Andei um tanto sem voz. Que é a vontade de falar verbalmente. Mesmo sem a voz que clama em nosso interior. Que é a vontade de falar artística; escrever. Tenho minhas épocas de introspectiva. Pensando em muitas coisas, não tive certeza de nada. Mais um ano expirou e a minha única alegria sobre a passagem do tempo é que ela me aproxima cada dia mais de meu Pai, quem tão amorosamente me adotou, e de seu Filho.
No passado houve dor, e as venturas constituíram os alicerces das alegrias que vivo hoje, que são ainda muito melhores que as que houveram. E são, definitivamente, pela Graça. Por isso, embora tentador seja, admito, falar em passado, tentarei falar sempre em presente, e com uma cautela prudente, encostar de leve no porvir.
Hoje (penso que sei) que nossas vidas são feitas de pedacinhos.
Então, depois dos dias de mudança, de dias de livrar-se das teias e coisinhas velhas de um ano já velho, sinto-me pronta para encarar este, que é uma porção que me é dada, e desejaria dividir com meus queridos leitores, que empenham momentos de seus dias, tão preciosos, me dando atenção.
Um ano é somente uma medida abstrata de tempo baseada nos fenômenos climáticos. A vida corre, o tempo e os acontecimentos naturais não olham relógios, se não o biológico. Mas essas convensões nos ajudam a marcar etapas.
Em dezembro fez um ano que comecei esse blog, e estou muitíssimo feliz por causa das amizades que fiz, e por causa das coisas que escrevi e aprendi aqui e ali, e ele, o blog, foi o intermediário para uma autora entre melancolicamente etérea e bucólica e o (Cyber) mundo aí (fora) dentro.
Tenho muitos planos e ideias para esse cantinho livre que afluiu do meu site, como um arroio doce que leva para além, para o mar, as flores e outros amores que nele se deitam pelo caminho.
Uma das coisas novas que postarei serão receitas.
Não será uma receita um pedacinho de vida, e não é formada a vida de muitos pedacinhos?
Culinária é uma das artes que mais gosto depois de escrever e pintar. Ela, com suas belas formas, aromas e gostos deliciosos, aproxima as pessoas, provoca sorrisos e contentamento. Arrisco, sem maiores pretensões, minhas receitas novas ou de família, e agora, enfim, tentarei vencer meu propósito antigo de dividir algumas delícias que deixavam algumas amigas salivando no meu extinto Orkut.
Hoje eu fiz um bolo simples, mas que, por isso mesmo, é muito especial. Delicioso. Fiz de manhã e de uma sentada metade foi embora.
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3 ovos
Meio copo (desses de requijão) de água
1 copo cheio de açúcar (de preferência cristal)
02 colheres de vinagre de maçã
02 copos de farinha de trigo
01 colher de fermento em pó.
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Bater tudo no liquidificador e assar entre 180 e 220ºC (forno brando)
Ele, além de fofíssimo, é doce. Mas não muito. Fiz uma calda de chocolate com leite, margarina, açúcar e achocolatado para regar e, a pedido duma certa Piúla, joguei granulado em cima. É perfeito. Não é tão cheio de calorias como nossa adorada Nega Maluca, e contenta igualmente. Porque a delícia está na leveza e fofura desse bolo que derrete na língua.
Quando você come uma fatia dele com café com leite se sente sustentado. Ao menos, assim eu me sinto.
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Culinária é pura prosa, pura poesia, porque está no nosso dia a dia. É nossa cultura... E eu, particularmente, não vejo nada de melhor que a literatura ser, assim, essa reinvenção da vida...
Já leu algum autor que gostava de falar em comida e você podia jurar que, ao ler, sentia o gosto?
Aline N. T. - 14h12min



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