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Cesta de Trabalhinhos - I

Vou inaugurar mais um Marcador aqui no Blog.
Sobre o quê? Não é sugestitivo o título da postagem?

Minha filha e eu gostamos de fazer nossas pequenas artes.
Desde que ela era bem pequena, perto de fazer 2 aninhos, eu sento com ela e a incentivo a fazer o que chamei de "Trabalhinho". Ela adora, desde então, todo dia quer criar.

Criar faz parte do ser humano tanto como respirar. Criar é requisito para a evolução.
Por isso considero importante incentivar uma criança, desde a sua mais tenra idade a criar. Seja com sua própria comida, fazendo toda aquela bagunça com o pratinho entre as pernas, ou com um tanto de argila, tendo contato com a matéria de que é feita; e, importante, a voz que ela já escutava de dentro do ventre ali, incentivando-a, intruindo-a, libertando tão cedo o artista que tem dentro de si. Ser mãe é paciência, é dar amor, a esses pequenos que Deus nos confia, todos os momentos.

Como admiro os artesãos! Dentre a infinidade de material usado por eles, sabe um dos que gosto mais?

Vejamos...

Ele é bonito, maleável, tem textura boa ao toque, versátil - 1000001 ideias -, encanta crianças e adultos (as professoras e artesãs das festas infantis se renderam totalmente).

Estou falando do EVA.

A primeira vez que vi, eu devia ter uns 4 anos. Minha mãe comprou de um japonês que vendia, de porta em porta, um par de chinelos relaxantes. Era crivado de curiosos (para a menina abiúda) ímãs e era de... EVA.

Naquela época a moda no artesanato era o isopor. Lembro como se fosse agora, minha mãe confeccionando anjos de isopor com suas roupas douradas para nossa árvore de natal e eu, no meio daquela parafernália, escrevendo meu primeiro livro. (Um livrinho, bobinho, de história de princesa, mas meu primeiro livro).

Lembro que dava um trabalhão. Ela ficava esquentando a faca para poder cortar e etc. Mas eu ficava ali, a sua volta, enquanto o sono não me fizesse desmaiar, futricando em tantas coisas maravilhosas.

(É difícil falar em presente sem remontar o passado. É nossa História!)

Ah, aquelas rendas e tecidos coloridos! As linhas, as revistas cheias de ideias maravilhosas. Tesoura, papel de presente, brocal, cola, chego a quase sentir os cheiros desses dias - ela gostava de trabalhar seus artesanastos na mesa de nossa cozinha, tomando café e, às vezes, me fritando um ovo com "melinho", como eu chamava minha adorada gema mole, que hoje não posso suportar.

Hoje sou eu quem faz tantas bagunças e experimentos. Hoje sou eu com minha filhinha as voltas, querendo "me ajudar", como eu queria também "ajudar" a minha mãe; e porque é tudo tão terrivelmente igual? Até as broncas, quando ela começa a fanfarrar meus materiais, ou corre perigo de se machucar com coisas cortantes ou muito químicas.

Lembrei agora que, uma vez, de uma sentada, minha irmãzinha achou as tintas para tecido da mamãe, e manchou todos os lençóis que ela tinha. Agora é de rir, mas naquele dia foi pura braveza. Ou, então, quando ela me flagrava: "Já tá dando pau na minha máquina, né!" (A máquina de costura dela ainda vive...)

Só eu sei o que são os sentimentos causados pelas lembranças das noites em claro em que ela me fazia vestidinhos de flores e babados para eu ir visitar a vovó, ou ir ao culto. Vestidos que não vejo mais as crianças usarem e são tão encantadores! Ela costumava dizer "Essa menina não dorme" enquanto eu ficava ali no chão, picando os retalhos que caíam de sua máquina de costura, falando sozinha minhas brincadeiras, tecendo "roupinhas para minha filha". Mas muitos anos depois, quando ela, emocionada, me deu uma Singer novinha de presente de casamento, soube que ela gostava que eu só adormecesse lá pelo meio da madrugada, exausta, vencida pelo sono. Ela me disse, com aqueles seus olhos de um mel luminoso, que eu sempre fui sua fiel companheirinha.

Foi ela quem me ensinou a importância de passar infinitos momentos com a cria da gente. Fazendo coisas boas, coisas doces. Fazer tudo sempre junto. Mesmo que, em algum momento aborreça, como tudo na vida, só uma mãe entende o que significa o olharzinho deslumbrado de sua filha ou filho quando ela lhe apresenta uma bobagem de sua criação, que é um tremendo tesouro para um coração tão inocente e gentil como é o de uma criança. Fico aqui pensando na casinha de retalhos, com telhado vermelho e chaminé, que ela me fez e ligou uma lâmpada atrás e parecia que as luzes daquele encanto estavam lá dentro, acesas, e eu, ah, tantas imaginações!

Foi na faculdade, no curso de Criação de Material Didático, que comecei a trabalhar com o EVA e, desde então, faço um monte de cacarecos e tralhas para a minha filha. Ela a-d-o-r-a cada coisa e eu nem vejo as horas passarem quando estou mexendo com isso.

É totalmente amador. Nunca fiz curso. São coisas que vou aprendendo aqui e ali. Em vinte anos o mundo passou por uma reviravolta sem precedentes. Hoje o que é, não é nada ao que foi quando eu tinha a idade da minha filha. Muitas dessas mudanças me desanimam, por dezenas de motivos e argumento que, por enquanto, não tenho vontade de entrar no mérito. Mas têm, como a maioria de todas as coisas, seu lado bom.

Com a internet, o Youtube, tem-se tutorial para quase qualquer trabalho manual. Enquanto eu a via (a mamãe) quebrar cabeça para aprender o como faz de suas costuras e artesanatos naquelas revistas de moldes em papel jornal, podemos hoje escrever qualquer coisa na internet que acha-se logo o vídeo!

Assim, com dezenas de milhares de pessoas de boa vontade ao redor do mundo, tenho aprendido muitas coisas. A comunhão do conhecimento dum jeito que, tenho certeza, os antigos jamais poderiam imaginar.

Isso me faz pensar que bem antes de existirem essas mídias sociais, eu tinha o sonho de me matricular num curso de pintura, óleo sobre tela. Até que o fiz. E como eu ficava ansiosa esperando a bendita aula semanal! Demorava tanto para chegarem aquela quintas para eu ir para o Traço das Artes. Então, quando enfim chegava, aquelas 3 horas pareciam passar em 3 minutos.

Agora sempre que bate minhas ansiedades artísticas, toca para a internet e, nossa, até aquarela comecei a pintar. Até livros andamos fazendo! Graças a boa vontade de outras pessoas que, a troco de comentários, views, e o prazer em saber que alguém partilhou de seu saber, colocam seus conhecimentos a nossa disposição. A troca é infinita.

Na medida do possível, tentarei fazer isso aqui no blog. A primeira coisa de todas é desejar que todos possam partilhar com seus filhos, netos, sobrinhos (suas crianças, enfim) momentos tão ricos como eu tento tornar possível com a minha Piúla. Nenhum bem material se assemelha em carinho ao tempo que damos a eles. Dar tempo, atenção, a uma criança, é a maior das provas de amor. Porque são convertidas em ternas lembranças. E elas, sim, duram como bens perenes.


Na próxima postagem vou falar mais detalhadamente sobre isso, porque estou vendo que me empolguei e escrevi, como sempre, demais.

Vou deixando um trecho de Mateus, no capítulo 19, uns dos meus favoritos do evangelho de Jesus:

As Criancinhas

13 Trouxeram-lhe, então, alguns meninos, para que sobre eles pusesse as mãos, e orasse; mas os díscipulos os repreendiam.
14 Jesus, porém, disse: Deixai os meninos, e não os estorveis de vir a mim; porque dos tais é o reino dos céus.
15 E, tendo-lhes imposto as mãos, partiu dali.

Quem tiver o costume de orar, lembre-se, em sua próxima oração, das nossas crianças. Que o Senhor olhe por cada uma delas.



Tenham todos vocês leitores uma semana abençoada. 




Aline N. T. - 22h05h (Post Programado escrito em 10/01/2010)


Comentários

  1. Aline querida
    Adorei sua ideia. Realmente trabalho manual é gratificante. Agora mesmo terminei um bico de croche numa toalhinha de mão para presentear uma aluna minha. Que o teu ano seja repleto de letras e arte junto com a filha e toda tua família.
    Um beijo e parabéns pela linda postagem.

    ResponderExcluir
  2. Aline? Demorou mas agora estou seguindo o seu blog... Espero que você esteja bem!!!!!
    Saudades de ler os seus escritos. ADorei todas as ideias do seu blog.
    Se puder dá uma passadinha no meu.
    http://anittacardoso.blogspot.com/

    Beijos e Excelente 2011 para vc e sua familia.

    ResponderExcluir

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