A Vida do Elefante Basílio
Erico Verissimo
postado originalmente em Poetas de Marte
Você sabe o que é biografia?
Bem, o autor, logo de início, explica de um modo lúdico o que é. E para iniciar a heroica vida do elefantinho mais fofo que já vi na literatura, ele remonta aos tempos da arca de Noé. Sim. O Erico e suas genealogias... Irresistíveis genealogias...
Os antepassados de Basílio, o protagonista do mini enredo, foram mesmo aqueles que com Noé e sua família, embarcaram para salvar os paquidermes de tromba da grande destruição pelas águas.
Sabem o que é engraçado? Fiquei imaginando ao ler, e depois lendo em voz alta para a Sarah Piúla, as personagens conversarem em gauchês! Como não “ouvir” o sotaque quando lemos algo que o Erico escreveu?
Depois o tempo passa bem depressa, e o tataraneto do tataraneto, do bisneto do tataraneto e etc do casal de elefantes que entraram na arca é o pai dum elefantinho roliço, engraçadinho, que vem a luz em plena selva indiana.
Então é narrada de forma muito clara e nítida para a imaginação a infância, a adolescência do elefante que ainda mal começou a viver suas aventuras. Chega a ser engraçada as recomendações que o pai elefante faz a seu filho sobre os cuidados que deve tomar com os animais da selva e, com o pior de todos, o humano está entre os piores na “lista temível” para a manada de elefantes.
Eles capturam, arrancam as presas, e podem fazer todo tipo de horror.
E nosso herói já está adulto quando se afasta da manada e vai parar no fundo de um buraco. Passa um medo... morremos de dó dele. A Sarah tem grandes olhos castanhos brilhantes e pude ver que ela sentia a aflição por “ver” o já seu amiguinho preso no fundo escuro.
No outro dia ele acorda sendo erguido por cordas.
Fica sem suas belas presas e a Sarah sofreu um bocadinho quando ouviu eu narrar esse trecho. Ainda por cima, eu faço um drama, entonando os fatos e dramatizando tudo...
O elefante, vendido, vai parar num zoológico em Londres e gostei muito da postura otimista que ele teve, baseado nos ensinamentos de seu pai. Quando se sabe que não adianta de forma alguma controverter ante uma situação, ao menos que se tente tirar aprendizado disso.
Há lá um hindu que entende elefantês e ensina nosso amigo a falar inglês e ele já se sente até feliz com a presença constante das crianças, amendoins, torrões de açúcar... quando é vendido para um circo português.
Lá ele aprende a fazer números, e ganha um nome: Basílio.
Basílio fica feliz com seu nome cristão e sente muita saudade de casa, da família. Mas é um pouco feliz ali, com seu amigo Tristeza, o palhaço!
O Circo viaja para o Brasil, para o Rio de Janeiro. Basílio sofre como o quê na viajem, mas se emociona com a beleza carioca quando a trupe chega ali.
Na noite de estreia acontece o inesperado: entre a efusão maravilhosa da noite de espetáculo, Basílio entrou para apresentar seu número, quando vê ao longe um menininho pulando e gritando em desespero para seu pai para que lhe comprasse aquele elefantão! Basílio distraiu-se e só sei que logo o circo estava pegando fogo, uma algazarra tremenda de correria e fuga e gritos.
Basílio que só tinha olhos para o menininho salva-o em seu choro do pior, e se torna o herói da noite.
O pai do garoto, que é milionário, compra logo Basílio para o filho e o leva para casa, que é uma mansão. Basílio ganha não só um fiel amigo, mas um quarto, um rádio (esse livro deve ter sido escrito na era do rádio *-*) e todo o tempo livre para fazer ginástica, porque se acha gordo, comer amendoim e ir ao cinema.
E até recebe aulas de Português.
Um dia Basílio vê pela janela, em minha opinião esse é o trecho mais lindo da história, uma borboleta a voar, flanando com sua beleza excelsa de rainha dos insetos e ele fica condoído, comovido, tanta é a beleza e a graça que vê diante dos olhos.
Quando encontra Gilberto, o menininho, Basílios diz a chorar:
“Quero ser baaarbuleta...”
Oooounnnnn *---*
Barbuleta? Morri do coração, e a Sarah também, de tanto achar terno. Imaginei perfeitamente a cena de um elefante falante, choramingando para seu “amo” desejando o impossível com tanta emoção.
Basílio se acha grande demais, desajeitado e quer ser belo e simples como uma borboleta. Mas Gilberto insiste que ser elefante é ainda muito melhor que borboletear, mas e quem convence nosso herói disso?
A borboleta, ser borboleta, já estava marcada em seu coração.
Naquele mesmo dia, quando todos dormiam pela tarde, ele saiu desesperado para o campo, pensando em seu infortúnio elefantístico, ansiando borboletícies...
Encontra um ser, digamos, estranho, e não vou entregar as pequenas emoções... mas Basílio se torna, acreditem!!!, uma borboleta. Porém, não como imaginava. Ele continua elefantão, com enormes asas de borboletas que lhe saem pelas costas.
Ora, é melhor que coisa nenhuma!
Vocês imaginam o que acontece quando enlevado com sua recém borboletície, ele tenta pousar numa flor?
Mas essa ainda não é a última peripécia pela qual ele passa. Depois, magoado por uma lagoa zombeteira, ele acaba chumbado, estropiado num hospital... ôôôôô dóóóó que eu tive, que a Sarah teve!!
Bom, resumi um pouco no final porque o post está ficando grandão.
Vocês acham que é pouco uma garotinha de 5 anos ficar entretida por “longas” 24 páginas de leitura (sem uma ilustração sequer), em velhas páginas de papel jornal, querendo e querendo saber o que vem? Por uma história publicada em 1957?
Já temos aqui em casa 3 cachorros, uma ovelha, 5 galinhas, um marreco, um gato, um vaga-lume, trocentas formigas, lagartixas e aranhazinhas de estimação. E sabem o que deu vontade máxima depois de ler A Vida do Elefante Basílio?
Ter um elefante aqui em casa! *-*
A-hã. Eu queria.
Eu disse:
“Sarah, que tal se a gente pedir para o papai comprar um elefante?”
Ela, entre um pulo empolgado e uma verdadeira esperança:
“Ebaaaa!”
Espero que tenham gostado! Esse livro que é para toda idade tem muito a divertir, enternecer e ensinar.
Beijos e um fim de semana abençoado a todos...
Leia A Vida do Elefante Basílio em: Gente e Bichos, VERISSIMO, Erico, 4.ed. – São Paulo: Globo, 1996
Aline Negosseki Teixeira -- 20h52min

Inspiradíssima!
ResponderExcluirLi de um só fôlego: é uma pena que não tenha aqui o livro para ler agora.
Borboletícies? Isso já é um dueto: Erico cria a historinha e você cria em cima para contá-la!
Beijos e ótimo fim de semana
Sabia que vc ia gostar!! =D
ResponderExcluirque bom que leu!
Procure no sebo, que vc vai adorar! ele dialoga com o leitor durante a narração, incrível!
ah, já vi uma vez uma versão ilustrada, na livraria...
O Erico só faltou escrever suas "poesias" em verso, aiai
bjs e feliz dia das mães para vc!...