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Histórias da Bíblia

Ia postar uma outra receita que fiz essa semana, que por sinal ficou deliciosa, mas um outro algo me inspirou...


Quando a Sarah fez 4 anos, em abril do ano passado, demos a ela de presente sua primeira Bíblia.
Fomos na livraria escolher e acabamos voltando com dois livros. Um era totalmente dedicado a contar a história do nascimento de Jesus. Falarei sobre ele em outro momento, porque merece um post só dele!
O outro, Bíblia Sagrada — 365 Histórias Ilustradas, conta numa linguagem acessível as mais notáveis histórias dos evangelhos.
Uma para cada dia do ano... Mas não seguimos isso. Ela escolhe as histórias que quer "ler" ou ouvir.
Escolhemos este por ser o mais fiel às escrituras e, por suas ilutrações — lindas aquarelas — nos parecerem também tão verossímeis.

As noites passaram a ser encantadoras! Quando a levamos para a caminha ela estica os bracinhos e diz que que quer "ler" histórias de Papai do Céu.
Fico comovida com as perguntas que surgem em sua linda cabecinha infantil e me lembro em como eu era, quando foi minha vez. Minha primeira bíblia (acho que a gente nunca esquece a primeira bíblia) tinha a capa amarela, com belas letras vermelhas laminadas, e se chamava "Meu livro de Histórias Bíblicas". Suas ilustrações até hoje estão, assim como seus títulos, em minha memória. Daniel na cova dos leões, Isaque obtém uma boa esposa, O primeiro arco-íris, Os doze espias, A esposa de Ló voltou-se, Um anojo visita Maria, Um novo céu e uma nova terra... etc... etc...

O livro que lhe demos, que é em capa dura, e papel de ótima gramatura, é tão charmoso que, ainda que seja direcionado ao público infanto-juvenil, atrai aos adultos e me vejo, vezes sem conta, lendo sonhadora suas histórias e depois indo relê-las na própria Bíblia para saber dos detalhes pequeninos que por ventura tenham ficado de fora.

No ano passado os priminhos da Sarah estiveram nos visitando e o livro rendeu maravilhosos momentos de alegria quando, aninhados no edredom, ouvíamos o mais velho, já alfabetizado, ler para nós algumas histórias.

Essa semana li uma história que ainda não conhecia. A história de Rute. E me vi a dizer: "Como a Bíblia sabe ser também romântica!" E fiquei pensando nos propósitos maravilhosos que o Criador trama para seus filhos, até nas histórias de amor.

Deixo aqui, para vocês leitores, o conto, e desejo de todo o coração que gostem tanto como eu.





A História de Rute
(da Bíblia Sagrada)

 

Os tempos de tristeza



Na época em que Israel era governado pelos juízes, um homem chamado Elimeleque vivia em Belém com sua esposa, Noemi., e seus dois filhos. Em um ano a colheita foi tão pobre, que Elimeleque já não conseguia obter alimento para a sua família. Por isso, foram morar em um país próximo, chamado Moabe.
Enquanto estavam lá, Elimeleque morreu. A essa altura, seus dois filhos já era suficientemente crescidos para cuidar de Noemi; quando se casaram com moças moabitas, levaram-nas para a casa de sua mãe.
Não muitos anos depois, os dois rapazes morreram. A pobre Noemi acabou ficando em uma terra estranha, sem marido nem família. Mas suas duas noras, Orfa e Rute, eram moças boas e delicadas e consolaram Noemi.
Logo Noemi teve saudade de Belém e ouviu falar que havia fartura de alimentos lá outra vez; por isso fez uma trouxa com seus pertences, e as três mulheres partiram para Belém.
Quando chegaram perto da fronteira com Israel, Noemi parou.

— Vocês têm sido muito boas para mim — disse Noemi a Orfa e Rute —, mas agora chegou o momento de voltarem para suas mães.

As duas moças beijaram Noemi e disseram:

— Nós iremos com a senhora.
— Não! insistiu Noemi. — Não posso fazer nada para ajuda-las, nem fazê-las felizes; por isso, voltem para casa agora.

Orfa beijou Noemi novamente e retomou, relutantemente, o caminho pelo qual havia chegado. ela foi se afastando lentamente, virando-se várias vezes para acenar, pois amava sua sogra.

— Agora, Rute, faça o mesmo que Orfa — disse Noemi.
— Por favor, deixe-me ir. Eu quero ficar com a senhora. Seu povo será o meu povo, e o seu Deus será o meu Deus.

Quando Noemi percebeu que Rute estava decidida a acompanha-la, não disse mais nada. Sentia-se feliz e consolada por ter o amor e o companheirismo de Rute quando mais precisava disso.





Rute encontra trabalho



As mulheres de Belém acolheram Noemi, mas ficaram tristes por verem-ma tão pobre e infeliz.
Naquele tempo, as mulheres não podiam ganhar o próprio sustento, e Noemi não tinha marido nem filhos para atenderem às suas necessidades. Mas Deus havia dado leis especiais para os israelitas, para que eles ajudassem a todos os necessitados. Os fazendeiros deveriam permitir que as pessoas pobres e famintas entrassem em seus campos e respingassem o trigo que os ceifeiros tivessem deixado cair ou negligenciado.
Quando Noemi e Rute chegaram a Belém, era tempo da colheita da cevada.

— Deixe que eu vá catar cevada — sugeriu Rute. — Se eu trabalhar bastante, poderei colher o suficiente para nós duas comermos.

Rute saiu de manhã cedo e escolheu um campo em que os ceifeiros estavam muito ocupados, trabalhando. Ela ficou perto deles colhendo cada espiga que encontrava no chão.
Ao meio-dia, Boaz, dono da terra, foi ver como andava a colheita.

— Quem é aquela moça que está catando cevada ali? — perguntou.
— É a moça estrangeira que veio de Moabe — disse-lhe um de seus empregados. — É a nora de Noemi.

Boaz tinha ouvido falar de Rute, porque as notícias correm rápido demais nas cidades pequenas. Ele foi até ela.

— Fique perto de meus ceifeiros pelo resto da colheita — disse ele. Eu garanto que eles a deixarão em paz. Quando tiver sede beba da água que meus homens tirarem para beber. Agora venha almoçar.
— Por que o senhor está sendo tão bom comigo? — perguntou Rute, surpresa.
— Eu ouvi falar da sua bondade para com Noemi — explicou Boaz. — Que o Deus em que você aprendeu a confiar a guarde sob os seus cuidados.
Sem contar nada a Rute, Boaz mandou que seus ceifeiros deixassem cair espigas de propósito, para que ela pudesse pegar e levar mais para a casa.

Noemi ficou encantada com o sucesso de Rute.

— Como foi que você conseguiu tudo isso? — perguntou.
— Eu fui a um campo que pertencia a um homem chamado Boaz — disse-lhe Rute. — Ele foi muito bom comigo.
— Como Deus é bom! — exclamou Noemi. — Ele a guiou até lá. Boaz é nosso parente. Com ele você estará segura.



O final feliz



Enquanto Rute ia espigar todos os dias, Noemi ficava em casa. Ela pensou bastante. A colheita logo iria acabar. Como elas fariam depois?
De pronto, Noemi pensou num plano. Então disse a Rute:

— A colheita foi toda armazenada, e hoje à noite Boaz fará sua festa da colheita. Quando a festa acabar e ele estiver sozinho, vá até ele. Peça que nos proteja e cuide de nós, porque somos parentes dele.

Embora se sentisse um pouco envergonhada, Rute fez exatamente o que Noemi havia sugerido. Ela sabia que, em Israel, a lei de Deus determinava que os homens da família cuidassem das viúvas.
Boaz ficou encantado com o fato de Rute resolver pedir ajuda a ele. Ele ouviu com atenção o que a moça tinha a dizer, depois mandou-a para casa com uma generosa oferta de grãos pra Noemi.
Noemi ficou satisfeita.

— Ele é um bom homem — disse ela. — Não vai descansar enquanto não fizer planos para nos ajudar.
Boaz queria muito se casar com Rute, mas havia outro parente de Elimeleque, ainda mais próximo, que vivia em Belém. A chance de ajudar as duas viúvas devia ser dada primeiro a ele.
Boaz esperou ao lado do portão da cidade até que esse homem apareceu; então, perguntou-lhe se gostaria de cuidar de Noemi e de Rute. Isso significaria comprar de volta a terra de Elimeleque e se casar com Rute. Mas o homem disse “Não!”.
Boaz se casou alegremente com Rute e a levou para sua casa.
Noemi ficou tão empolgada quanto Rute e Boaz, quando o primeiro bebê deles nasceu.
Todas as mulheres de Belém, que tinham ido consolar Noemi logo que ela chegou, foram ver seu netinho recém-nascido. Disseram a Noemi que ela era uma mulher muito feliz por deus ter-lhe dado tanta alegria e prosperidade por meio de Rute, sua nora leal e amorosa.


(Bíblia Sagrada – 365 Histórias Ilustradas. SBB, 2ª Edição — 2009)





Aline N. T. - 19h27min


Comentários

  1. Oi amiga! Que saudade de passar aqui! Que lindo ler a Bíblia para sua princesinha. Adorei a história que encontrei... solidariedade, esperança e amor!!! :) Beijo super!!!

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  2. Aline
    Este é o maior legado que podemos deixar a nossos filhos: a fé e o amor. Quem dera todos os pais pudessem ter essa percepção e dar como presente ao seu filho - A Palavra de Deus. Amiga querida e tão grata. Ler suas ricas histórias. Sinto tua falta sempre. Penso em você sempre.

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