Dia dos Namorados
Amanhecera um lindo dia ensolarado.
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| O Beijo, Francesco Hayez, 1859 |
Naquele encontro que poderia se tornar corriqueiro, depois do despertar em que ele já se retirara, algo entre o olhar risonho e doce de mel e a pergunta afetuosa que lhe fez encheu seu coração de alegria. Um momento curto, mas tão grande, tão intenso, tão infinito para ela.
Que homem no mundo já lhe deu mais amor que ele?
Ele a ouvia reclamar tímida há semanas.
Lavar as louças sujas com aquela água que vinha mais gelada que a do refrigerador, no inverno do planalto sulista, parecia partir seu âmago em mil pedacinhos. Até perdia a sensibilidade do tato. Ficava pensando em Ana Terra, tendo de quebrar a superfície da sanga para lavar roupas... Agradecia a Deus por ter máquina de lavar, e poder trabalhar sob um teto, com as janelas fechadinhas. Afinal, tanta gente que num frio desse enfrentava coisa pior. Ela não era feita de açúcar, era? Assim, enfrentava o dissabor e realizava a tarefa, sem nem imaginar que a solução viria breve.
Naquela manhã de sol gostoso, frio convidativo, véspera de Dia dos Namorados, ele lhe perguntou, um tanto ressabiado o que ela gostaria de ganhar. Como assim? Ela não entendia. Iriam à noite ao encontro de casais e pediram, em segredo, que os namorados comprassem uma lembrancinha para as namoradas que seria entregue depois de alguma declaração pública de amor. Não que tivesse de ser assim. Ele quis que fosse assim. Mesmo que aquecesse seu rosto, ou tremulasse sua voz, diante de todos aqueles olhos expectantes que o assistiram, mais tarde naquela noite.
— Pensei em te dar uma torneira elétrica... mas não sei... tive receio que você ficasse brava... dar algo assim na frente de todos.
Os olhos dela certamente brilharam feito estrelas. Ela pulou em seu pescoço e exclamava que era exatamente isso que queria, e não tivera coragem de pedir. Conhecia a situação. Ele nem precisava perguntar, ora! Era isso mesmo que mais precisava naqueles dias tão friorentos e gélidos.
— Achei melhor perguntar! Não queria te magoar... — ele dizia sorrindo da alegria dela. — Depois você não gostava de receber isso, ainda na frente de todo mundo...
Ela gargalhou, pensando que a pequenina granja que montaram havia uns meses finalmente dera o primeiro fruto. Um ovo. O esperado ovo. Ela disse-lhe que, se saiu contando para o vento e o mundo sobre sua alegria por causa de um mísero ovo, haveria de se envergonhar em ganhar algo para o bem estar de seu lar, para seu conforto, algo que ele observou? Como ela adorava que ele a sondasse, observasse! Com isso, ele fez fogo em seu coração porque sabia que era exatamente daquilo que ela precisava.
Não foi só o presente. Os momentos vividos foram tão perfeitos que ecoaram, como os círculos d’água que uma pedra jogada num lago gera, muito tempo depois. Aliás, nunca findando. Mas indo se unir ao próximo pico sentimental que se criaria.
A vaidade passa... Sempre passou. Mas o amor, o carinho, a ternura, o fogo da paixão, são lembranças eternas.
Claro que ela não se esqueceu das vezes que ele lhe dera roupas, joias e outros mimos. Mas o fato dele ler seu coração num modo de quem esmiúça o âmago, e lê no olhar, nos gestos, nas entrelinhas, foi que escreveu em seu coração com tinta permanente.
A tinta do diálogo, da cumplicidade. A senha que o tempo e a convivência cria entre os casais que encontram o ponto comum. Aquela maturidade, que não se esquece das bênçãos de ser infantil. E basta aquele olhar (de mel, no caso) para que os amantes se comuniquem.
Não foi a água quente da torneira no gelado do inverno do sul. Não foi o calor da sopa amorosa que tudo ocasionou.
Foi o amor, que tudo crê, que os envolveu na aura que se estende por todos os dias que partilham, e a energia infinita que os envolve, costurando-os nesse amor infinito: Deus.
Amar é querer estar preso por vontade, diria Camões.
Aline Negosseki Teixeira — 21h47min, 13.06.2011

Muito lindo mesmo esse texto. Gostei muito do seu espaço, já te sigo. Se puder visite meu espaço poético. Beijos
ResponderExcluirhttp://ventosnaprimavera.blogspot.com
Adorei o teu conto.
ResponderExcluirAos poucos estou voltando a apreciar as belas coisas da vida, como este seu espaço maravilhoso. Você bem sabe o motivo...
Esse conto me fez lembrar meu marido rsrs. Ele sabe do meu sofrimento no frio, por não ter uma máquina de lavar, apenas a lavadora que não torce a roupa.Disse que vai me dar uma máquina de presente e eu fiquei brava. Depois do teu conto vou rever isso kkk.
Beijos! Fique com Deus!
PS: não esqueci do teu livro.
Adorei as palavras.
ResponderExcluirTocaram fundo o coração.
É a simplicidade do dia a dia que preenche os corações.
A troca de olhar, a mão nas mãos. Um toque de carinho.
Que o amor cresça mais e mais para que testifique a presença de Deus em suas vidas.
Continue assim, sendo uma criança sempre.
AMEI o conto *-*
ResponderExcluirO Amor é mesmo LINDO! Como é bom cultivar certas coisas que geralmente são mais fortes no começo do namoro, como aquele receio de magoar e a vontade de agradar o amado nos menores detalhes *Suspira*
E esses é que devem ser os verdadeiros motivos de se comemorar o Dia dos Namorados, a simples razão de perceber o quanto o outros nós é especial!
Os mimos que chegam são apenas detalhes...
PS: Eu já disse por aqui e repito, acho que Você e o Matheus formam um casal belíssimo!
Abraço beeeem apertado e cheio de saudade! É muito bom poder estar de volta :D
:*
Danny sua sumida! :(
ResponderExcluirEstou com um bocado de saudades sua, deixei-lhe um recado no orkut já faz algum tempo e você não me mandou notícias...
Aparece mais.
:*
Bem vindo Arnoldo =)
ResponderExcluirEm breve visitarei seu espaço!
Só o nome é um sopro de poesia...
Obrigada pelo convite e fico feliz que tenha gostado do texto.
Danny,
eu sei seus motivos e tenho tanta saudade de vc!
Como a Ialy disse, sumida mesmo. Mas temos todos esse momento. Há um tempo para tudo, não é!
Fiquei felicíssima sobre "as coisas belas da vida" e mais ainda que o texto falou ao seu coração. Eu te disse, não foi? Quando fala do coração, fala da verdade. Que nós saibamos entender e aceitar os gesto de infinito amor que nossos amados têm para conosco.
Oro para que vcs sejam cobertos de cuidado e bênçãos! beijinhos.
Inajá,
obgada... emmbora toda sabedoria e força venham de Deus, como é bom, conhecer alguém como vc que, com suas sábia palavras, sempre me dando forças, me dando segurança que ando num caminho certo, sentir uma companhia terna, ainda que distante.
bjs
Ialy!!!
Eu sabia que ia gostar. Estava só esperando que lesse *-*
A romântica esterna, Ly!
Eu tmb concordo com vc. Comemorar, celebrar o amor é isso! Mimos são detalhes, que, na sabedoria dos anos, até se tornam esquecíveis. Mas o olhar, a palavra doce ou de alento, o cuidado em saber o que o outro está passando nunca é apagado. A paixão e o romantismo continuam mesmo depois do "sim", e tudo isso nos dando a certeza do eternamente. =')
belíssimos como vc e seu amado!
Tmb estava com saudade e fico master feliz que voltou! *abraça*
;*
Você está cada vez nais desenvolvendo sua vocação irresistível. Escever como você o faz, não é apenas se comunicaar com Deus para prestar contas de onde se encontra a humanidade e sua inteligência, em plena Evolução: é dizer aos outros homens que você foi Escolhida como traço de união. De um lado, Deus; do outro a humanidade.
ResponderExcluirEis o destino de Aline. Se tentar fugir, ele a persseguirá até os confins do Universo.
Saudades sempre de suas palavras e seus pensamentos...
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