mas nunca ficou sabendo. Seus filhos acharam que seria pior para sua saúde saber algo assim, do que a própria doença em si. Os médicos lhe deram pouco tempo de vida. Mas, faltando tantos órgãos em sua barriga, ela viveu, e viveu bem, amando e fazendo o bem a tanta gente, por mais quarenta e poucos anos. Mais uma que, como eu, contrariou médicos. =) Ela vivia para amar, fazer o bem. Inclusive a mim. Ela me adotou por sua netinha =') e sabem, às vezes convivemos por anos, até décadas com determinadas pessoas e nunca as conhecemos ou podemos nos aproximar delas realmente, mesmo vivendo sob o mesmo teto. Já outras, uma semana é o bastante, uns poucos encontros para criar um laço que nem na eternidade será desligado... Tudo que eu mais sonhava, nenhum dinheiro poderia comprar. Um avó! E até isso meu Criador me concedeu e, mesmo durando tão pouco, valeu por milênio. Quando a Sarah nasceu eu queria levá-la para conhecer a bisavó, e para que a bisavó lhe conhecesse. Mas, senil, coitadinha, parecia não reconhecer mais ninguém. Disse alguém que era bobagem, afinal ela não entendia mais nada, afinal, há algum tempo só o corpo que parecia estar entre nós. Mas eu insisti. Um sexto sentido, uma sensação de ao menos a Sarah conhecer, embora não fosse lembrar, estaria lá, em algum lugar da memória de seu computadorzinho de 2 meses de idade. Quem sabe um dia aflorasse em um sonho bom? Eu ia ficar muito feliz se, possível, tivessem me colocado no colo de minha bisavó Anna.
Quando eu coloquei a Sarah em seu colo ela olhou um tempo, quietinha, depois ficou aflita, como pedisse que a pegassem - ela sabia que não daria conta por muito tempo de segurá-la. Ela gostava de ganhar carinho nas costas, e de ouvir a voz da gente.
Depois dessa visita, eu soube, ela piorou muito. Precisava ficar amarrada para não se machucar, não falava, não conhecia mesmo ninguém. Ficou anos nessa situação. Um belo dia acordou falando e lembrando-se de toda sua família, filhos, netos, e até bisnetos. Queria falar com todos. Lembrava-se até mesmo de tudo que havia acontecido no tempo que parecia 'off'. Ficou uma semana nesse estado de aparente lucidez. E depois voltou ao estado anterior. Ela foi a pessoa que conheci que mais amava a vida, mais tinha apego a vida e àqueles que faziam parte de sua vida. Mesmo quando se foi, não queria ir. 
Não vou colocar sentenças. E apenas uma história, como muitas outras, para pensar. Mas nessa eu penso com um carinho especial, pois vivi um bocadinho dela, o suficiente para me emocionar muito. Não é porque aparentemente e medicamente ela não estava entre nós que realmente não estava. Ela esteve com os seus até o último segundo, amando e preocupando-se! E uma pessoa assim que deve ser admirada.
Viver é para quem tem coragem!
Manter a vida, quando se tem o poder de acabar com ela, é para quem tem mais coragem ainda.
Essa coragem demanda desapego social e econômico, e até mesmo auto desapego, se é que existe esse termo. Mas é a coragem mais honrosa que eu conheço.


27 de Junho de 2012 - 14h20min - Aline N. T.

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