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Imaginei uma cena. Muito romântica e que acontecesse em uma noite agradável no longínquo ano de 1889.
Imaginei-a vendo por detrás dos olhos de Angelina de Aragão, minha primeira protagonista. Uma Sinhazinha ingênua que desconhece a grande força que possui em suportar fatos demasiados terríveis. A cena acontece quando ela pisa pela primeira vez os jardins da morada de Augusto, o homem que sempre a amou, sem que ela soubesse.
...e descrevi essa cena assim, conforme o espectro da inspiração me ordenava:
“Via o céu, que lhe enchia os olhos e a alma de contemplação. Para além da balaustrada, o mar: calmo, sereno e cheiroso parecia repousar. Achava o mar muito aromático e agradável, gostava de, por vezes, em fins de tarde, molhar os pés na água salgada. Desejava, mesmo, era banhar-se de corpo inteiro, mas não poderia ousar tanto. Muito longe, agora naquele momento além do mar que ali se estendia por uma baía, a capital cintilava tênue. Fora levada àquele jardim maravilhoso por uma pequena e estreita alameda de primaveras. Leonel pediu que esperasse um pouco enquanto buscava algo dentro da casa. Hoje teria uma pista de quem ou como ele poderia ser. Veria sua casa e, quem sabe, uma pintura ou mesmo uma fotografia. Faria perguntas. Por enquanto, aproveitava a fantasia que pairava no ar daquele jardim, nos lampiões, na fonte, nos lírios e orquídeas que para ela seriam sempre inesquecíveis. Hoje, diria a verdade a Leonel, mas ele também teria de lhe mostrar a verdade, a sua face.
Augusto surgiu às suas costas, sem ruído.
— O que merece seus doces devaneios, mi corazón...?
— Leonel... Preciso te dizer uma coisa.
Augusto a guiou para um banco debaixo de um caramanchão florido, e, segurando sua mão, esperava que fosse revelado algo sobre o noivado.
— Diga, mi ángel.”
Mas também ousei descrevê-la com tintas.
Na época eu cursava faculdade de Pedagogia e, por ter estado de licença-maternidade, precisei fazer uma matéria no curso de Artes Visuais. Essas, as artes plásticas (como todas as outras), sempre me encantaram e é desnecessário dizer com que grande empolgação eu realizei aquele semestre.
Uma das atividades de que mais gostei e senti prazer em realizar foi esse:
É a Monotipia de um desenho que eu fizera a carvão, num momento despretensioso, baseado em como eu imagino o jardim de D. Augusto, também protagonista de O Último Baile do Império.
Obs.: Monotipia é a impressão única de uma imagem.
Imagine-se... Risque o que quiser numa folha, cubra-a com um plástico liso e transparente e prenda com fita adesiva. Pinte (acrílica, óleo, têmpera) a imagem conforme sua criatividade fluir. Depois, soltando a fita adesiva em cima e embaixo, vire o plástico até que ele carimbe uma segunda folha que deve estar também presa ao lado do plástico.
Oi Aline! Asim que passar o lançamento de "Centúrias" e eu retornar as minhas atividades de "traça", quero ler seu livro. Muito. Postagem inspiradora! Super abraço!!!
ResponderExcluirQue lindo!!! Não sabia que você também era uma ótima pintora ^^ Não entendo nada de obras de arte, mas gosto muito! E gosto de pinturas bonitas, que deixam uma impressão marcada =D
ResponderExcluirA pintura "Pátio e Jardim. Vista para a Baía de Guanabara" ficou linda demais!!! Na segunda edição do livro, ela terá que vir também, né?! Acho que todo mundo vai adorar Hahahah
=D
De verdade, ficou muito linda! Parabéns =D Devias pintar mais!!!
Prezada Aline! Você tem uma expressividade que é mesmo admirável. O tempo dirá que terei feito uma previsão um tanto óbvia, mas, assim mesmo, não posso deixar de reconhecer desde hoje seu promissor destino como escritora.
ResponderExcluirConte comigo em sua longa aventura literária e conte comigo também quando apenas quiser pintar o sete!
Abraços,
Marlise de Cássia Bassfeld, Curitiba