"Ler não é, pois, tão simples quanto decifrar na página do livro didático, de respostas prontas; para quem soubesse, de fato, ler/ser, estudar se assemelharia a um jogo instigante, exercício lúdico a incitar a criação lúdica." (Eliana Yunes, Calli, 1999)
Um bom lugar...
Você já idealizou como seria o lugar perfeito para passar a vida?
Bom... Como já dizia a Serafina, da Fernanda Porto, aqui em outras palavras, as palavras possuem um sortilégio...
Bom, bom, bom... Você já parou para se perguntar o que, profundamente, significa essa palavra "BOM"?
Do meu Larousse, Ática:
BOM 1. Que tem as qualidades que convêm à sua natureza ou destinação; útil. 2. Honesto, honrado. 3. Que gosta de fazer o bem; caridoso. 4. Que tem aptidão profissional; competente. 5. Indulgente, afetuoso. 6. Feliz, favorável. 7. Violento, forte. 8. Saboroso, delicioso. 9. Seguro, garantido.
Você já conheceu alguém que fosse bom? Você mora num bom lugar? O mundo que você compartilha com outras 6 bilhões e mais tantas almas, é bom?
Como você contribui para que seja bom o mundo?
Mais que o significado bem amplo de uma palavra num dicionário, o valor de bom evoca argumentos e devaneio filosóficos, sentimentais, de vida...
Só sabemos e amamos o que é bom, quando conhecemos o seu oposto:
MAU 1. Qua causa mal ou prejuízo. 2. De qualidade inferior; malfeito. 3. Que traz infortúnios; funesto. 4. Que se compraz em fazer sofrer; malvado, perverso. 5. Que não executa bem suas tarefas. 6. Incoveniente, importuno. s.m. 1. Tudo o que é mau. 2. Pessoa má.
Pode parecer um pouco maquineísta, mas a verdade é que somos e temos prazer no juízo, de bem e mau. Dia após dia julgamos não só a nós mesmos, mas o mundo que vivemos. E, tendo experimentado todo tipo de sentimentos, idealizamos como e onde seria bom viver. Ou seria delírio coletivo desejar viver num mundo sem dor e injustiça?
Não há fronteiras para os sentimentos dos seres humanos.
Alegria, medo, esperança, dor, revolta... Toda carne que cobre o globo está condenada a conviver com isso e mais. Ninguém pode fugir dos próprios sentimentos e do efeito dos sentimentos alheios.
Não é um idioma ou fenótipo que desfaz nossa irmandade, dividimos tantas, tantas coisas... Nenhum exército, lei, pode conter as águas, o ar, o vento! Contudo nos fragmentamos e irmãos se matam por diferenças culturais e ódios velados. Vocês nem imaginam as coisas que me entristecem, e evito de falar, só para não aborrecer, só para não chorar... Porque as coisas me parecem ainda mais profundas e palpáveis quando as escrevo?
Bem, comecei a fazer um curso semana passada. Mediação de Leitura em Ed. Infantil. A primeita aula me deixou simplesmente encantada (como repito isto!). O espaço físico das casas de leitura de Curitiba é um sonho, e eu desejei, naquele dia, que cada cidade brasileira (passam de cinco mil, não é?) tivesse pelo menos uma como ela. Mas falarei sobre isso em outra ocasião. Apenas guardem aí que é bem como uma casa, uma casá de avó de história!
Lemos um texto, um ensaio sobre leitura. E me senti nos tempos de faculdade, em que mergulhávamos em experiências de autores como Rubem Alves, Gilberto Dimenstein, Emília Ferreiro... Mas aproveitei um deslumbramento ainda maior. Porque hoje me sinto mais envolvida e em relacionamento com o mundo infantil. Por causa da minha filha e com meu ingressar no mundo literário infantil que, se apenas engatinha, descortinou um mundo maravilhoso diante dos meus olhos. Tudo que eu sentia ao ler um livro aos 8, 9, 10 anos de idade, maximizado pelo olhar analisador de Anna Carolina (quem lê agora e já me leu entenda).
Mas esse texto foi especial.
"Leituras, experiência e cidadania", da Eliana Yunes.
A professora contextualizou com o filme dos ratinhos, aquele, The Tale of Despereaux, e sentimos a leitura do tudo, os sentimentos, os SENTIMENTOS, o medo ao diferente, ao controverso das personagens. Enfim, ver filme infantil é bom demais em qualquer idade, ainda mais se olhamos com "aquele olhar". Olhar de quem desprentensiosamente a n a l i s a... Mas saboreia.
Só que especial ainda mais, não me foi o filme. Foi a crônica com que a autora do texto, Eliana Yunes, arrematou seu forte argumento em favor da leitura em todas suas faces, justificava e dissecação.
Saibam, teve lágrimas. Não foram só as minhas.
E imaginem aí uma leitura em voz alta (não a minha voz), a mente (minha mente) criando as imagens, e o oscilar da voz serena naquele repente incontrolável de emoção. Sim, ali estava não o espinho da carne, mas a peste fria que assola-nos. O mau.
Será que ninguém nota o mau que toma conta do mundo, em como esse mau se mascara com zombarias, em como colocam, todo começo de ano, deliberadamente, as pessoas num picadeiro para se engalfinharem nos piores sentimentos que o ser humano pode vivenciar? E a família, mais perfeita, antiga e sagrada instituição terrena vai sendo relegada ao desprezo, ao escárnio, ao desmantelar-se. Isso fica em aberto, assunto para outro post, talvez, um dia...
E eu precisava, eu preciso... dividir.
Por isso vou transcrever aqui e espero que alguém leia, para saber se alguém, por aí, também divide comigo, conosco, essa dor, que também é a do autor.
Al borde del 3º Milênio
Eduardo Galeano
Ya esta naciendo el nuevo milenio. No da para tomarse el asunto demasiado en serio: al fin y al cabo, el año 2001 de los cristianos es el año 1379 de los musulmanes, el 5114 de los mayas y el 5762 de los judíos.
El nuevo milenio nace primero de enero por obra y gracia de un capricho de los senadores del imperio romano, que un buen día decidieron romper la tradición que mandaba celebrar el año nuevo em el comiezo de la primavera; y la cuenta de los años de la era cristiana proviene de otro capricho: un buen día, el papa de Roma decidió poner fecha al naciemiento de Jesús, aunque sabe cuándo nació.
El tiempo se burla de los límites que le inventamos para creernos el cuento de que él nos obedece; pero el mundo entero celebra y teme esta frontera. Una invitación al vuelo, milenio va, milenio viene, la ocasión es propicia para que los oradores de inflamada verba peroren sobre el destino de la humanidad, y para que los voceros de la ira de Dios anuncien el fin del mundo y la reventazón general, mientras el tempo continúa, calladito la boca, su caminata a lo largo de la tentación de preguntarse cómo será el tiempo que será. Y vaya uno a saber cómo será.
Tenemos una única certeza: en el siglo veintiuno - si todavía estamos aquí, todos nosotros - seremos gente del siglo pasado y, peor, seremos gente del pasado milenio. Aunque no podemos adivinar el tiempo que será, sí que tenemos, al menos, el derecho de imaginar el que queremos que sea. En 1948 y en 1976, las Naciones Unidas proclamaron extensas listas de derechos humanos; pero la inmensa mayoría de la humanidad no tiene más que el direcho de ver, oír y callar. Qué tal si empezamos a ejercer el jamás proclamado derecho de soñar? Qué tal si deliramos, por un ratito?
Vamos a clavar los ojos más allá de la infamia, para adivinar otro mundo posible: el aire estará limpio de todo veneno que no venga de los miedos humanos y de las humanas pasiones; en las calles, los automóviles serán aplastados por los perros; la gente no será manejada por el automóvil, ni será programada por la computadora, ni será comprada por el supermercado, ni será mirada por el televisor; el televisor dejará de ser miembro más importante de la família, y será tratado como plancha o el lavarropas; la gente trabajará para vivir, en lugar de vivir para trabajar; se incomporará a los códigos penales el delito de estupidez, que cometen quienes viven por tener o por ganar, en vez de vivir por nomás, como canta el pájaro sin saber que canta (lembrança minha: olhai os lírios dos campos, os passários do céu, não fiam, tecem ou ajuntam em celeiros...) y como juega el niño sin saber que juega; el ningún país irán presos los muchachos que nieguen a cumplir el servicio militar, sino los que quieran cumplirlo; no llamarás nivel de vida al nivel de consumo, ni llamarán calidad de vida a la cantidad de cosas; los cocineros no crerán que las langostas les encanta que las hiervan vivas (minha utopia: e os bois, as ovelhas, cachorros, aves muito mais trarão alegrias vivos que mortos); los políticos no crerán que a los países les encanta ser invadidos; los políticos no crerán que los pobres les encanta comer promesas; la solemnidad se dejará de creer que es una virtud, y nadie tomará en serio a nadie que no sea capaz de tomarse el eplo; la muerte y el dinero perderán sus mágicos poderes, y ni por de función ni por fortuna se convertirá el canalla en virtuoso caballero; nadie será considerado héroe ni tonto por hacer lo que cree justo en lugar de hacer lo que más le conviene; el mundo ya no estará en guerra contra los pobres, sino contra la pobreza, y la industria militar no tenderá más remédio que declararse en quiebra; la comida no será una mercancía, ni la comunicación un negocio, porque la comida y la comunicación son derechos humanos; los niños de la calle no serán tratados como si fueran basura, porque no habrá niños de la calle, los niños ricos no serán tratados como si fueran dinero, porque no habrá niños ricos; la educación no será el privilegio de quienes puedan comprarla; la justicia y la libertad, hermanas siamesas condenadas a vivir separadas, volverán a juntarse, bien pegaditas, espalda contra espalda; una mujer, negra, será presidenta de Brasil y otra mujer, negra, será presidenta de los Estados Unidos de América; una mujer india gobernará Guatemala y otra, Perú; en argentina, las locas de Plaza de Mayo serán un ejemplo de salud mental, porque ellas se negaron a olvidar en los tiempos de la amnesia obligatoria; la Santa Madre Iglesia corregirá las tablas de Moisés, y también dictará otro mandamiento, que se había olvidado a Dios: "Amarás a la naturaleza, de la que formas parte"; serán reforestados los desiertos del mundo y los desietos del alma; los desesperados serán esperados y los perdidos serán encontrados, porque ellos son los que se desesperaron de tanto esperar y los que se perdieron de tanto buscar; seremos compatriotas y contemporáneos de todos los que tengan voluntad de justicia y voluntad de belleza, hayan nacido donde hayan nacido y hayan vivido cuando hayan vivido, sin que importen ni un poquito las fronteras del mapa o del tiempo; puede que la perfección siga siendo el burrido privilegio de los dioses; pero en este mundo chambón y jodido, cada noche será vivida como si fuera la última y cada día como si fuera el primero.
***
Cansa a alma vislumbrar o paraíso descrito pelo cronista uruguaio, e saber que a realidade é ainda mais dura que em 2001. As esperanças nulas, em se falando de homens, instituições e governos. Cansa a alma saber que houveram tantas mentes que riscaram o mundo em que gostaríamos de viver, mas que a ganância é maior que o amor, e os ouvidos, ora mesmo dos simples, se trancam para não escutá-los. Porque importa mais o folgar individualista e não se dá educação a fim de que não se pense.
O texto me emocionou. E aqui estou eu dividindo-o. Esse texto? Terrível, com diz o Dr. Adhemar.
Não terrível em sentido de ruim. Terrível de profundo e bom, cutucando fundo nas feridas da alma.
Eu só diria a esse autor, com afeição e na minha ignorância de pouco estudo, que não, as tábuas da lei não precisariam ser modificadas. Aliás o Messias tranformou os mandamentos, que eram 10, em 2. Deus não esqueceu de dizer que amássemos a natureza, da qual nos formou. É seu primeiro mandamento. Mandou que O amássemos acima de todas coisas e, se o amássemos de verdade, e em plenitude, jamais destruírimos tal obra, de absoluta perfeição, que nos deu para nos regozijarmos, partilharmos e administrarmos. E se amássemos ao próximo como a nós mesmos não suportaríamos vê-los morrer de fome, tristeza e veneno - literal e da psique. Não tiraríamos sua vida, sua saúde, sua esperança mesmo antes que venha a nascer.
É o ser humano que tiraniza Deus. Ele é misericordiosio e infinitamente mais sábio que possamos compreender.
Cansa a alma pensar no tempo que tudo ainda pode levar a ponto de nos fazer indagar se vale a pena deixarmos descendentes, mas sabem? Mesmo assim... Mesmo com tudo que se passa no mundo que as mídias de notícia não cansam de jogar em meu rosto, eu sei que um dia haverá (e talvez já haja) um lugar assim, como o do texto, para quem quiser, poder entrar de graça e viver nele pelo incompreensível tempo da eternidade.
Lembrem-se, tudo que é bom e duradouro é trabalhoso de se conseguir, de se merecer.
E você, eu, todos, temos o dom da escolha.
Ora, se até as formigas o sabem, e trabalham, incansavelmente a despeito de qualquer fator que as barrem, e não têm preguiça de trabalhar por isso, pela comida e o conforto da sociedade no formigueiro, porque nós, arrogantes seres "racionais", haveremos de nos desanimar?
Assim que aquele que se bendisser na terra, se bendirá no Deus da verdade; e aquele que jurar na terra, jurará pelo Deus da verdade; porque já estão esquecidas as angústias passadas, e estão escondidas dos meus olhos.
Porque, eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá mais lembrança das coisas passadas, nem mais se recordarão.
Mas vós folgareis e exultareis perpetuamente no que eu crio; porque eis que crio para Jerusalém uma alegria, e para o seu povo gozo.
E exultarei em Jerusalém, e me alegrarei no meu povo; e nunca mais se ouvirá nela voz de choro nem voz de clamor.
E edificarão casas, e as habitarão; e plantarão vinhas, e comerão o seu fruto.
Não edificarão para que outros habitem; não plantarão para que outros comam; porque os dias do meu povo serão como os dias da árvore, e os meus eleitos gozarão das obras das suas mãos.
Não trabalharão debalde, nem terão filhos para a perturbação; porque são a posteridade bendita do SENHOR, e os seus descendentes estarão com eles.
E será que antes que clamem eu responderei; estando eles ainda falando, eu os ouvirei.
O lobo e o cordeiro se apascentarão juntos, e o leão comerá palha como o boi; e pó será a comida da serpente. Não farão mal nem dano algum em todo o meu santo monte, diz o SENHOR.
A Nova Jerusalém, Isaías, 65: 17-25
Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.
Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas.
Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.
A promessa e a consolação (Jesus), Mateus 11: 28-30
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;
Promessa e consolação (Jesus) Mateus 5: 6
Aline Negosseki Teixeira -- 21h06min
Comentários
Postar um comentário