Ontem, depois que escrevi e postei, o dia se tornou ensolarado.
O céu se abriu por detrás das nuvens e tudo se tornou mais lindo.
Ainda continuo na minha alegria flutuante.
Hoje é dia do índio! Tem um índia perdida em mim, e viva, desde a minha ascendência paterna.
Será nesses genes estão minha saudade do mato, meu amor aos animais e meu encanto com silêncio dos vazios onde o vento ruge e os pássros respondem?
Ainda sobre ontem, fui a noite em um curso de literatura (Oficina de leitura) - bela oportunidade que agradeço a Marina, e a Sarah, que não está acostumada a ficar sem mamãe, enviou de longe, do fundo da sala, um beijinho de despedida. Estava feliz contornando números no livro, mas ao saber que o beijo que eu enviava era uma despedida, com um rostinho emburrado, não quis dizer nada. Silenciosa... como eu poderei sondar o que ia em sua cabecinha?
Somente olhando para mim mesma, quando estava por fazer cinco anos, como ela está, e me via separada da minha mamãe.
Quando ela chegava era como se no meio de uma própria noite de trevas o céu se abrisse e um sol de alegria surgisse no meu mundo de temores infantis com seus bichões e os "nunca mais" e "para sempres".
O Matheus me contou que a Sarah chorou por um tempo longo demais depois que saí.
E, eu sei, ela não passou tanto medo como eu passava. Ela sabia que eu ia voltar. E ela estava com seu amado papai.
Quando voltei, seu sorriso, seus beijinhos, seu abraço e seu perfume de banho fresco me enterneceram de uma maneira que meu coração só sossegou quando nos deitamos para dormir, ela perdida em meus cabelos e o dedinho coçando meu lábio: "carinho na boca" - cacoetizinho que ela tem desde que era de colo e mamava o leite materno.
Eu olho para o passado e sinto a dualidade do tempo.
Enquanto sinto que tive tudo que se poderia ter dos primeiros anos da maternidade, e que cada momento foi bebido gole a gole por meu coração, eu sinto saudade descomunal [quem aí não sabe que sentir saudade é o que sei fazer de melhor?] de cada fase em que ela ia subindo nos degraus do desenvolvimento.
Nesse ano de 2011 me tornei oficialmente professora da minha filhinha e garanto que não existe experiência mais maravilhosa e inexplicável. Mas tentarei explicar para vocês quando eu for escrever um post (ou posts) sobre a escola que erguemos aqui nos fundos de casa para ensiná-la. Também direi os motivos.
Por agora, estou escrevendo para dizer que ela está prestes a fazer 5 anos.
Em dias como esse, em 2006, eu devia estar lá em São José dos Campos, andando pela casa, ansiosíssima que ela nascesse.
Eu falava com ela mentalmente e verbalmente e, me achem doida se quiserem, de dentro do ventre, para dentro de mim mesma, ela me respondia, como ainda me responde com as colocações que me deixam toda vez sem reação.
Nesse primeiro semestre estou trabalhando com ela de maneira transdisciplinar os elementos essenciais a vida. Água, terra e, no momento, ar.
E trabalhamos com argila. Os escritor não tem tanto poder como supõe. Como capturar com palavras gráficas cada momentinho de uma coisa tão sublime como o convívio de uma mãe com sua filha?
Nem um vídeo é capaz, porque nos vídeos não se capturam aromas, toques e sabores. A memória ainda é insuperável.
E sinto bem os cheiros na minha mente: Café seleto e perfume Fleur de Cafe, Anais Anais, arruda, creme avon...
Que aromas minha filhinha sentirá a meu respeito quando for grande e estiver um pouco separada da minha alma?
Eu SEI que nunca vai sair da minha mente, do meu coração, ela vindo até mim e literalmente batendo as asinhas, piando e piando porque é meu pintinho e espera que eu lhe afague, que eu lhe guarede sob minhas asas, e faça os crós ternurentos também.
Como sei que alguém não deve esquecer de quando me cantava "Pá-tchalinho da mamãe!" Queria ter um vídeo disso.
Porque, de qualquer modo, as palavras e um vídeo são um estímulo enorme para esse precioso atributo que o Senhor nos deu: a memória.
"Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda."
João 15:16
Eu invoquei...
e hoje existe a Sarah.
Aline N. T. -- 17h31min

Comentários
Postar um comentário