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O Que eu Penso de Corpus Christi?


Corpus Christi, mais uma festa cristã, um feriado nacional. 
Embora o próprio Messias não tenha instituído nenhuma festa, mantendo unicamente a páscoa, mas, com um novo sentido, de acordo com as sagradas escrituras, comemora-se várias festas religiosas em nosso país de maioria cristã.
Eu me pergunto: Quantos cristãos pensam, nesses dias 'santos', realmente, na mensagem que o Messias veio trazer?
Eu não tenho nada contra os feriados cristãos católicos, mesmo não mais professando a religião católica. Acho que são ótimas oportunidades para se falar do amor do Pai. Aliás, sempre achei curioso quando ouço pessoas indignadas com certos costumes dessa ou daquela religião, exigindo laicidade, e entrada onde apenas a igreja tradicional tinha vez, mas, nunca vi ninguém lutar pelo direito de não guardar os feriados, rs. Mas, não é esse o assunto, apenas algo que pensei de relance esses dias.

Eu assisto os costumes, religiosos ou não, com tremenda curiosidade. Adoraria trabalhar com cultura. Acho muito lindas as manifestações culturais dentro de diversas religiões, e em como as pessoas creêm estarem agradando e fazendo a vontade do Senhor. Eu sei que para Ele vale a intenção pura que vem do coração. E isso me basta.
Todas essas coisas são para mim tão boas de se contemplar que são dignas de tornarem-se cenas de romances.

Pensando no dia de hoje, nas procissões católicas, a memória me trouxe lindas reminiscências...
Eu nasci católica, fui batizada nessa religião, onde minha mãe depositava um fé fervorosa. Inclusive, em sua juventude foi catequista, líder de grupos de reflexão, etc. Ou seja, uma pessoa atuante na religião. Ela contava com orgulho sobre seu pai acompanhar por um almanaque a construção da Basílica de Aparecida, lá pelos anos 50, e ser um soldado Mariano. Sobre sua tia, tão bondosa ter querido ser freira e sobre a convicção e fé tão arraigados de seus parentes. Já entrei com ela em templos e a assisti chorar nessas ocasiões e quando cantava louvores de sua infância para mim. Fui batizada na igreja católica e minha mãe, como me contou, me levava às missas. Quando não pudemos mais frequentar lugar nenhum, ela mesma me ensinava tudo que sabia sobre o amor do Pai. Aos dois anos fui afastada e cresci num lar protestante. Essa é uma longa história.
Quando passei a pensar por mim mesma, cheia de interrogações, iniciei uma longa caminhada em busca da verdade, sempre tendo em mente o próprio encontro dela com a verdade. E, um dia, quando tinha 15 anos, descobri que a verdade se encerra simples e puramente no amor do Senhor, o Messias, o Filho enviado pelo próprio Pai, Ele mesmo que veio ao mundo nos mostrar quanto amor era capaz de demonstrar por nós. Jamais conheci amor maior.
Minha experiência foi diferente da dela. E foi maravilhosa... Porém, essa, também, é outra história.
Depois, eu estive em várias igrejas, procurando aquela que mais fizesse a vontade do Pai, que de acordo com meu ponto de vista, se ajustasse às sagradas escrituras.
Afinal, por causa da grande interrogação que há e sempre haverá dentro de mim, decidi por não permanecer em nenhuma, embora eu goste muito de conviver com meus irmãos de todas as religiões que buscam fazer a vontade do Pai e aceitam que Ele enviou seu Filho unigênito como sacrifício para a salvação de seus filhos, numa infinita demonstração de amor.
Sei que cada tem sua própria experiência, e não creio, nem de longe, que tenha de ser como a minha para ser válida aos olhos do Pai.
Esse é apenas um apanhado de minha vida religiosa e sei, que de um modo, cada um tem a sua.

O dia de hoje, uma festa instituída pela igreja física Católica, me enche de reminiscências, e um dia hei de narrar também, de outros modos, na ficção, a seguinte experiência que passei quando tinha cerca de 8 ou 9 anos. Foi ao lado de uma das melhores amigas que tive e que alguém poderia ter: a Maria Carolina Oliveira ^^

Acordei naquela manhã, era dia de sol bonito e a Carol foi me chamar, um grande sorriso em seu rosto. Ela tem os cabelos castanhos escuros, lisos, muito brilhantes e um dos sorrisos mais sinceros que já contemplei. A Carol é uma Poliana. Ela me convidava, cheia de entusiasmo:
- Vamos ajudar a montar a procissão? Você não vai acreditar! Nossa rua é a escolhida!
Minha mãe sorriu abertamente e me incentivou a ir com ela. Foi um dia maravilhoso de comunhão com os vizinhos, adultos e crianças, trabalhando em formar o lindo tapete por onde a procissão pisaria horas mais tarde.
Lembro-me de ter montado uma quadrado, com pó de serra e outros materiais. A figura era a pomba, que representa o Espírito Santo. Nossa alegria infantil e colaboração mútua era imensa.
Entre outros vizinhos, já não existia velhas rusgas. Apenas um amor fraternal no trabalho em conjunto. Ao menos, perante meus olhos de criança, tudo foi assim.
A rua que eu cresci parecia uma pequena cidade do interior de Minas Gerais... Pessoas que cuidavam de nossa vida com amor, com interesse realmente amoroso, outras com interesse fofoqueiro, e até misto, rs. Havia troca de açúcar pelo muro, festas na rua, brincadeiras maravilhosas da criançada, papo no portão, velhinhos sentados em tamboretes na calçada, e uma forte influência católica, religião predominante da maioria, que me enchia de curiosidade.
Até hoje eu ainda não entendo o verdadeiro propósito dessa festa, por isso não ouso falar a respeito. Apenas penso que o propósito do Messias, quando viveu como homem, não foi instituir mais ritos e doutrinas, mas afirmar, repetir e demonstrar por Ele mesmo como era importante, extremamente importante, talvez todo o sentido da criação: que nos amássemos uns aos outros, como Ele nos amou.
Primeiro eu fiquei triste quando o lindo tapete formado de figuras tão belas foi desfeito pelo passar da procissão, mas, depois, anos depois, eu entendi:
Naquele dia eu vivi um amor muito bonito com meus vizinhos, e principalmente com minha amiga Carol e seus pais.
"Tudo que te vier a mão para fazer, faça bem feito", com amor. Pois o amor é melhor apreendido quando visto nos gestos do próximo, do que quando forçado goela a baixo com pregações intermináveis, ritos, e repetições.

E como é uma festa em homenagem ao nosso Salvador, que possamos refletir em uma de suas experiências enquanto homem, de carne e osso, como nós.
Havia um ministério esperando por Ele e, antes que o assumisse, foi ao deserto jejuar e estar em presença do Senhor. Depois foi tentado pelo maligno, e o que foi que Ele negou?
Tudo que a talvez maioria das pessoas desejam ao procurar uma religião.

"Então foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo.
E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome;
E, chegando-se a ele o tentador, disse: Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães.
Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.
Então o diabo o transportou à cidade santa, e colocou-o sobre o pináculo do templo,
E disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te de aqui abaixo; porque está escrito: Que aos seus anjos dará ordens a teu respeito, E tomar-te-ão nas mãos, Para que nunca tropeces em alguma pedra.
Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus.
Novamente o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles.
E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares.
Então disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás.
Então o diabo o deixou; e, eis que chegaram os anjos, e o serviam."
Mateus 4:1-11

Eu tenho para mim que, ao procurar uma religião, ao procurar entender a Palavra do Senhor, deveríamos buscar entender mais como podemos nos relacionar melhor com nosso próximo, nossos irmãos, do que como agir doutrinariamente. E deveríamos, em tudo, agir em amor fraternal.

Um livro que terminei de ler há não muito tempo, que recomendo com muito carinho, é Jesus: O Maior Psicólogo que Já Existiu. É basicamente sobre isso que ele fala, a luz do ministério do Salvador. E é, basicamente sobre AMOR, que o próprio Salvador veio falar e demonstrar.

Deixo os seguintes versículos para a reflexão dos irmãos que porventura estiverem lendo meu texto:

"Dá a quem te pedir, e não te desvies daquele que quiser que lhe emprestes.
Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo.
Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus;
Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos.
Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo?
E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim? "
Mateus 5:42-47


Aline N. T. -- 13h47min -- 07.06.2012

Comentários

  1. eita que ela gosta de escrever na vera . hehehehee
    saudade desse blog =]]

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  2. Alineeeee *-*
    Plagiando Everson, que saudades de ler o seu blog.
    Estava me deleitando aqui com suas últimas postagens.
    E também ví seu comentário lá no MilkShake *delira* é uma honra ser sua referência literária na blogosfera para o recomeço das leituras.

    Mais uma vez você nos brinda com um ótimo texto, super reflexivo e com seu estilo inconfundível.
    Também já lí "Jesus: O Maior Psicólogo que Já Existiu" :D

    Bom feriado para você! Para mim o dia é de trabalho.

    Beijos nas Princesas :*
    Abraço apertado.

    ResponderExcluir

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