Livros de Poesia...
Postado originalmente em Poetas de Marte
Aprendi a amar poesia por conta minha, quando achei um livro cheio de poemas encantados do reino de Goiás. Tinha 8 para 9 anos. Foi numa estante aborrecida de livros de Direito. Naquele dia, versos em cadência se tornaram importantes para mim como todas as tribos necessitam de música.
Mas esse destino não busca, infelizmente, por sua conta, todo mundo. Por conta disso, por conta daqueles que não foram afetuosamente apresentados a poesia, algumas vezes, nós que fomos, poderemos escutar de alguém uma farpa ou comentário preconceituoso sobre poesia.
No mais, eu tenho pena pela diversão e aprofundamento interior que essas pessoas estão perdendo.
Sempre há tempo, não importa a idade, para iniciar uma relação fraternal com os versos.
Até meu esposo, odiando poesia, porque essa lhe era na idade escolar algo imposto, cobrado e, naqueles declames obrigatórios (sem cola) até motivo de suor frio, passou a gostar depois de mim. E agora aprecia ouvi-las. Para pensar... ou para, mesmo, ser ninado, já que diz que minha voz é um sonífero.
Tenho a impressão quase no sangue que a literatura começou na poesia... Quando a literatura estava ainda, somente nos lábios das gentes.
Se um livro de Cora não sai a caça dos leitores, é papel dos adultos que já foram laçados pelo maravilhoso gosto por poesia, apresentá-la aos pequenos leitores. E mostrar, que não há um só modo de tê-la/fazê-la.
O livro de que falo hoje, como vocês podem ver na bela capa, é de Tatiana Belinky, Um Caldeirão de Poemas (Companhia das Letrinhas). Peguei-o para a Sarah, na casa de leitura, lá em Curitiba.
É mesmo um caldeirão! Uma bela mistura.
Diversos autores e ilustradores diferentes.
Versos que ora parecem musicados, tanto é o ritmo, a repetição, como mesmo num estribilho, ora trazem sebedorias dum modo que mesmo uma criança pode pensar sobre elas - uma criança sempre melhor em seus juízos que qualquer adulto.
Umas poesias são bobas, só para dar risada! Tem para todo gosto.
Houve até as que não gostamos - a Piúla e eu! Elas também importam. As outras, que gostamos, se tornam ainda mais bonitas, perto de uma de mau gosto.
Ainda bem que, na arte, o juízo é algo individual.
E toda a noite ela quer que eu leia e releia, e já tem mesmo suas preferidas! Já sabe chegar na página de uma única abrida. Ainda bem que está chegando o dia de devolver! Isso é brincadeira. =) Porque, embora a Sarah ainda não saiba, penso que terei de dar um jeito de renovar o empréstimo do livro. E, embora seja difícil para nós, adultos, compreender a necessidade por repetição nas crianças... a psicologia tenta explicar. Terei de renovar o empréstimo porque descobri que essa antologia colorida (uma ilustração mais interessante que a outra) é o instrumento perfeito para o meu mais novo projeto de literatura infantil que, não demorará muito, vocês saberão qual é.
Sabem o que me vem a cabeça agora?
Poesia não é só para fazer pensar. Tem momentos, poesia é só para gente sentir a beleza das palavras.
Como são doces e gostosas umas quadrinhas infantis!
Texto da 4ª capa:
No caldeirão da maior feiticeira da literatura infantil, clássicos da poesia universal, conhecidos ou anônimos, em 62 poemas, quadrinhas, limereques, canções, parlendas, cantigas, acalantos, rimas, odes, poemetos & versinhos ilustrados por 25 artistas para divertir, emocionar e fazer pensar.
abraços aos leitores,
Aline Negosseki Teixeira -- 12h04min
Verdade, Aline... criança quer poesia! Vejo isso em todas escolas em que vou conversar com os alunos. Eles sempre declamam alguma poesia e me perguntam a respeito do meu livro de poesias.
ResponderExcluirEu me lembro de poemas que declamava há mais de 40 anos, é só eu puxar o fio da memória e eles me saem, assim, inteirinhos, com encantadoras rimas, com a suavidade lúdica de uma época de brincadeiras.
Poetizar a vida é a maneira mais sublime de estar perto de Deus. Eu creio nisso. Sempre escrevo poesias. Beijos, felicidades e a paz!