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Desafio Nacional



Produto Intelectual Nacional...

Depois de ler sobre o Desafio Nacional no Blog da Bruna Longobucco (leia aqui: Feitiço Literário), acendeu aqui comigo o desejo de promover. Afinal, não é de hoje que eu lastimo o pouco caso, preconceito e desamor para com a produção brasileira. Não vem só dos leitores, mas, infelizmente, de muitos autores também.

Falo sobre isso também no Blog da Karina (leia aqui: K-Romances).

Porque deixar de escrever sobre o país e a cultura que nasceu, para supervalorizar uma, até mesmo, em que nunca esteve?

Não é uma crítica velada, apenas uma observação simpática. Conheço autores brasileiros que usaram outros países para palco de seus romances. Mas nem por isso só lá fora permaneceram. Antes, muito falaram e mostraram do que temos bem aqui.

Quanto aos leitores, claro que existem as exceções, mas é triste saber que grandes autores brasileiros da atualidade tiveram de primeiro conquistar os aplausos no exterior, para, só então, ser aclamado aqui, não? Essa história é novidade? Não... Para quem já ouviu falar da banda musical Sepultura, das cantoras e compositores líricos e do autor Paulo Coelho que, se nunca o li (ainda), admiro seu papel como representante verde-amarelo lá fora.

Não é segredo para ninguém meu amor pela obra de Erico Verissimo, meu encanto pela Cora Coralina que um dia foi alguém como nós, novos autores. Não esqueço do dia que li um trecho de sua Biografia e o editor que a descobriu tinha uma salinha simples num fim de corredor, onde na porta se lia entre sem bater... Imprimiu-se seus pirmeiros livros com o auxílio da Faculdade da Universidade Federal de Goiás.

Não importa o meio que se obtenha uma edição. Importa que o que temos dentro de nós para oferecer chegue, de alguma forma, até o leitor.

Cada dia descubro um novo e maravilhoso autor brasileiro como é o caso com a Lya Luft e a Bruna Longobucco. A Lya, apesar de já ter ouvido falar, não conhecia. Estava perambulando pela biblioteca, caçando algo diferente de sempre, e meu olhar bateu naquela coleção vermelha, lombadas com letras douradas. Lya Luft... o nome, não sei porque, soou no meu "ouvido mental" como um sortilégio — palavra que o Erico parecia tanto gostar de empregar.

Além da surpresa de ler que ela dedica o livro à D. Mafalda Verissimo (meus olhos até umedeceram de leve. Desculpem se pareço, por isso, exagerada ou por demais emotiva. Mas que fazer? Sou assim...) descobri, durante a leitura de “Pensar é transgredir” que com suas "verdades" e modo aberto da autora de falar sobre tudo já me cativou e junto com o Erico Verissimo, a Cora Coralina, o Rubem Alves, e a Eleanor Potter (autora de Poliana), as pelavras de Lya Luft nunca sairão da minha estante e meu do coração pensante.

E, com toda a certeza, se eu encontrar por aí um novo autor, com uma sinopse tão encantadora como “Sem Destino” da Bruna Longobucco (estou no meio dessa deliciosa leitura), ou um texto lírico e filosófico como em “Além das Nuvens”, também da Bruna, que me atraia, não hesitarei em ler, já que sempre fui assim, sem medo do novo. Além de ler originais de outras autoras brasileiras com anseios quais os meus, procurando incentivá-las a não desistirem, tenho na minha estante e comprei porque que quis, porque me encantei pelo resumo, A Morada do Vento, da Stephana Marchiori. Aliás, quem comprou-me esse lindo romance que qualquer dia falarei a respeito foi a Marcela^^. Tenho a coleção do Álvaro Cardoso Gomes (Beto e Lúcia Helena) que lia sorrindo por me identificar com o espaço que ele tramava com as vozes de sua obra. Sem falar nos tantos que já me fogem à memória que lia na biblioteca da escola no ensino fundamental, todos nacionais. Minhas colegas, com Harry Potter (não li, é sobrenatural) na mão, me olhavam com aquele olhar terno “Aline ET”. Mas como elas respeitavam-me, eu respeitava-as. Gosto é como olhar ou impressão digital, cada um tem o seu e é não-classificável. Pode haver um sobrenatural que eu venha a gostar, um dia. Assim como pode haver um nacional que um leitor ávido de estrangeiros possa ler e se encantar. Ou ainda, provocá-lo. Existem leituras que não são para ser agradáveis, mas para nos provocar.

Como disse-me sabiamente também a Marcela, cada livro escrito é comparável as listrinhas de uma zebra. Um caso de amor (carnal ou fraternal), narrado por uma brasileira, uma americana ou um afegão, embora fale dos mesmos sentimentos, será surpreendentemente diferente. Aí mora o brinquedo.

Pare e reflita: os leitores estrangeiros prestigiam a quem? Seus autores, sua cultura. É hora de fazermos o mesmo. Percebermos que um paulistano que perambula compenetrado em seus negócios pela Av. Paulista ou vende o produto de uma grande empresa por telemarketing; um gaúcho que senta à roda do mate no fim da tarde ou dirige um grande jornal; um matuto que tem no, seu tanto de terra de subsistência, o pôr-do-sol de seu destino e contentamento ou alimenta numa grande fazenda a mesa de centenas de brasileiros; uma baiana vestida de roda e branco vendendo acarajé ou sendo a senhora de seu restaurante de sucesso são todos uns tão brasileiros quantos os outros, em sangue e formação. Queria ter citado cada um dos 26 maravilhosos Estados que temos, mas, além de ser vasto os representantes de cada cultura que forma nossa cultura maior, me falta conhecimento e sobra desejo de resumir a idéia que quero exprimir. Não importa a ascendência de que venhamos, ou o modo que vivemos — todos vivemos num território marcado por diferenças que formam toda essa riqueza que está bem ao alcance das mãos do escritor. Não, o Brasil não é pura e simplesmente carnaval e futebol, como errôneamente julgam os estrangeiros que não tem a sorte de ter, na escola, uma geografia como a nossa que fala do mundo todo.

O Brasil tem a sorte de poucas nações. Ser a miscelânea de muitas e uma identidade fabulosa que dá vazão a qualquer criatividade que queira prestigiá-lo.

O importante é estar livre de PRECONCEITOS, importante é não DISCRIMINAR a cultura que te construiu e que te abriga. E a Cultura brasileira é uma das mais belas. Desde a Ilhéus de Jorge Amado, Gabriela Cravo e Canela, a Santa Fé, burgo Verissiano. Desde um exemplar de um Clássico como A Moreninha, a um lançamento de um autor de nossos dias que se dedica, corre atrás, não desiste ante os obstáculos e busca Um Lugar ao Sol, como o João Ventura do Noel — mesmo dentro da ficção que está numa ficção, se explícita que tudo isso que falo com paixão é antiga história...



Dedico este post a todos os apaixonados autores brasileiros.



Aline N. - às 15h00min

Comentários

  1. Vc é escritora que legal...
    o Desafio Nacional está bonbando mesmo, temos que valorizar nossos escritores mesmo (graças a Deus perdi esse pre conceito)... Interessante o teu livro, fiquei bem curiosa...

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  2. Muito legal o seu Blog. Amo a literatura, escritos e poesias. Curiosamente meu último escrito abordo sobre o PRECONCEITO. As palavras, mesmo sendo escritas diferentes, se atraem.

    Parabéns!

    Helio Thompson

    ResponderExcluir
  3. Kézia!
    Que bom que perdeu!
    Obrigada pela leitura e pela visita!
    =)

    Helio,
    Obrigada! Logo irei conhecer o que escreve... e ler seu texto sobre o preconceito.

    ResponderExcluir

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