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Bienal do Livro do Paraná 2010

Visitas ‘Livrentas’

Esse fim de semana, 09 e 10 de Outubro, tão esperado, me foi muitíssimo especial.

Porque teve a Bienal do livro em Curitiba, ocasião que serviu para reunir umas apaixonadas por leitura.

Recebi a Marcela, amiga urdida nas manhãs insones, também escritora, que veio de Colatina - ES, a Lariane, minha primeira leitora e grande incentivadora, Joinville - SC, e a Isabela, Londrina, uma conterrânea paranaense na qual vi em seus olhinhos brilharem o orgulho por ler o nome de sua cidade no meu livro novo, que está prestes a sair, e também a Jheni, que me pareceu tão sensível, é muito dedicada e está em Curitiba para trabalhar (e muito!).

A Marcela chegou na sexta, e fui com a Sarah e o Matheus buscá-la no Aeroporto, aqui em São José dos Pinhais. O voo atrasou e quando pusemos o pé em casa estávamos famélicos. Eu fizera um pudim de leite moça para as doces visitantes, mas um vento chamado "Matheus" sentou à mesa e o levou (devorou) quase todo! A culpa é minha por preparar justo a sobremesa que ele mais gosta! Depois de ela ter matado a saudade do refrigerante de framboesa e provado minha compota de amoras, passeamos no calçadão sob aquele sol que pareceu se acender depois de muitos dias nublados, justamente para sua chegada. Uma brisa fresca batia contra nossos rostos e voltamos para casa com uma sacola cheia de doces (paçocas e chocolates!).

A gente tinha muita conversa para pôr em dia (porque afinal não nos falamos quase que diariamente), fomos ver O Conde de Monte Cristo na TV, e dei um desconto que ela tenha dormido nos primeiros 5 minutos do filme, porque, afinal acordara as três da manhã para ir para Vitória pegar o voo para cá, e já eram mais de dez da noite...

No dia seguinte, bem cedo, a Jheni veio trazer as meninas até aqui e como é curioso e mágico conhecer pessoalmente alguém que conversamos sempre por dois anos, mas que não fazemos ideia de como seja sua voz ou trejeitos.



Depois do café da manhã tocamos para os sebos e a intimidade adquirida nos bate-papos de dois anos foi sendo recriada no face a face do passeio. No primeiro sebo a Marcela já tinha gastado mais do que gostaria de fazer em todos. E quando fui pagar o que ia levando, tive de deixar muita coisa para trás, porque acabei torrando o que devia e não devia em livros infantis! Afinal, estou cultivando a sementinha do gosto por leitura e sabedoria na minha filha e isso vem antes de qualquer coisa, ou romance que me encha os olhos.



Ah! Fiquei emocionada de ver as duas advogadas, Lari e Marcela, me defendendo da funcionária que queria me cobrar mais caro que o valor anunciado em letras garrafais na bancada das Larousses infantis com que presenteei a Sarah nesse dia das crianças. Foi somente quando a lembrei de que existe um Procon, para o bem do consumidor, que ela fez o preço conforme anunciado mas, entredentes, chamou-me de criança. Tsc. Se soubesse que o maior dos elogios me é chamar de criança!, como bem já disse em outras postagens. Por que delas, disse Jesus, é o Reino de Deus... Claro que eu poderia ter sido compreensiva, afinal ela esqueceu de tirar o anúncio com o preço, e pequenos deslizes todos nós fazemos. Mas se tivesse sido mais amável, não me insultado com seu gesto desaforado e com seu tom de voz ao me destratar, eu, a assídua cliente, tenho certeza, não teria sido inflamada no desejo de exercer meu direito de consumidora.

Esse foi o único momento desagradável do incrível passeio que estava só começando. Porque as coisas desagradáveis marcam tanto?




Passamos pela Rua XV, e chegamos a Praça Tiradentes. Eu queria tirar foto com as índias, que ali vendiam na escadaria da Matriz seus artesanatos. A Jheni foi perguntar a que nação pertenciam, porque fiquei muito tímida para fazê-lo, e eram justamente da qual me desperta tanto interesse por sua rica e diversificada cultura, que chegou mesmo a me inspirar uma personagem em um de meus romances.



Mas, nesse dia em especial, as jovens Caingangues não estavam muito dispostas. Mas se eu tivesse podido, juro que teria comprado uma de suas lindas cestas que, mesmo de longe, me cresciam às vistas por tão belas.
Da praça ficaram as belas fotos que tiramos com meus livros, que primeiramente, a elas todas me uniram e isso é muito comovente para mim. Na foto estamos segurando o "boneco" de Por Falar em Disputa...
  



  
No sebo amarelo que entramos, logo atrás da Matriz, a Marcela encantou-se com o preço dos vinis e me presenteou como O Reino do Dragão de Ouro, da Isabel Allende, autora que tanto gosto, a qual qualquer em hora de disposição pretendo dedicar uma postagem. A Lari e a Isa fizeram suas aquisições e a manhã estava quase terminando, entre tantos risos e efusões literárias.














A caminho do último sebo, paramos no antigo Paço de Curitiba. Não pretendíamos visitá-lo, nem ali entrar e nos encantar. Mas como nos negar àqueles braços históricos que nos laçavam e fazia-nos sonhar com tantas promessas românticas em cada uma de suas linhas arquitetônicas e bafejos de muitas vidas vividas?

E como resistir as fotos que para sempre eternizam momentos tão felizes? Como evitar a bronca do segurança? “Sem flash, por favor!” Ah, cabecinhas não só sonhadoras, mas avoadas as nossas!


O último sebo acabou de falir a Marcela que, depois do Habibs, ainda conseguiu desencravar mais um para adquirir o A Espera de Um Milagre, de seu querido Stephen King, totalizando nove livros e sendo eleita a ‘ET’ do grupo, porque não puxa os Rs para falaR como nós, todas as outras, e nunca tinha comido esfiha aberta ou Big Mac. E eu, a vegetariana com minhas esfihas de espinafre e catupiry, também não deixava de ser um pouco ET bem ali...

Depois de muitos livros nas sacolas para sortear ou ler, a Lari e a Isa nos seguiram rumo ao Shopping estação, para a Bienal do Livro do Paraná.

Nossas pernas já estavam doendo por conta de tantas andanças, mesmo com o descanso para o almoço. Mas ainda era tolerável andar e andar! Só a Marcela, coitada!, que, ignorando nossos avisos na esquina de casa para voltar e calçar um tênis, não podia mais suportar as bolhas que o sapatinho preto lhe fez e os Band-Aids não ajudavam em nada para aliviá-la.

Preferia ter visto a Bienal do Livro do Paraná ter sido mais evento cultural e popular que mercantil, mas de todas as formas foi um maravilhoso ponto de encontro e as editoras nos enchiam os olhos com seus títulos maravilhosos.

Ali, na Bienal, marquei encontro e vi outra vez a Marion que, tendo comprado meu livro O Último Baile do Império, a conhecera pessoalmente na Biblioteca Pública do Paraná (amizade entre escritoras laçada numa biblioteca deve ser lindo prenúncio!) e tanto descobrimos uma na outra de singularidades em comum.

 

Foi muita emoção, nesse 09 de Outubro, depois de juntas conhecermos a bela nova versão da Barsa, vê-la autografar para mim, diante também de sua filha Ana Tereza, o volume de seu Berço Africano. Já estou lendo, no primeiro capítulo ainda, mas adorando sua delicadeza com as palavras e me sentindo totalmente dentro da história já na primeira situação, do cenário que ela compôs.


Como havia-nos perdido da Lari e da Isa, com os pés nos matando (principalmente a Marcela rsrs, tadinha!) sentamos bem na entrada e as esperávamos passar para irmos embora. Ainda havia um longo percurso até em casa onde haveríamos de tagarelar conversas livrentas e, enfim, desmaiar de tanto sono e cansaço, porque o amor por literatura faz coisas! A Lari, a Jheni e a Isa haviam acordado as três da manhã para viver conosco esse dia maravilhoso!


   


É claro que não posso esquecer de contar quem encontramos por lá no estande de fantoches. Nossas sósias, Aline e Marcela! Quem mais? Mas quando cheguei em casa, a Sarah que adorou as últimas aquisições da Tia Marcela, rebatizou a de cabelo gema de ovo com o nome de Topiz! E não é que pegou? Tem uma semana que me torra (adoro!) para ser a 'alma' da bonequinha, e que vejo uma cabecinha de pano surgir pelo vão da porta com uma vozinha Sarística de doces pensamentos e contações maravilhosas.
A única tristeza que vejo em seu rostinho é quando ela pergunta "onde está a de cabelo pletinho?" e "pla onde folam aquelas tias?"...



E foi assim que terminou nosso dia de Bienal e peregrinação em Sebos: muitos livros, sorrisos e lembranças para guardar no coração.




No dia seguinte, até que acordamos cedo! Mas gastamos a metade do dia só tagarelando na sala, e na outra metade fui mostrar para elas uma inspiração. É uma casa emblemática, com jeito de mistérios e lendas que fica a poucos quarteirões de onde moro. A Casa do Conde, que me aguça as imaginações desde que era criança e que a qualquer hora, tomará vida numa história que há muito tem pipocado na minha cabeça de ficcionista que não tem descanso. Já tem título, enredo e até desfecho! Aguardem!

Elas ficaram encantadas e, como eu, desoladas por não poder ver a tal casa por dentro.


Então, depois da sessão de fotos com a Dupi, foram conhecer o Shopping São José. Não fui porque, acostumado a ter minha exclusiva atenção, o Matheus que tão amoroso todo esse tempo cuidou da nossa Piulinha, pediu para eu ficar. Não sabemos negar quase nada um para o outro, por isso lhe atendi. E, depois de no dia anterior ter ficado um dia inteiro longe dela e falado com ela pelo telefone pela primeira vez (que emoção de mãe melosa!), ouvindo a doce vozinha, queria mesmo era ler com ela os livros que lhe dei. Quando voltaram, as novidades: a Isa achou seu DVD do Fantasma da Ópera que tanto procurava e eu até estranhei a Marcela não ter comprado mais livros, mas explicou-se logo ao me mostrar suas aquisições: A Noviça Rebelde e Mary Poppins em versão dupla (adoramos esses filmes \o/).

Logo elas partiram e ficou no ar muitos planos e promessas para um futuro literário! Em Joinville, Londrina, Colatina, ou Rio... Quem sabe? Bem que eu sempre repito que o tempo é relativo, e as coisas empolgantes terminam depressa! Esse fim de semana, e também o feriado, escorreu entre os dedos.

Agora, é esperar a oportunidade de nos reencontrarmos todas para maximizar 4 vezes esse amor que cultivamos por leitura e escrita. E, com as distrações de avoadas que somos, ao menos a Marcela e eu, aprendermos, como, por exemplo, que chegar realmente uma hora antes ao aeroporto é importante, para não perder o voo e ver a passagem da visita ser sobretaxada por minha culpa. Ainda, embora esse momento medo, O Terminal, do Tom Hanks, dê caso para contar para aos netos, e apesar de todo o medo que passamos, ainda ansiar por outras aventuras, porque a vida e a felicidade é feita de momentos e lembranças doces de diversões e partilhares.






Aline N. T. - 18h10min

Comentários

  1. Aline escritora singular. Obrigada pelas palavras carinhosas a mim dedicadas quando do e-mail. Você disse bem ao se referir a Marion "tanto descobrimos uma na outra de singularidades em comum". Nesses últimos tempos, tenho me descoberto num universo mágico e encantador - o das palavras. Afastada das bibliotecas - por aposentadoria de livre vontade - tenho tido mais tempo para as letras e aos encontros, ainda que virtuais, com pessoas lindas como você. Você conseguiu retratar de uma forma tão vibrante que não há como não se sentir dentro dos próprios sebos, dos próprios caminhos percorridos. A casa do conde, já a vejo, inclusive, nas poucas palavras tecidas. Parabéns e obrigada por este espaço. Um beijo e até mais. PS: sua filha é linda e abençoada por ter uma mãe como você. Realmente a pérola se esconde nas profundezas do mar e são difíceis de serem encontradas, mas não impossível - eu a encontrei. / Beijos e até a próxima. / Inajá

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  2. Aline, adorei participar de um pedacinho desse fim de semana inesquecível e ver em primeira mão o "boneco" do Por falar em disputa... Espero vê-la em muitas outras oportunidades.
    Felicidades para você e sucesso no novo livro!
    Marion.

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  3. Aline, obrigada por partilhar conosco este passeio literário/cultural maravilhoso! Sem tirar o mérito dos locais visitados, a sua descrição e o companheirismo de vocês, que sentimos tão puro e afável, valem mais de metade do post.

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  4. Que saudades, reli tudo com um brilhinho nos olhos. Foi tudo fantástico, esse encontro vai ficar eternizado. ^^]
    Beijinhos!

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