Pular para o conteúdo principal

Culinária - Abóbora

Doce de Abóbora e Bolo Carolina com Geleia de Abóbora


Alguém aí já percebeu que eu amo de paixão apaixonada Doce de Abóbora? Não acredito que até hoje não dividi com vocês, tão amados leitores, essa receita encantadora. Foi uma das primeiras coisas que aprendi a fazer quando casei. Aprendi porque gostava demais, desde criança e nunca encontrava para vender um que me enchesse a vista e o paladar.

Clique para ver ampliado!

Quando menina, aqueles de coração, vocês lembram? Conhecidos das festas juninas, recreios de escola pública, e festas bregas, faziam minha alegria. Mas os anos fizeram, infelizmente, meu paladar mais exigente.

Não imaginam cada apuro que passei nessa vida de amante de doce de abóbora. Foram muitos... Se eu ouvia falar que alguém na rua tinha feito, ia até lá, como quem não quer nada “visitar” a venturosa vizinha. Nem faz tanto tempo, eu desejosa há mais de um ano de saborear aquele doce que minha boca estava reclamando, o Matheus me aparece garboso com um pote cheio deles. Aqueles de casquinha, o miolo macio... Fiquei feliz demais com a surpresa. Ele sabe bem meu amor por doce de abóbora.

Provamos.
É...
Não era bem o que esperava da aparência, mas era comível... comível... como costumo dizer. Bem melhor que os de coração, mas faltava algo, eu sentia. Não reclamei, afinal ele foi tão amoroso. Saiu para resolver nem lembro o quê e me volta todo romântico com meu doce preferido que até o gosto ficou bom. O romance tem desses poderes...
Então, eis que uma noite, estamos nós, comendo o doce, ele lê no rótulo, em miúdas letras:
Ingred.: Batata e Açúcar.
Pera aí. Para tudo aí, por favor. Batata???
Fiquei indignada. Indignada? Isso é pouco.
Então por que era laranja e estava escrito garrafal na frente do pote “Doce de Abóbora”?
Sabe como que por obra sobrenatural algo se transforma? O gosto daquilo ficou insuportável na minha boca. Gosto de embuste, enganação. Mais uma dessas que a indústria faz com o consumidor. Podem achar exagero quanto quiser. O meu sonho doce de abóbora foi assassinado.
Eu amo doce de abóbora... snif... E estava para fazer dois anos sem comer um que prestasse. Fiquei pensando naqueles que minha sogra comprou no Caminho do Vinho, aqui em São José dos Pinhais, certa vez, que comemos com aquele queijo inigualável. Casquinha crocante, miolo molhadinho, pura abóbora, dum laranja reluzente. Aquela velha receita da vovó, no cal e, certamente fogão de lenha (não apaguem isso também de mim, esqueçam o fogão industrial).
E o lugar tão longe, o pote tão caro... e eu? Na vontade de comer o doce. Rodando os mercados em busca da abóbora de pescoço, porque com nenhuma outra o sabor é o mesmo, e só achando as morangas, as brasileiras, as japonesas. Sem a pescoçuda e amada abóbora, como daquela receita que Inezita Barroso me ensinou numa revista que ganhei recém-casada...
Até que um dia achamos a dita. Era a última. Envolta no plástico filme, pequena, a pobre estava até ferida. Não tem problema! Disse para mim e para o Matheus. É essa mesma que vai virar doce.
E virou... com cravo e canela em pau. Comi até sair pelas orelhas. Ai, que glutona. Comi, sim. Mas não tudo de uma vez. A Sarah e o Matheus ouviram falar do doce...
Então minha irmã veio aqui nesse feriado. Não a via há dois anos. Foi um alvoroço esse reencontro, vocês imaginam? Lembrou-se do meu doce quando viu, abandonado, o doce de batata com que industriais “malvados” engabelam os consumidores. “O seu era da hora... Podia fazer pra mim.” Disse, pidunchona, com olhos de estrelas, devorando com seu paladar pouco exigente, como ela mesma confessou, os doces, argh, de batata.
Saímos a caça e oh, não é que achamos uma abóbora inteira, enorme, mais de 5 kg, no mercado perto de nossa casa?
Nem acreditei quando o Matheus me mostrou com aquela sua velha expressão de sorriso de felicidade de criança.
Claro que levamos. Mas não deu tempo de fazer para que ela comesse. Fiquei muito triste. Meu coração se apertou quando olhei para o caldeirão cheio de doce. Então guardei tudo para o pessoal da igreja que toda semana se reúne na casa de um irmão diferente para celebrar um culto familiar, com orações, reflexões e louvores e... comida. Tanta ternura. Só assim comi o doce, de novo, tranquila.
Acontece que... Descobrimos uma nova delícia, outra variação de felicidade vinda do amado e delicioso doce de abóbora: Geleia de Abóbora!
Parece estranho?
É delicioso, surreal de tão bom. Bem, sou suspeita. Adoro abóbora de tudo que é jeito. Refogada, na sopa, com PTS (outrora com carne de panela), no doce... E agora em geleia. Meu pai dizia que era comida de dar para porco. Não gostava. Não sei o que lhe aconteceu para pensar isso. Que triste. Só sei que abóbora é bom demais, sô! E, na minha boca, tem gosto de infância, de família, de antepassados labutadores e sorrisos em volta da mesa. Quer amor é maior que esse, o divido em volta da mesa?

Receitas
Doce de Abóbora


Clique para ver ampliado!
Ingred.:
- Um pedaço de abóbora (tipo) de pescoço madura.
- A metade do peso da abóbora em açúcar cristal (mais saudável, mais barato, se precisar de açúcar refinado bata o cristal no liquidificador – fica a dica).
- Cravo e canela em pau a gosto.

Preparo
- Descasque a abóbora com o descascador de legumes.
- Pique em cubos.
- Ponha os cubos de abóbora, o cravo e a canela em pau e o açúcar no caldeirão ou tacho.
- Leve ao fogo e deixe soltar a água da abóbora.
- Mexa só no começo para não queimar o açúcar do fundo, e depois deixe a abóbora cozinhar na própria água. Mexendo de vez em quando.
- Quando furar com o garfo e sentir que está macio tire um pouco num pires e tente amassar. Experimente. Se ficar daquele jeito de doce de abóbora está pronto! É só ir drenando para uma outra vasilha com uma escumadeira. É bem rápido o preparo desse doce. Não cozinhe muito, se não perde o gosto característico tão bom...
- É muito bom servido com queijo, bolo, requeijão. Até com vinho quente (quantão aqui no sul), como fosse uma calda, eu comi e é muito bom! Mil e uma invencionices... =)

Geleia
Preparo

Sabe o caldo que sobrou do doce?
Dá uma dó enorme de jogar fora. Só o cheiro desse caldo atiça o estômago. Eu costumava fazer bolos de liquidificador com um copo desse caldo, que é pura essência de abóbora, até que pensei em outra coisa: geleia. Meu esposo disse que seu pai lhe contara que se esse caldo fosse depurado no fogo com um pouco que fosse, meia xícara do doce pronto, daria uma deliciosa geleia.


Clique para ver ampliado!

Meus olhos estrelaram. E fiz o experimento.
Ficou maravilhoso! Não tem como descrever, só provando mesmo.
Levou algumas horas no fogo, mas valeu a pena. Rendeu vários potes grandes. Dá para comer com bolacha de água e sal, pura, torrada, bolo... Aliás, inventei um bolo pra comer com a geleia. Queria um que fosse pouquíssimo doce, já que a geleia em si... é doce!

Vamos lá!
Dei esse nome ao bolo porque é a marca do iogurte, pouco conhecida em outras regiões, mas delicioso e com um preço acessível aos consumidores. E também acho esse nome muito lindo... Vocês imaginam.

Bolo Carolina

Ingred.:
- 1 pote de iogurte de morango (esses da bandejinha mesmo)
- 2 desse pote de leite B (pode ser o da caixinha, mas eu sou chata com leite e não confio mais neles desde o tempo do formol e o escândalo das marcas líderes!)
- 1 desse pote de óleo
- 1 desse pote de açúcar
- 3 ovos (usei caipira *-* das galinhas daqui de casa mesmo, nem acredito)

Bater tudo no liquidificador e, numa vasilha a parte, peneirar:
2 e ¹/2 xícaras de farinha de trigo
com 1 colher de sopa bem cheia de fermento em pó.

Acrescentar aí a mistura do liquidificador, misturar bem, acrescentar 1 colher de sopa de essência de baunilha, e misturar até tudo ficar homogêneo.
Levar a assar em forma untada, dessas de furo no meio ou de fazer pudim, em forno brando (180 – 200ºC).
O bolo não fica seco nem molhado. Fica perfeito para se comer com geleias e caldas. Quanto a geleia, se açucarar é por causa do inverno. Se acontecer isso, na hora que for comer leve por 20 – 30 segs. no microondas, varia de cada um. Ou numa leiteira com água fervendo, em banho-maria.

Espero que alguém aproveite tudo isso, porque é bom demais dividir com os outros, o que nos fez felizes, como doces e culinárias me fazem.


Aline Negosseki Teixeira - 16h14min


Comentários

  1. Olá, Aline.

    Nossa, lendo esse post viajei no tempo.

    Que saudades do tempo que minha avó paterna ficava no fogão, mexendo na panela aqueles doces fabulosos. Seja de mamão verde, abóbora, moranga, laranja, banana, goiaba, etc.

    Ai, meu Deus! Toda vez que fazia era aquela festa, aquele aroma impregnava o ar e era uma delícia.

    Saudades daquele tempo.

    Não podemos comer muito doce aqui em casa, mas de vez em quando bate uma vontade e minha mãe faz doce de abóbora com coco ou doce de banana, que é uma delícia.

    Não é nada comparado a esses doces industrializados, como você mesmo citou. Nada melhor do que sentir o sabor real da própria fruta, que a natureza encarregou-lhe de dar.

    É uma perdição come-los com bolachinha, com um queijinho branco, etc. Oh, perigo! Lá se vão nossas dietas. (risos).

    Você contando sua história, lembrei-me muito de minha avó paterna e das histórias que minha mãe conta quando ela viveu no interior, onde sua irmã fazia cada coisa deliciosa. Biscoitinhos de polvilho, aquelas bolachinhas com goiabada dentro, doces de todos os tipos e tamanhos, em caldas, com a casquinha em cima, sequilhos, pães de tudo quanto era jeito, figos em calda...

    Se eu falar tudo vou longe.

    Adorei suas receitas e desse bolo não conhecia.

    Obrigada por compartilhar conosco essas delícias!

    Beijos.

    ResponderExcluir
  2. Fiquei com água na boca!
    Parabéns pela postagem.

    beijos

    www.aliradeorfeu.blogspot.com

    ResponderExcluir
  3. Sei bem o que você quer dizer com 'comível'!!!! Eu também já fiz muito essa experiência procurando doce de abóbora e a maioria não recebeu nem esse adjetivo...
    Nunca experimentei rechear os canudinhos mas parecem deliciosos!!

    Beijos

    ResponderExcluir
  4. Ei Aline! É o tipo de receita que fala de tradição, nossa, como é bom pensar em mesa cheia de sorrisos, compartilhar sabores, doces e gostosuras, puxa, tão simples e ao mesmo tempo uma dádiva. Alimento para o corpo, alimento para a alma... Quero fazer! Bjsssssss

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Oficina de Haicai - Escola Rural Caetano da Rocha

No dia 26 de Setembro mediei mais uma proveitosa Oficina de Haicai. Que satisfação! Participaram crianças entre 5 e 11 anos, conheceram o Haicai ou Haiku, o qual como eu esperava jamais haviam falar, e foi, como esperava, uma experiência maravilhosa. Quando eu cheguei em casa eu estava tão deslumbrada com o resultado, com o brilho que acendeu-se nos olhinhos das crianças, que escrevi o seguinte: "Só tem uma coisa que eu quero fazer na minha vida profissional e o farei com todo meu amor, sempre e sempre: incentivar crianças (grandes ou pequenas) a não só lerem e escreverem, estarem em contato com a arte literária, como se abstraírem  para a poesia... a poesia quem em tudo está! Foi maravilhosa a Oficina de Haicais que mediei hoje na Escola Rural Caetano da Rocha! O que era aquele brilho nos olhos das crianças quando me despedi delas?... ♥"  26 de Setembro  de 2012, 18h09min A bela lua encimava o dia, e nisso não há contradição, assim ela quis nesse di...

As Artes e o Processo Criativo

Frederick Leighton Inglaterra 1830 - 1896 O estilo desse pintor é o 'Acadêmico'. Embora meu estilo predileto seja o impressionismo de meus queridos Renoir, Mary Cassat e Berthe Morissot, eu não deixo de admirar o sentimento com que tantos gênios impregnaram a arte plástica nas mais variadas escolas artísticas. Todas elas grandemente, profundamente, suspirosamente me inspiram para escrever. Vamos olhar cuidadosamente para cada tela? O que sente, o que imagina, para onde seu pensamento 'viaja' com cada uma das telas? "Casado" A acima me faz pensar no rei Davi. "A lua-de-mel de um pintor." Essa pintura do artista e sua esposa me dá ensejo para mil fantasias que eu poderia tornar em enredos. Históricos, claro. ;) Como mil questões passeiam em minha mente quando me deparo com qualquer manifestação artística, as respostas acontecem artisticamente na literatura... a arte com a qual mais me identifico desde ...

Lançamento! Um Farol Para Meu Amado - Novela

Uma surpresa que venho preparando para vocês, leitores e leitoras! Escrevi essa novela em 2010 e estive ultimamente preparando-a para uma publicação exclusiva para mídias digitais, inclusive PC. Espero que gostem... A história de Luís e Ana me faz literalmente andar por onde eu ando, porém num outro tempo! Um tempo em que amar demais não era exagero, era esmero! Um abço a todos, Aline! ;* “O que ilumina a jornada daqueles que se aventuram a amar? Há aqueles que diriam: a fé.”  Aninha nunca se esqueceu de Luís, seu amor de adolescente, que deixou a fazenda Simão para nunca mais voltar e lhe dar um de seus inigualáveis sorrisos. Sedenta em conhecer outro modo de viver, ela deixa aos 16 anos a Colônia em que nasceu, no interior do Paraná para, um enigma que não revela a ninguém, buscar uma faísca de destino no tempo. Em pleno período da Segunda Grande Guerra, ela vai para a Capital estudar enfermagem, na esperança de reencontrar seu grande amor que, an...